Mercado protegido
A cada dia que passa vejo mais pessoas tomando atitudes arcaicas e assustadoras. Estamos quase no ano 2000, entrando no terceiro milênio, mundo globalizado, mercado competitivo onde somente consegue fincar sua bandeira quem realmente é competitivo, quem oferece aos clientes o melhor produto pelo menor preço possível. Pena que é apenas teoria. Há cerca de um mês, uma promotora de eventos de Curitiba propôs a vinda a Londrina da Feira Nacional das Malhas, evento tradicional nos estados do Sul do país e que movimenta muito dinheiro no comércio das cidades onde se realiza.
Interessante e importante, mas esbarramos em interesses particulares de ‘‘alguns bons’’ da cidade. Pedido protocolado junto à Prefeitura Municipal, amparo legal muito claro no art.1º da Lei nº 556/1850, que cria nosso Código Comercial e no parágrafo único do art. 170 da Constituição da República Federativa do Brasil, que asseguram a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica legal, independente de autorização de órgãos públicos.
Nosso Sindicato do Comércio Varejista de Londrina, na pessoa do seu presidente, solicita a proibição da feira, com o cancelamento dos alvarás já emitidos. Com que amparo legal? Com que argumentos? Será a defesa ‘protecionista’ do mercado londrinense - do qual ele faz parte há 30 anos - ou falta de capacidade de alguns em mostrar-se competitivos?
E o pior, com nosso País tentando arduamente modernizar-se, derrubando mercados protecionistas, dando oportunidades iguais a todos, vemos que aqui as coisas tentam andar para o lado contrário, enquanto o desemprego assola o País, pessoas passando fome porque não conseguem trabalho sequer para defender o pão de cada dia, essa Feira utiliza mais de 100 londrinenses trabalhando nesses dias. Claro que não é ‘o emprego’, mas é uma renda que essas pessoas não obteriam em outro lugar, pelo menos não pelos meios legais.
O argumento utilizado para a pretensa proibição da Feira foi o de que o Canadá Country Clube não ofereceria segurança contra incêndio. Interessante. Na eleição de 1992, quando Luiz Eduardo Cheida foi eleito prefeito, no mesmo local ficaram cerca de 5.000 pessoas por três dias, no meio de milhares de cédulas de papel, fumando, com um clima supertenso. Naquela época não era ‘inseguro’?
- LUDOVICO JOSÉ BONATO, funcionário público estadual, Londrina
Vestibular
Julho de 1999. Como cidadã de um mundo altamente avançado em tecnologia, ciência e conhecimentos, nos vemos diante da tão comentada pós-modernidade e prestes a entrar em novo milênio. Muitos são os questionamentos do homem neste tempo que se chama hoje. Apesar de tantas conquistas somos pegos em certas áreas da vida em condições rudimentares de existência. Sou mãe de uma jovem de 17 anos, linda, cheia de vida, inteligente, extremamente responsável, com um currículo escolar notável, com muitos sonhos e ideais bem definidos no que tange ao seu futuro pessoal e profissional. Sei que, assim como nós, muitas famílias vivenciam esta situação que, embora traga crescimento mútuo nos leva a refletir e questionar diante do inevitável: uma vaga na universidade.
Afinal, qual a vantagem de que muitos cheguem à universidade? Pode ser ameaçador quanto muitos pensam. É melhor ‘‘muitos nordestes, com sua seca, do que muitas vagas em boas universidades públicas.’’ Como mãe, neste tempo que se chama hoje, tenho muita esperança, tenho fé e fé é a certeza das coisas que se esperam. Minha filha será aprovada. Pelo seu empenho e esforço deveria ser agora no vestibular da Universidade Estadual de Londrina, pelo contexto de ser uma jovem brasileira determinada e que acredita em si mesma, não posso ter a mesma convicção. Afinal, pouco é oferecido a ela e a milhares - 1.425 vagas e 27.558 candidatos.
Lembro-me de um grande estadista inglês - Winston Churchill. Logo após o término da 2ª Guerra Mundial foi convidado a falar para calouros de uma importante universidade em seu país. Seu discurso, muito esperado pelos presentes, consistiu em três palavras: ‘Never give up’ (Nunca desistam). Churchill e aqueles jovens viveram um pós-guerra. Nós e nossos jovens vivemos a pós-modernidade, mas seu discurso no tempo que se chama hoje é totalmente contextualizado e posso me valer dele para dizer: governantes, acordem. Educadores, nunca desistam. Jovens, nunca desistam. Filha, acredite, confie, espere e conquiste. Nunca desista.
- LAYNE SOARES ARAÚJO RIBEIRO, advogada em
Londrina
Ciclismo
É verdade, sim. O ciclismo de Londrina foi a terceira equipe do País. Também é verdade que temos um técnico que representou Londrina e o Brasil por mais de 20 países, sagrando-se um dos melhores ciclistas brasileiros. Graças ao seu esforço tem conseguido bons resultados para Londrina: campeão dos Jogos Abertos do Paraná por três vezes. Após dedicação exemplar conseguiu recursos da Prefeitura, graças ao prefeito Antonio Belinati, beneficiando-se da Lei de Incentivo ao Esporte Amador.
O ciclismo, como outro esporte amador, é muito difícil. Tem que ter tranquilidade e fazer de tudo para que o atleta permaneça fazendo seu trabalho. O ciclismo londrinense já viveu muitos momentos de glória e agora resta trabalhar mais para que essa tradição não fique por aqui. Londrina tem hoje Luciano Pagliarini estagiando na Itália. Temos também bons talentos que, com certeza, darão resultados para a cidade e seus patrocinadores. Acabo de chegar da Europa, onde acompanhei a seleção brasileira se preparando para os Jogos Pan-Americanos, que serão disputados no Canadá este mês. Sou o técnico responsável.
Recentemente foi fechado contrato com a Vega Engenharia Ambiental, de Londrina que se estenderá até o final do ano, com possibilidade de renovação para o próximo ano. Esses recursos não bastam, mas são importantes. Graças a eles e através de um bom trabalho poderemos obter mais crédito junto ao município e ao patrocinador, permitindo bons contratos nos próximos anos.
- JOSÉ LUIZ VASCONCELLOS, técnico da seleção brasileira de ciclismo, Londrina
Faculdades particulares
A respeito da reportagem ‘‘Faculdades particulares se proliferam’’ publicada anteontem: de fato, a abertura de cursos particulares deve-se as liberdades previstas na LDB, porém são muitas as exigências previstas nas portarias ministeriais para autorização de novos cursos. Acredito que dificilmente sem o cumprimento de tais requisitos a SESU (Secretaria de Educação Superior) do MEC (Ministério da Educação) recomendaria ao CNE (Conselho Nacional de Educação) a implantação de projetos ‘‘incompletos’’. Uma constatação de fato é a grande quantidade de pedidos e o pequeno número de aprovações.
- CARLOS VINÍCIUS MALULY, Santo Antônio da Platina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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