Mototáxi, questão social
Tenho me batido pela legalização da atividade dos mototaxistas, por ser uma situação irreversível não só aqui em Cascavel, mas no restante do País, importada dos países pobres da Ásia e da África, onde existe ainda transporte por bicicleta, carrinho de mão, charrete e outros. Até mesmo nas costas se conduzem passageiros. Tudo pela sobrevivência. Nem é preciso falar do desemprego e da crise econômica que assola o País, e Cascavel não é uma ilha de prosperidade ou prodigalidade.
Temos de convir que há espaço para todos, cada um em determinado mister. O passageiro do mototáxi não é o passageiro do táxi, pois a diferença entre as classes que procuram os serviços de um e outro é abismal. Se há quem tivesse maiores razões para reclamar seriam os proprietários de ônibus urbanos. Já tentaram nos convencer, a mim e aos demais vereadores favoráveis ao projeto, que existe também a questão da segurança, inclusive insinuando que deveria ser exigido o cinto de segurança. Absurdo à parte, a segurança do passageiro do mototáxi é a mesma do caroneiro do motoqueiro comum. A lei prevê somente o uso do capacete e nada mais. Esse não é um impedimento legal.
O item mais recorrido a essa alternativa de transporte é o de levar embrulhos, pagar conta, fazer cobrança e compras urgentes, quase uma espécie de serviço de office-boy expresso. A condução do passageiro é mais eventual, apesar de ser um fato. Necessário registrar que fomos buscar subsídios, informações e verificar o andamento do serviço nas cidades onde não são favas contadas, sem constrangimento de qualquer ordem, como em Francisco Beltrão. Portanto, não estamos agindo aleatoriamente, irresponsavelmente, mas buscando a solução para um dos problemas que mais têm suscitado polêmica, essencialmente de caráter social, pois visa buscar alternativa de trabalho honesto para centenas de pais de família.
- JOÃO LIMA, vereador, Cascavel
As razões do MST
Consoante o Artigo 1º da Constituição da República, o Brasil constitui-se em Estado democrático de direito e tem, entre outros, como fundamentos, a cidadania, a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político. Neste sentido, o constituinte estabeleceu uma série de objetivos fundamentais, como tais a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e da marginalização, a redução das desigualdades sociais, enfim, a promoção do bem de todos (CF, Artigo 3º).
Ressalte-se que referidos objetivos foram determinados através de representantes eleitos pelo povo, devendo, portanto, ser honrados por todas as pessoas. E se assim é, ninguém que tenha um mínimo de patriotismo consegue ficar indiferente à indústria da miséria que se pratica contra o povo deste País. Por isso surgiu o MST.
O MST nada mais é do que uma organização popular com vistas ao cumprimento das normas constitucionais anteriormente citadas, nos aspectos em que regulam as relações do homem com terra. Ocorre, no entanto, que a ação do MST, na busca da função social da terra, esbarra nos interesses daqueles que a têm apenas como fonte de lucros. É o caso, por exemplo, dos grandes latifundiários, representados pela Sociedade Rural, e agora também pelo governo Lerner, que nada fazem, senão em benefício próprio, fechando totalmente os olhos para os excluídos, e o que é pior, atacando-os de todas as formas, especialmente através da violência e da mentira, muitas vezes tentando criminalizar as lutas destes, quando, na verdade, eles são os verdadeiros foras-da-lei. O MST apenas está defendendo o cumprimento da Constituição, que é a lei maior.
- ANDRÉ VARGAS, coordenador do Fórum por Trabalho, Terra, Cidadania e Soberania realizado em Londrina
Descaso com presos
Solicito a fineza de denunciar nesse conceituado veículo de comunicação o descaso do governo do Estado para com os presos das cadeias públicas no interior do Estado, aqueles que aguardam julgamento. O descaso consiste na falta de alimentação desses presos para os quais o governo manda uma vergonhosa verba de R$ 0,80 para alimentação diária de cada um. Os presos que têm parentes na cidade desfrutam da felicidade de receber alimentação daqueles, mas o que não têm parentes ficam à mercê da caridade dos colegas de cela, que dividem com eles a comida recebida dos familiares.
Já ajuizamos ação de cobrança de um pai de preso contra o governo do Estado para tentar receber R$ 300, desembolsados em despesas de alimentação de seu filho quando preso na cadeia pública de Joaquim Távora. Em Guapirama, comarca de Joaquim Távora, está preso João Caetano, desde janeiro de 1999, sem receber alimentação adequada, a não ser migalhas que sobram dos colegas de cela.
- JOSÉ DO ESPÍRITO SANTO DOMINGUES RIBEIRO, advogado em Joaquim Távora
Desemprego
Recessão, globalização, modernização, informática, queda nas vendas e na produção. Tudo leva as empresas a demitir, aumentando a coluna dos desempregados na estatística. Eis uma idéia que pode diminuir o crescente número de desempregados: o horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais, bancos, indústria em geral, microempresas, construtoras, etc. passaria a ser indeterminado. Obedecendo ao horário normal, entre 8 e 18 horas, todos poderiam abrir suas portas ou funcionar em horários diversificados, aos domingos, feriados, sábados e até no período noturno.
Seria necessário que o interessado retirasse junto ao Ministério do Trabalho um formulário com dados do funcionário, que cumpriria seu trabalho e seria devolvido. Uma cópia seria entregue ao INSS, prefeitura e ao sindicato da categoria. Esses funcionários não poderiam estar registrados e nem trabalhando em outro estabelecimento. O salário seria combinado entre as partes, porém nunca inferior ao mínimo.
- ANIZ GÓES, Londrina
Basquete em Londrina
Aprendi a gostar do basquetebol através dos times da NBA. Fiquei feliz quando, finalmente, em Londrina, minha cidade, surgiu um timão na modalidade. Fiz amizade com os jogadores e com o treinador Ênio, a quem admiro muito. Acreditei que nosso time chegaria ao playoff e ele chegou. Vi o Ginásio Moringão repleto de gente de todas as idades. Diversas autoridades afirmaram que o basquete de Londrina não poderia parar e prometeram ajuda financeira. E agora? Onde estão aqueles que prometeram? Minha cabeça, de 14 anos de idade, apaixonado pelo basquete londrinense, não pode entender como uma cidade do porte de Londrina, a terceira do Sul, venha a perder um time como o nosso, por falta de recursos. Será que não há um empresário que possa ajudar? Mas que a ajuda não fique só em promessa. Os jogadores precisam de segurança para continuar dando alegria ao povo.
- WAGNER RODRIGUES GÔNGORA, Londrina
Correção
Na capa da Folha Rural de ontem, a palavra ‘‘Potencial’’ foi publicada com acento, por erro técnico.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

mockup