O leitor escreve
Ode ao ódio ao fumante
É velha a frase, fruto de canção popular: Você não presta, mas eu te amo!
O tabagismo também é assim. O fumante sabe que o cigarro, charuto ou cachimbo ou o paiova são chamados de males patológicos, males necessários e não se afasta dele. O tabaco e tabagismo são muito importantes e muita gente, a favor ou contra, se importa com eles. Rodolfo de Souza Maia, preocupado com o tabagismo, produziu um soneto de puxão de orelha nos fumantes: O cigarro é um vício incômodo e desumano,/que envenena o corpo, minando-lhe a estrutura,/reduzindo logo a títere uma criatura,/submetida ao domínio de seu fruir insano./Extirpa o mal, fumante, foge desse engano!/Nenhum proveito colherás dessa postura;/a nicotina, sim, fará tua sepultura:/é o bem que te oferece esse prazer profano./A Divina imagem e semelhança feito/ de Deus, o homem deve-lhe, como por respeito,/conservar e manter seu corpo puro e são;/Não poderás levá-lo, assim, ao sacrifício/colocando-o a mercê de um deletério vício,/que põe a descoberto a tua ingratidão.
O poeta se mostra bíblico e sacramental. Só nos resta que algum representante de templo esteja lendo estes versos e o elogiando entre grandes e satisfatórias baforadas do Hollywood ou do Free. Que cada um desça do bonde como bem lhe aprouver. Estou de acordo e acho que ninguém tem de reclamar, a menos que o gajo, ao descer do bonde, ao seu modo, acerte-me uma canelada ou pise no meu calinho de estimação. Estava eu saboreando meu delicioso por quilo quando senti um odor, um cheiro estranho, não tão estranho porque logo reconheci, o de fumaça de cigarro. Olho para trás e lá está ele, o importante, dependurado nos lábios do cidadão. Um metro e noventa, 100 quilos (fora o que comeu), como se estivesse no mundo e a fumaça fosse a renovação do ciclo das águas, formadas de nuvens para a próxima trovoada.
Que fiz? Ora! Que faria você, com um metro e setenta, 68 quilos com o que já havia comido e com o triplo da idade dele? Apenas lamentar não ter um daqueles cachimbos bem fedidos para acender também e fazer uma guerra de fumaça, que não causa ferimento cutâneo em ninguém. Aí me lembrei da frase do vampiro do Chico Anísio e fiz dela a minha: Minha vingança sará maligna. Ele terá enfizema pulmonar, ou hipertensão arterial e até sofrerá um derrame, terá um infarto ou algum cancerzinho de cordas vocais, ou piorará a sua gastrite, terá de fazer algumas pontes de safena, daí o safado será também safenado. No meio destas meditações resolvi poetar também e de improviso: Do fumante: o cigarro é meu amigo,/isto é mesmo e eu não nego,/ falem tudo que eu não ligo,/pois eu fumo e não carrego. Para o fumante: Você fuma há trinta anos/Sua mãe fuma há setenta,/numa coisa concordamos,/com corda a fumaça afugenta./O fumante tira um sarro/de quem não fuma ao seu lado,/mas por vingança o catarro não o deixa sossegado. Meu protesto: Fuma o pobre, fuma o rico,/fumam o homem e a mulher,/só eu não fumo e não fico/onde a fumaça estiver/
- FAHED DAHER, Apucarana.





