O leitor escreve
Municipalização do esporte
Ao ouvirmos (e vermos) tantos prefeitos reclamarem que seus municípios não têm condições de cumprir com suas folhas de pagamento nem efetuar obras e ações essenciais à população, imediatamente nos remetemos à questão da municipalização. Os exemplos da saúde, da educação e, mais recentemente, do trânsito, nos mostram que a descentralização de serviços e de recursos realmente traz bons resultados: ganha o município e ganham seus habitantes.
Tomemos como exemplo a problemática que mais de perto nos aflige, que é a do esporte e lazer. O esporte é, comprovadamente, um grande instrumento para transformações, inclusive as de caráter social, com poder de minimizar os danos causados pela desocupação, abandono familiar e uso de drogas. Muitos projetos são idealizados nesse sentido; a viabilização das ações, porém, esbarra, quase sempre, na questão dos escassos recursos financeiros disponíveis. Por motivos óbvios, as parcerias com a iniciativa privada estão se tornando cada vez mais difíceis: as empresas preferem investir em marketing direto, com anúncios em TV, rádios e revistas, do que subsidiar eventos esportivos ou atletas.
Como tentativa de solucionar o problema, a Lei Pelé garante que 4,5% dos recursos advindos das loterias deverão ser destinados ao fomento do esporte, equacionados em 50% aos Estados e 50% aos municípios, na proporção de sua população. Infelizmente, no que tange aos municípios, observa-se que o repasse não tem se concretizado.
Não seria essa situação um reflexo da falta de união e interesse por parte dos envolvidos no esporte, sejam eles atletas ou administradores esportivos? Somos tentados a acreditar que sim, pois quando vemos a aprovação de um projeto de lei que amplia de 1 para 20 o percentual das loterias a ser repassado à cultura, sabemos que houve, sim, empenho de toda uma classe, coesa em torno da cultura.
Não se justifica que um país de proporções continentais como o nosso tenha tão pouca representatividade em eventos esportivos de caráter internacional (salvo o futebol). Afinal, quantos Romários, Ronaldinhos, Sennas e Gugas estão em seus bairros, vilas e cidades, à espera de alguém que lhes dê uma oportunidade?
Chegou o momento de mostrarmos a força do esporte e a união dos esportistas deste País. É hora de abraçarmos esta causa: a de sensibilizar nossos representantes legais no Congresso Nacional sobre os benefícios gerados pela municipalização do esporte e do lazer. Afinal, é nas cidades que as ações acontecem. Nada mais justo, portanto, que o próprio município administre essas ações e os recursos necessários à sua viabilização.
- ADALBERTO LUIZ MEDEIROS, secretário Municipal do Esporte e Lazer de Curitiba
Música
É bonito e gratificante poder constatar que há alguém com visão para abordar e dar a devida importância de como a música é inseparável do caráter e vida do brasileiro. Com certeza essa miscigenação de tradições culturais criou um povo que absorve a música como ninguém no mundo. A música é contemplada por todos os seres vivos. Porém, o brasileiro tem o dom de fazer dela através de suas riquezas rítmicas e melódicas, somadas à sua personalidade livre e espontânea, algo contagiante e mágico misturando o fantasioso com o espiritual, não importando o gênero.
Posso dizer da experiência que estou obtendo como violinista ao longo dos quase 6 anos de intenso trabalho de divulgação da música de compositores brasileiros aqui na Europa. É simplesmente maravilhoso ser brasileiro e poder oferecer ao mundo algo novo e principalmente no campo da música que está tão saturado. Eu pessoalmente admiro a pessoa do ministro Rafael Greca pela sua astúcia não só política como intelectual de ter o alcance de enxergar como um artista que o Brasil é mais do que ele aparenta ser.
Em relação ao artigo Brasil, teu nome é música, publicado ontem, acho que ele também é uma pessoa que, por conhecer muito, também sabe e chegou à conclusão de que, a única forma de poder classificar a música é ela sendo boa ou ruim. Todo o resto é mediocridade, inveja e ignorância. Parabéns ministro e obrigado pelo seu esforço em demonstrar o maior significado que a música pode traduzir: universal.
- RONEY MARCZAK, Berna, Suíça
Guerra fiscal
Que o Estado de São Paulo foi, no mínimo, inconsequente ao aprovar uma lei que fere o princípio federativo do País, não restam dúvidas. Porém, essa atitude me parece tão inconsequente quanto a do governo do Paraná ao agir da mesma forma. Na matéria Falta de mercadoria pode inviabilizar lei que limita compras, do dia 17, cita que o parque industrial do Paraná ainda não é auto-suficiente. E castigar pequenos empresários locais pelo erro dos outros é no mínimo desestimulante para aqueles que aqui querem se estabelecer comercial ou industrialmente. Acredito que ações judiciais no Supremo trariam mais resultados e maior segurança aos micro e pequenos empresários do Estado. Pois são eles que geram a maioria dos impostos, empregos e desenvolvimento de todos os Estados, e são os menos valorizados. Agora, que essa briga fiscal não iria acabar bem, isso todos nós já sabíamos.
- CARLOS CESAR DALBETO, Londrina
Opinião
Parabenizo-os pela seção Enquete na home page da Folha, onde as pessoas apresentam seu ponto de vista e respectiva justificativa. Realmente, vocês foram muito felizes ao criá-la. Nela opinamos livremente, talvez até um desabafo, coisas entaladas na garganta. Participei, pela primeira vez, e gostei. É uma forma de democracia, não como o governo diz ser. Na realidade é um capitalismo desenfreado e desumano, onde o luxo da minoria constitui um insulto à miséria de muitos. Isto é contrário aos desígnios de Deus e acontece em um país onde a maioria se diz pessoas batizadas e cristãs. Toda essa ganância do capitalismo constitui causas de injustiças sociais, denegrindo a imagem do nosso País, tão rico e viável.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, Porecatu
Poluição
Sobre a reportagem Promotora interpõe recurso contra relaxamento de prisão publicada dia 21: cumprimento a promotora Solange Novaes Vicentin pelo excelente trabalho que realiza. Gostaria que esta matéria fosse divulgada nas grandes cidades, como São Paulo, onde morei de 1991 a 1997 e com certeza todos os rios, lagos são totalmente poluídos e a Justiça é cega.
- ROSEMEYRE NICOLAU DE ANDRADE, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





