Quais as razões do MST
Em sua carta publicada no dia 11 deste, na seção ‘‘O leitor escreve’’, da Folha de Londrina/Folha do Paraná, o sr. André Vargas cita a Constituição Federal para respaldar supostos objetivos do Movimento dos Sem Terra (MST). Opina ele que, ‘‘na busca da função social da terra, a ação do MST esbarra nos interesses daqueles que a têm apenas como fonte de lucro’’, acrescentando que ‘‘os grandes latifundiários, representados pela Sociedade Rural’’, seriam ‘‘verdadeiros foras-da-lei.
Gostaríamos, então, de solicitar ao sr. Vargas maior clareza na expressão ‘‘Sociedade Rural’’. Estará ele se referindo a um tipo de entidade de classe, dotada de personalidade jurídica e com sede própria (o que não é o caso do MST), como as várias Sociedades Rurais existentes no Estado, entre as quais se incluem a Sociedade Rural do Paraná? Ou ele apelou genericamente para a classe dos ruralistas? De qualquer modo, o sr. Vargas deve saber que de acordo com a Constituição está sujeito a sofrer as penas da Lei no caso de violação da honra e imagem das pessoas (Título II, Capítulo I, Artigo 5º, X).
Queremos também recordar ao sr. Vargas, que a Constituição garante direito à propriedade, assim como considera o terrorismo crime inafiançável (Título II, Capítulo I, Artigo 5º, XXII e XLII, respectivamente). Ainda lhe sugerimos, que passe os olhos nos Códigos de Processo Penal e Civil. Verá, então, que é errôneo interpretar o MST como organização social voltada para ‘‘os aspectos que regulam as relações do homem com a terra’’. Hoje, o MST que invade terras, rouba e esbulha os proprietários rurais, veio a público para informar claramente que: ‘‘Ocupar a terra para trabalhar é uma posição já superada’’. Portanto, o que o MST está promovendo é uma revolução com vistas a implantar no Brasil o superado sistema socialista, conforme entrevistas publicadas.
Deste modo, o MST é uma organização política e não social, como entende o sr. André Vargas. Aliás, uma organização que achincalha a todo o momento a Constituição da República Federativa do Brasil, e isto está evidente quando o MST fecha estradas, saqueia caminhões, invade prédios públicos, acampa em praças - como o acampamento na praça em frente ao Palácio do Iguaçu - lesando o patrimônio público. Note-se, portanto, que o MST não se limita agora a prejudicar o meio rural, mas desrespeita igualmente o meio urbano com consequentes danos para o cidadão comum. Esclarecemos também ao referido senhor André Vargas que:
As Sociedades Rurais possuem entre seus associados, pequenos, médios e grandes proprietários. Lucro não é algo pecaminoso quando obtido através do trabalho honesto, árduo e competente. Proprietários rurais, cujas propriedades são muitas vezes fruto do trabalho de gerações, através do agronegócio (que representa 40% do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) são os maiores empregadores do País, contribuindo, pois, para que a Constituição seja respeitada no tocante ao Artigo 3º citado pelo sr. Vargas, ou seja: ‘‘A construção de uma sociedade livre, justa e solidária; a garantia do desenvolvimento social; a erradicação da pobreza e da marginalização, e a redução das desigualdades sociais e regionais; a promoção do bem de todos’’. Isto porque, todos esses benefícios são obtidos com a geração de trabalho e renda conforme nós, ruralistas, estamos fazendo.
Os proprietários rurais têm respeitado a lei e pedido que a lei seja respeitada no tocante às invasões, o terrorismo e os abusos perpetrados pelo MST, pois esta é a única forma de manter a paz no campo e as cidades abastecidas. Portanto, sr. André Vargas, seguramente os foras-da-lei não somos nós.
- FRANCISCO LUIZ PRANDO GALLI, presidente da Sociedade Rural do Paraná, Londrina
Cumpra-se a lei
Parece que a loucura tomou conta de todo mundo. A ética sumiu. A situação do povo está feia. Há descrença na justiça e nos políticos. Os cidadãos não conseguem entender a violência, a corrupção, o desemprego e a maioria passando necessidade. Cadê a lei? As CPIs dão em nada, acabam engavetadas. A Constituição diz que o poder Judiciário foi criado para garantir o exato cumprimento da lei, impedir arbitrariedades, solucionar conflitos, enfim para ajudar a realizar a justiça. Quando se tenta cumprir a lei, forças maiores se sobrepõem. Há um monstro que tem que ser banido da mentalidade: a impunidade. Por causa da impunidade aparecem a desonestidade e o crime, prevalecendo a lei da selva. Não vivemos a democracia? Ou será que ela se esgota exclusivamente no cumprimento do princípio das eleições para cargos executivos e legislativos? É o que parece.
Honestidade virou sinônimo de idiotice. É a lei do mais esperto. Os desmandos são claros, parecendo ser ilegais, imorais nas esferas públicas. Alguns são chamados a explicar coisas inexplicáveis, obscuras, inóbvias, porém, todos envolvidos deveriam ser arrolados e falar claro e em bom tom da verdade. Legislativo, Executivo e Judiciário, entrelacem-se harmonicamente e mostrem a verdade e que se realize o cumprimento do dever, respeitando a lei. Que outros juristas como Bruno Galatti, de Londrina, envidem esforços no sentido de apurar a veracidade dos fatos. Os cidadãos londrinenses esperam o cumprimento da lei.
Os meios de comunicação têm papel preponderante e, se quiserem, podem ajudar e muito, fazendo um jornalismo investigativo, sendo imparciais, num trabalho amplo e irrestrito. Não permitindo que nada impeça a transparência informativa. Pois a impressão que se nota é de poupar autoridades. Em nenhum programa radiofônico ou televisivo tenta-se mostrar a realidade nossa de cada dia. Tudo bom, tudo bem. Tomara que as aparências nos enganem. A voz da razão seja mais forte. Esta aparente ‘‘corrupção endêmica’’ suma como fumaça pelo espaço, levando as mentes doentias. A repulsa do povo é grande. Se perdurar estes fatos péssimos temos que concordar com o grande Rui Barbosa, que disse: ‘‘Enquanto triunfarem as nulidades, as injustiças proliferarem, o homem terá vergonha de ser honesto.’
- OSVALDO CARDOSO RIBEIRO, Londrina
Caça
Dia 30 de junho do corrente ano, aquele que se diz ecologista, o governador Jaime Lerner, sancionou projeto-lei de autoria de Aníbal Khury que permite a instalação de fazendas de caças de animais em cativeiros. Além de obviamente inconstitucional, esta lei virá a ser imoral. Matar outros seres é crime. Permitir que esta atividade seja regulamentada e chamada de esporte é incitar a violência, invertendo valores, subjugando seres indefesos e inocentes como crianças para a simples satisfação de um sadismo.
Tais seres serão criados em cativeiro, para o único intuito de servirem à estupidez e tacanhez inerentes à nossa espécie. Eu me sinto envergonhada de pertencer a esta raça que mata e humilha pelo simples prazer de matar e humilhar. Eu me sinto envergonhada, também, de um dia ter desperdiçado o meu voto com este governador.
- FABIANA PAGANUCCI, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação.
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