Fortuna e miséria
Houve manifestações de representantes da direita à esquerda (ACM, Lula, Suplicy), passando pelo centro (FHC), todos evidentemente tentando assumir a paternidade da idéia de se tributar as grandes fortunas para com os recursos arrecadados e combater a pobreza no Brasil. O jogo de cena dos políticos não passa de preparativos para as campanhas políticas que se avizinham, porém a discussão desta questão menor não pode ofuscar o debate sobre esta boa e oportuna idéia, que é a busca da melhor divisão do capital e das rendas no País.
Quem se posiciona contra a tributação das grandes fortunas vale-se dos argumentos de que há excesso de impostos e que os recursos são desviados, fomentando a corrupção e citando como exemplo a CPMF. Neste aspecto até que têm razão. Porém, alguma coisa precisa ser feita para ao menos diminuir a miséria por que passa grande parcela dos brasileiros; e qualquer programa emergencial que for desenvolvido carece de recursos. Para consegui-los é necessário que os governantes deixem de espoliar os assalariados e a classe média e exija da elite esta contribuição.
Este contraste que vemos entre a ostentação dos ricos e a miséria latente dos pobres precisa ao menos ser diminuído. Se o governo não é confiável para gerir os recursos, que estes sejam administrados por ONGs, fundações, associações comunitárias e religiosas ou outros órgãos também sérios. A menos que as propostas daqueles políticos não passem de mais um jogo de cena, penso que é o momento ideal para se aproveitar a ‘‘boa vontade’’ da direita, do centro e da esquerda e buscar uma saída para o grave problema da miséria na nossa terra.
- MOISÉS ANTONIO AGOSTINHO, Maringá
Advogada neófita
Sensibilizaram-me a carta de Octávio Blatter Pinho, do Rio de Janeiro, publicada dia 24 de junho, e a remessa de exemplar do livro, de sua autoria, ‘‘A advocacia, cá entre nós’’, ao sr. João Milanez. Isso despertou-me o desejo de conhecer essa obra, que me será de grande utilidade, desafiada que estou a aprender, estudar e trabalhar como advogada. Terminei o curso de Direito em 1985. Em junho de 1985, já estava habilitada na OAB. Sessenta anos, educadora - professora de 1º e 2º graus - aposentei-me aos 63 anos (1989). Razões algumas impediram-me de iniciar uma carreira tão séria.
Não tão neófita quanto ao tempo de formada, treze anos já. Não obstante os 73 anos, sinto-me encorajada a encetar dentro dos meus limites essa luta. Enquanto o Senhor, meu Deus, permitir, a Ele tenho pedido orientação, debruçar-me-ei nas lides do Direito. Se puder obsequiar-me com um exemplar do seu livro ficarei grata. Advogada pobre, não uma pobre advogada. Contudo, esforçar-me-ei para adquiri-lo. Como fazê-lo, onde buscá-lo? Matarei dois ou mais coelhos, com uma só cajadada, aprenderei com certeza e dedicar-me-ei com feitos e valores dos homens que fazem história nossa.
- NATIVIDADE FARIAS DE MORAES, Londrina
Ronaldinho
Tenho 19 anos e sou fanático por futebol, principalmente o moderno, jogado com tática e força. Essa influência veio dos nossos tempos, pois nestes anos que vivi foram raras as vezes em que assistia a um jogo e pudesse dizer que futebol é arte. Meu pai é totalmente contrário a mim, pois já com certa idade presenciou a década de ouro do futebol, como o Tri de 70. Mas desde aquela época não foi mais aquele torcedor vibrante, empolgado, amante do futebol, pois com a mudança pelo estilo de se jogar tirou também o gosto por sua maior paixão.
Por diversas vezes eu o escuto falar: ‘‘Isto não é futebol’’. Sempre discordei dele achando que futebol é o que se vê hoje, e pedia argumentos a ele para ir contra meu pensamento, o que fazia calar-se. Parece que o argumento chegou, sábado. Ronaldinho Gaúcho fez meu pai encontrar esse argumento. Ele sorria como nunca quando o moleque atrevido dava arrancadas sem nenhum respeito para cima da lenda Mathaus, fruto do futebol moderno, pois se tivesse enfrentado Garrincha, Pelé, Tostão etc. não teria carreira tão longa.
Após aquele jogo, vi que meu pai sempre teve razão, pois quem vê Ronaldinho jogar não sente nenhuma saudade das táticas modernas. A tática de Ronaldinho é jogar bola, fazer o que sabe e encantar os amantes do futebol. Agora com certeza me convenci que futebol é arte, que Ronaldinho é arte. Pena que para explicar isso meu pai tenha esperado 19 anos para achar um argumento, e esperado 28 anos para sorrir diante de uma partida de futebol.
- FRANCISCO A. BONI, Santa Cruz de Monte Castelo
Greve dos caminhoneiros
Como cidadão, sou contra todo tipo de greve. No entanto, atente o leitor para o desmando que vivemos no Brasil. Pagamos IPVA e pedágio, mas nossas estradas são de péssima qualidade e danificam os automóveis. Pagamos Imposto de Renda, INSS e outros, mas presenciamos crianças e idosos morrendo em nossos hospitais por falta de atendimento. Presenciamos as CPIs dos Precatórios, do Judiciário e dos Bancos, tudo com muita mídia e os envolvidos, riquíssimos, continuam gozando do maior conforto aqui e em outros países. Presenciamos o aumento do preço do petróleo e derivados, mas o Proálcool, que é nosso, fica em terceiro plano. Estamos realmente vivendo uma situação atípica e não sabemos aonde vamos chegar com este salve-se quem puder, quando o homem chega a rir da honra e ter vergonha de ser honesto.
- ANTONIO SAMPAIO DE ANDRADE, Londrina
Sonegação
Sobre a sonegação no meio rural, bastaria que os prefeitos de municípios de pequeno porte, com grandes propriedades rurais, parassem de ficar com o pires na mão em Curitiba, gastando o parco dinheiro do FPM. Em vez disso, eles poderiam cobrar o preenchimento das notas fiscais dos produtores rurais. Tem produtor que tem talão de notas sendo comido pelas traças e com grandes áreas de terra, sonegando imposto em pequenos municípios. Ficam anos sem produzir, com gado engordando, e na hora do abate fazem transferências frias para lesar os municípios. Uma solução seria informar o Incra, que determinada propriedade nada declara e nada produz e está pronta para reforma agrária.
- JOEL GARCIA, Londrina
Correção No caderno especial ‘‘Os caminhos da terra’’, encartado na última quarta-feira, houve erro na assinatura do artigo ‘‘Agricultura: o melhor e o pior negócio’’. O nome correto do autor é Francisco Luiz Prando Galli (presidente da Sociedade Rural do Paraná).
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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