O leitor escreve
Mais razões do MST
O sr. Francisco Luiz Prando Galli, presidente da Sociedade Rural do Paraná, em carta publicada nesta seção, no dia 14, sob o título Quais as razões do MST, questiona-me sobre a qual sociedade rural me reportei na carta As razões do MST. Sr. Galli, o que identifica uma organização é o seu agir e não suas eventuais frações regionais registradas num cartório, e nem, muito menos, uma sede própria, como insinuado pelo senhor, uma vez que o direito de associação é assegurado constitucionalmente a todos, inclusive aos pobres.
No que tange ao direito de propriedade, pensa o sr. Galli que tal direito é absoluto. Errado! A própria Constituição que o previu, também estabeleceu que a propriedade atenderá a sua função social (Artigo 5º, XXIII), e que esta somente é cumprida quando atendidos simultaneamente os requisitos do aproveitamento racional e adequado; da utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; da observância das disposições que regulam as relações de trabalho; e o da exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores (Artigo 186). Por outras palavras, se inobservados quaisquer dos citados requisitos, como por exemplo o desrespeito a direitos trabalhistas e à legislação ambiental, não haverá o direito constitucional de propriedade.
O sr. Galli, ao dizer que o MST é uma organização política e não social, tentando desqualificá-lo, esquece, por exemplo, que a Sociedade Rural do Paraná também é uma organização política, e que o pluralismo político está assegurado no Artigo 1º, V, da Constituição Federal.
Sobre as ações do MST, no sentido de pressionar as autoridades, ressalta-se que as mesmas são legítimas, em defesa dos excluídos; que não se dão conforme alegam os ruralistas, visando desqualificá-las; e que a culpa principal pelo fato de ocorrerem é dos próprios latifundiários e daqueles que os representam, em razão de não observarem a Constituição.
Afirma ainda o sr. Galli, que as Sociedade Rurais possuem pequenos, médios e grandes proprietários. Porém, o que se observa é que as mesmas se destacam pelas suas posições reacionárias em face da reforma agrária, cujo objetivo, na prática, é o de inviabilizá-la. E pelo que se sabe, tais posições não atendem aos interesses dos pequenos e médios proprietários.
Também se equivoca profundamente o sr. Galli quando alega que os ruralistas (grandes proprietários) são os maiores empregadores, gerando trabalho, e que por isso estariam contribuindo para a realização dos objetivos previstos no Artigo 3º da Constituição, uma vez que a virtude pela geração de trabalho é naturalmente da terra, e não de seus proprietários. Faça-se a reforma agrária e o trabalho multiplicar-se-á.
Por fim, a paz no campo que o sr. Galli prega é a paz no sentido de não se reagir contra o sistema fundiário vigente, cuja função é a de atender aos interesses de uma minoria e não o bem de todos. Até mesmo Jesus, quando veio ao mundo, disse que não tinha vindo para trazer a paz. Provavelmente estivesse se referindo a este tipo de paz.
- ANDRÉ VARGAS, coordenador do Fórum por Trabalho, Terra, Cidadania e Soberania, Londrina
Caça (1)
O leitor Narciso Garcia Neto (carta publicada ontem) atacou meu posicionamento em relação à caça, em sua carta publicada ontem. Tachou minha opinião de absurda, entretanto desfilou inúmeros absurdos logo em seguida. O principal deles é elevar caçador amador à condição de ecologista. Ora, se o leitor gosta de matar seus animais e exibi-los com orgulho como troféu, não me venha dizer que o faz para perpetuar a espécie, que mata porque gosta da vida no campo, que é inteligente. O caçador quer o mais belo e forte exemplar, ou seja, animais jovens e saudáveis, que perpetuariam a espécie. E essa ladainha toda, estes argumentos de sibilina compreensão, não me interessam. Entendo a ecologia como uma questão meramente moral, não me interessa se a espécie está em extinção ou não. Interessa-me o fato de estar sendo morta e torturada, não para servir de alimento à sobrevivência de alguém, mas para servir à cobiça e ao sadismo. O respeito à vida, portanto, é uma questão moral. E moral - como sabem - uns têm, outros não.
- FABIANA PAGANUCCI, advogada, Londrina
Caça (2)
A missivista Fabiana Paganucci demonstra uma grande ingenuidade em justificar a sua opinião (publicada dia 14) contra o projeto-lei que permite a instalação de fazendas de caça de animais (no Paraná). Além da sua revolta contra a caça, ela poderia ser contra os pesque-pagues espalhados por todo o Estado, onde se mata outros seres, criados em cativeiro, com anzóis pontiagudos, até eles morrerem sufocados. Será que matar peixes pode? Está provado no mundo todo que as reservas de caça são os únicos meios de exploração racional de um ecossistema. Quando um animal é abatido, recolhe-se o equivalente em taxas para a criação e preservação de outros quatro espécimes.
São respeitados, por uma questão de preservação ecológica, as fêmeas e os filhotes. São abatidos somente machos adultos e sob pena da perda da licença de caça e de pesadas multas aqueles que não respeitarem as regras de caça e preservação. Os caçadores sempre são acompanhados por um fiscal. Após as caçadas, são preparados deliciosos pratos com os animais abatidos. Os países do Cone Sul, só para citar um exemplo, lucram milhões de dólares e geram empregos com o turismo em reservas de caça. E para o conhecimento de todos, no Paraná já existe a Fazenda Marimbondo, com reservas feitas até o ano 2002, perto de Santo Antônio da Platina e em Guarapuava, uma outra grande reserva de caça está em fase de implantação, com o incentivo da prefeitura.
- FÁBIO BUENO VINHOLO, Londrina
Os dois lados
Na notícia Estudante cria página contra MST e faz pesquisa na rede (edição de ontem), podemos notar o verdadeiro trabalho de uma imprensa isenta de emitir opiniões e que dá a vez para que ambos os lados colocados em pauta tenham espaço. De muito bom gosto foi a conclusão da reportagem que, depois de divulgar a página na Internet de um estudante de 16 anos, contrário às posições do MST, abriu espaço também para a defesa do Movimento dos Sem Terra. A Folha de Londrina deu uma aula de jornalismo, pois ouviu as duas partes envolvidas. Foi muito importante divulgar que o MST também tem uma página na Internet, que mostra todo o histórico do maior movimento popular brasileiro da atualidade.
- ALEXANDRE CONSOLI ANDRICH, Londrina
Correção Por falha técnica, foi omitida parte do texto relativo à coluna Satélite, na página de Meteorologia de quinta-feira; também os textos de Brasil e Previsão foram publicados indevidamente de forma remontada.
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