O leitor escreve
Queda social e econômica
A Organização das Nações Unidas e o Fórum Econômico Mundial rebaixaram o Brasil, há dias, ao divulgar sua posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e Competitividade Global. Questionáveis ou não, inclusive a mudança de metodologia aplicada ao indicador da ONU, esses reenquadramentos globais do nosso país sinalizam a contramão do processo desenvolvimentista alardeado pelas bases de apoio governamental.
Na área social, a principal revelação não é nenhuma novidade: a nossa absurda desigualdade social, com elevada concentração de renda, embora herança de outros governos que não este, ainda é um poderoso e dolorido calcanhar de Aquiles. Evidencia-se cada vez mais que temos renda para eliminar a pobreza, mas continuamos no rumo célere da concentração, na mão de poucos, da riqueza nacional. O PIB per capita dos 20% mais ricos é de US$ 18,5 mil, 32 vezes o dos 20% mais pobres. Apesar da tendência ter estabilizado nos anos 90, não avançamos um milímetro na solução desse descalabro. Apesar de termos melhorado os indicadores de saúde e educação, mudamos muito economicamente para quase nada socialmente.
Na área econômica, a abertura para exportações, as privatizações, as reformas e os efeitos da globalização pouco colaboraram na nossa inserção no mercado mundial. O Fórum Econômico Mundial revela nossa perda de competitividade global. Entre 59 países analisados, o Brasil ocupa a 51ª posição, abaixo inclusive de El Salvador, Vietnã e Turquia, entre outros. O documento considera itens como a complexidade do sistema tributário, a alta taxa de juros e a defasagem cambial, esta já revertida com a desvalorização do início deste ano, para atribuir ao Brasil mais uma perda expressiva no ranking, que, somado ao rebaixamento ocorrido no ano passado, escancara o recuo de dez posições no período do governo FHC.
A recuperação do setor produtivo, com o estancamento da torneira do desperdício público e a revisão do sistema tributário, com melhor aplicação de recursos na área social, são ingredientes para recuperarmos a credibilidade global, sem nos rendermos à globalização, que como revelam os indicadores, não nos trouxe melhoria de condições de vida como cidadãos e como nação. Ainda há tempo de dizer para que vieram o Plano Real (além da estabilização monetária), a venda do patrimônio público e a abertura indiscriminada do País a comerciantes e industriais americanos, espanhóis, ingleses e outros. A pátria angustiada pede socorro.
- VILSON ANTONIO ROMERO, jornalista em Porto Alegre
Golpe na terra
Se alguém está pensando que a mexida no ministério brasileiro foi boa para o País, está enganado. Não foi. O fato se desenrolou numa acomodação política sem critérios técnicos. Deixar o senador paranaense Osmar Dias fora do Ministério da Agricultura foi um golpe no solo produtivo. Sua indicação seria a redenção do homem do campo, num reconhecimento ao Estado-celeiro do País. Aqui, a cada ano se confirma um novo recorde na produção de grãos, frutos de boas técnicas implementadas na administração dele na Secretaria de Agricultura do Paraná.
Deixar o importante ministério para alguém sem vínculo no campo, é o mesmo que tirar a enxada do agricultor e passá-la a um diplomata que talvez não saiba sequer identificar alguns produtos, ou quando deva começar a capina. Desconhecerá, com certeza, a simples necessidade de impedir a importação dos defensivos agrícolas perniciosos ao meio ambiente, já proibida nos países de Primeiro Mundo.
- NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA, Londrina
Lábio leporino
Acaba de ser inaugurado em Londrina o Núcleo Intensivo de Tratamento de Anomalias Crânio-faciais (Nitac), um centro especializado instalado no Hospital Infantil de Londrina, com a finalidade de tratar as crianças nascidas com fissuras labiais e/ou palatinas que normalmente vêm acometidas de síndromes, cujas complicações são as mais variadas e até irreversíveis. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em cada 600 crianças brasileiras, uma nasce com esse defeito, cujas alterações ocorrem a partir da 12ª semana de vida intra-uterina, quando as estruturas do aparelho bucal começam a ser formadas.
Até agora esses pequenos pacientes eram encaminhados para Curitiba ou o Centrinho de Bauru, que possui em Londrina um núcleo de triagem, de atendimento primário e encaminhamento das terapias mais complexas. A iniciativa é do Rotary Clube de Londrina, aprovado dentre os mais de 7 mil projetos de diversos países, solicitados à Fundação Rotária. O Hospital Infantil recebeu a verba necessária para instalação básica dos equipamentos clínicos necessários para o tratamento, dispensando o incômodo deslocamento dos sofridos pacientes e familiares para outras cidades. Certamente, o ganho social será incalculável, pois essas crianças (marginalizadas a partir da própria família, envergonhada pela deformação do filho) merecem sua reintegração na sociedade, enquanto seres humanos com direito a uma vida digna e saudável, como lhes é de direito e, principalmente, como é nosso dever de cristão. Contem comigo em mais essa jornada.
- FÉLIX RIBEIRO, Londrina
Festival de Música de Londrina
Gostaria de expressar o prazer que tive nestes treze dias de Festival. Foram dias extremamente gratificantes. A cidade respirou música, o clima contagiou os estudantes e os ouvintes da boa música. Como se produziu neste festival, como os alunos estudaram! A briga por uma sala de estudo era feroz: geralmente, todas as salas estavam ocupadas com estudantes ávidos por experimentar os novos conhecimentos que lhes eram transmitidos. Até os corredores eram palcos para ensaios improvisados.
Os professores se foram, mas deixaram rastros. Criamos laços. Sentimos que a cada ano, estes laços se estreitam: na oficina de choro que frequentei, por exemplo, vários alunos retornaram com mais experiência e já com repertórios trabalhados. Incrível o que esta turma consegue realizar em dez dias de trabalho. E não pensa que é fácil, não. Os professores têm que se virar com o que aparece: é aluno que não lê música, que só toca de ouvido, é aluno que só lê cifra, é aluno que não sabe ler cifras. E eles, na maior boa vontade, fazem arranjos especiais (e que arranjos!), ensaiam, dão a maior força a todos e no final conseguem sempre um ótimo resultado. Gostaria de agradecer esta equipe maravilhosa que coordena o festival, por nos proporcionar contatos com profissionais altamente gabaritados, por promover tamanha troca de experiências e oportunizar fazer música tão intensamente.
- LUCIANA G. SARDINHA SOUZA, Londrina
CorreçãoAutor do texto Torcidas fazem duelo em Assunção, publicado ontem na página 4 da Folha da Copa, é Paulo Briguet e não de Luiz Claudio Oliveira, ambos da equipe da Folha deslocada para a cobertura da Copa América.
- Foto do sósia de Wanderley Luxemburgo, José Henrique da Silva, publicada na edição do Folha da Copa do último domingo, é do fotógrafo profissional Carlos Aguiar. Macaxeira, como é conhecido o fotógrafo em Curitiba, também foi o autor da dica sobre o cover do técnico da Seleção Brasileira, que gerou pauta da Folha.
- Título correto do texto principal da capa da Folha Dois de ontem é Música, vozes divinas.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





