Fundef
Bem ou mal, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) está cumprindo as metas acordadas com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Com o BID, ao que parece, a coisa vai bem. Mas como isso é coisa para inglês ver, no que se refere ao ensino fundamental, a coisa vai mal. O Fundo é muito bem-vindo, mas, de cara, tem de se discutir o valor. Afinal de contas, R$ 315,00 como valor mínimo por aluno matriculado nas redes municipais é muito pouco. Tem de ser alguma coisa além de R$ 400, o mais próximo possível de R$ 500. Aí, as coisas começam a ser de verdade.
E um movimento já está surgindo. Em Minas Gerais, a regional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) está sugerindo que 117 municípios do Estado entrem na Justiça para deixar de contribuir para o Fundef. A liderança nacional da entidade não orienta essa atitude, mas diz que nada pode fazer para impedir. Recife já ganhou a causa.
A verba vem do recolhimento obrigatório de 15% da arrecadação de impostos de Estados e municípios. Desse montante, 60% é para pagamento de pessoal no ensino fundamental e 40% para manutenção, reforma e construção de escolas, além de cursos de capacitação de professores. Com o aumento do valor mínimo por aluno para repasse, o governo federal teria de aumentar a sua participação na complementação financeira, o que esbarra na equipe econômica, que ainda não repassou nem a verba do ano passado. Mais uma vez, quem perde é a educação.
O Fundef é uma grande idéia, mas tem de funcionar. Deve haver fiscalização, para que o dinheiro seja aplicado onde de direito, sob pena de se transformar no SUS da educação. E, comprovada a fraude, punição exemplar para os (ir)responsáveis, em que nível for.
- MAGNO DE AGUIAR MARANHÃO, diretor-geral da Associação de Ensino Superior do Rio de Janeiro
Ironia do destino
Sempre fomos apaixonados pelos avanços dos vôos espaciais. Essa paixão está relacionada com o desejo, que todos têm, de conhecer o desconhecido, o transcendente. A história, ao longo do tempo, tem sido a grande testemunha dessa impulsão. Basta, apenas, acompanhar os seus passos. O pensar e o agir sempre foram os meios (instrumentos) utilizados pelo homem para penetrar no desconhecido, no insondável, desde o alvorecer da humanidade.
Outro dia deparamos com notícia da morte do astronauta norte-americano Pete Conrad, aos 69 anos, numa estrada da Califórnia (Oeste dos EUA), ao cair, numa curva, da sua motocicleta. É imaginável que, na galáxia em que se encontra - se acaso já libertado da turbulência transitória - ele lembrar-se-á dos vôos tripulados, da conversa com os companheiros de viagem, das risadas, e dos diálogos com os cientistas do centro espacial, do deslumbramento que o cosmo projeta nos sentidos humanos. Atestará, também, que na sua galáxia não existem curvas, posto que cada astro segue a sua rota divinamente prefixada. Julgamos que ele estará experimentando - se na plenitude da sua consciência - que a vida na dimensão do universo extraterreno passa por contínuas transformações, seguindo o movimento da evolução dos seres.
Charles Conrad, conhecido como ‘‘Pete’’, após tantos vôos espaciais, navegando no silêncio profundo do universo, pisando e caindo no solo lunar, contido na felicidade por esses feitos históricos, morreu, tristemente, de um tombo, ao cair da sua motocicleta. A nave que pilotava perdeu sua órbita numa curva de estrada. Sua morte poderia ter ocorrido além da atmosfera terrestre, mas, como deixou dito o sábio filósofo Horácio: ‘‘Est modus in rebus’’.
- JOSÉ ÁLVARES DELFINO, advogado, Londrina
Com teto
Ficamos sem saber se foi mesmo Charles De Gaulle quem falou que o Brasil não é um país sério. Agora os franceses negam. Se não falou, devia ter falado. E mais: além de não ser sério, é injusto. Fiquei estupefacto com a Folha Reportagem de domingo, dia 10, em que os ‘‘com-teto’’ invadem áreas de preservação para construir mansões e invadem terrenos do INSS, constroem casas e nunca foram despejados como os pobres que invadem, mas não têm onde se esconder. Dois pesos e duas medidas. Será que nunca vão desocupar essas áreas com casas de alto valor em terreno do governo, como fazem com os sem-teto? Neste caso é na base da porrada, com bombas de gás e cassetetes, revólveres, escopeta etc. Gostaria de ver destruída uma daquelas mansões. De Gaulle tinha razão.
- MÁRCIO DICESAR BENASSI, Sertanópolis
Partidos políticos
É vergonhosa a lei eleitoral brasileira na questão da fidelidade partidária. Mudar de partido ainda vai, quando é para uma mesma linha ideológica, mas ficar usando siglas somente para se eleger por um partido e depois trocar, não. O sujeito deveria perder o mandato. O mandato tem que ser do partido e o partido, por sua vez, tem que ser do povo. A distribuição do fundo partidário não é justa, pois, manda mais para partido que já possui mais. Deve-se distribuir igualmente ou mandar mais para os que têm menos (menores) e menos para o que tem mais (maiores), assim, dando chance para que os partidos menores também possam crescer. Agora querem aprovar uma lei proibindo as siglas menores de existir e de expressarem sua opinião, que é, um direito garantido pela Constituição - o direito à livre manifestação do pensamento, seja de um indivíduo ou de um grupo, segmento da sociedade ou classe.
- OSMAR SANTANA DE ALENCAR, Campo Mourão
Pintura
Vi com muita satisfação a ação da Prefeitura de Londrina em roçar os passeios e pintar o meio-fio da Avenida Castelo Branco, que dá acesso à Universidade Estadual. Pena que o serviço seja feito só para esta época de vestibular, desprezando os alunos da UEL e a população que diariamente transitam por aquela via, e que se vêem privados da pista dupla (falta pouco para concluir), de iluminação adequada e de cuidados necessários para que possamos trafegar com segurança. Vide o estado em que se encontram as rotatórias, o que não acontece com aquela que dá saída para Curitiba, cheia de flores. Por isso peço que o município não se restrinja à maquiagem, mas que ‘‘compareça’’ sempre.
- ALVARO BARRETO ALVES NETO, Londrina
Cumprimento
Somos um grupo de sete pessoas que se reúnem todas as quintas-feiras, com o propósito de autoconhecimento e conhecimentos gerais (físico, psíquicos e espirituais). Os artigos do jornalista Walmor Macarini têm sido tema de abertura e discussão dos nossos encontros. Parabenizamos o jornalista pelos excelentes esclarecimentos e a maneira clara e objetiva com que expõe os assuntos que estão de acordo com nossos pensamentos.
- ODILA ROSÁRIO MARCHINE, Andirá
Correção Piloto alemão Michael Schumacher defende a Ferrari e não a McLaren como foi publicado na página 3 da Folha da Copa de ontem.
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