Aposentadoria
É constrangedor ver como o futuro da economia do nosso Estado é comprometido por atitudes como esta da aposentadoria dos cartorários. Somos reféns de uma classe política desonesta e corporativista. Primeiro com a voracidade que lhes é peculiar, abocanharam todos os cartórios possíveis no Estado, em seguida criando os maiores feudos que a entidade cartório permite. Agora, usando mais uma vez indevidamente o dinheiro do contribuinte e suas atribuições legislativas, concedem-se os direitos ilegais e imorais da aposentadoria integral.
Ao contribuinte do setor privado, para o qual tudo lhe é negado e vê sempre seus direitos reduzidos (por exemplo, o governo tentando aumentar de 36 para 72 meses de salários, a média para o cálculo de nossas aposentadorias), existe um limite de aposentadoria de cerca de R$ 1.200. Fica deste modo a conta da Previdência para ser paga por este mesmo desprivilegiado contribuinte, primeiro pela exiguidade da sua aposentadoria, e depois pelos tributos que serão criados e usados para cobrir o déficit dessa Previdência, do qual não participa...
O governo do Estado deve sim entrar na Justiça contra essa decisão, pois cartorário não é funcionário público (classe inexplicavelmente privilegiada em relação a nós do setor privado). Considerando-se que nossas lideranças políticas são donas de cartórios, estariam legislando em causa própria, o que deverá ser julgado imoral, aético e ilegal, pela Justiça. O Executivo não pode e não deve se amedrontar em enfrentar esse tipo de batalha, pois se o fizer estará declarando fraqueza e conivência com a imoralidade.
Perguntamos a nossos ilustres deputados: como poderemos um dia ter esperança em ver nossas contas públicas ordenadas, se a cada dia surge novo golpe contra o erário, patrocinada por aqueles que deveriam zelar por estas contas?
- RUY PIGATTO, engenheiro agrônomo, Curitiba
Agiotagem
Tempo bom, de vacas gordas, era aquele, com agiotas trabalhando às claras, sem restrição ao exercício normal da atividade. O mais conhecido residia a 100 metros do Palácio do Governo e as taxas cobradas não passavam de 4% ao mês. Ele era tão generoso, que doava altar para as imagens dos santos da sua devoção. Presenteava a cidade natal com um prédio para instalação de um educandário. Não era por política. Queria tão-somente garantir seu lugar no outro mundo. Hoje o governo pune agiotas, inviabiliza o exercício de emprestar dinheiro por particulares, tudo sob a bandeira de defender a bolsa dos mais pobres. Em contrapartida, a taxa de juros pulou de 4 para 12%, o quanto cobra o Banco do Brasil de quem usa o Cheque Ouro.
Banco que se preze e merece confiança está na mão de estrangeiros, das multinacionais. Brasileiro, na opinião da elite pensante, não pode virar banqueiro. É muito para quem nasceu abaixo do Equador. Agiotagem é só para quem vem de fora. Não deu certo essa política de proibir e punir a prática de agiotagem aos nossos vizinhos. Não globalizamos nada. Ao contrário, vivemos na Idade Média, quando se queimava na fogueira da Inquisição quem emprestasse dinheiro a juros. A Igreja toda-poderosa fazia pior: açoitava os agiotas e, por antecipação, jogava-os nas profundezas do inferno.
- MARCUS ODILON, João Pessoa (PB)
Brasil gigante
Diante dos fatos que têm vindo à tona, através de pequenos recados e de grandes manchetes, os meios de comunicação nos mostram o grau de corrupção, de degradação e de irresponsabilidade de nossos governantes. Tudo isso é tão alarmante, que faz do brasileiro um homem triste, desesperançado ou descrente nos destinos do Brasil. Gostaria de afirmar que o Brasil geográfico não mudou. Apesar de o Brasil político tentar manchá-lo e denegri-lo, ainda há terras férteis, rios majestosos, fauna e flora exuberantes e tudo de belo que Deus nos proporcionou.
O Brasil pode, deve e será o cartão do mundo se cada um de nós lutar para que o Brasil político entre em sintonia com o Brasil geográfico, se cada um de nós exercer sua verdadeira cidadania e trabalhar para coibir a epidemia de corrupção que se alastra e infelicita o povo, manchando a bandeira da Nação. O Brasil será novamente o país dos nossos sonhos quando o eleitor avaliar quem é quem, independente de siglas. Quando o eleitor não confiar tanto em conversa fácil, bonita e eloquente em véspera de eleição, mas avaliar seu candidato durante os quatro anos do seu desempenho. Será possível o eleitor errar quatro anos, mas não eternamente. Exercitemos nossa cidadania e ajudemos o Brasil político a se safar dessa nódoa que polui o País. Com o apoio de todos conseguiremos acordá-lo e assim teremos o Brasil gigante que tanto almejamos.
- WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina
Água e esgoto
Existe um decreto federal, nº 49.794/A, de 21 de janeiro de 1961, do qual o Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto de Jaguapitã) faz uso para arrancar dinheiro da população, no momento em que passa o esgoto na frente da casa do usuário. Não interessa se o usuário fez a ligação do esgoto ou não. É só passar a rede de esgoto e já vem a tarifa junto com o valor da água.
O interessante é que o Samae é autarquia municipal, que tem suas tarifas autorizadas pelo Executivo municipal. É absurdo ter que pagar por uma tarifa de algo que não está usando. Não sei até quando o povo vai pagar por essa barbaridade. Espero que o Poder Executivo tome uma decisão em prol deste povo que está sendo explorado por causa daquele decreto. ‘‘A caneta faz mais estrago do que uma arma de fogo.’’
- LUIZ DE SOUZA ROLIM, Jaguapitã
Maria Lucia
A Folha é privilegiada por possuir entre os seus articulistas uma pessoa como a Maria Lucia Victor Barbosa. A coragem, perspicácia, bagagem e objetividade na abordagem são singulares. O tema MST deixa há tempo de ser assunto agrário para se tornar (de preocupação) de ordem pública do ponto de vista político, da ordem, da liberdade e por que não dizer: um exemplo de impunidade. Maria Lucia expõe os fatos de maneira clara e dentro do contexto político-social que vivemos, lançando um alerta. Com certeza ela está contribuindo para alertar a sociedade para as consequências que movimentos como o MST podem trazer para a sociedade. Exemplos não faltam na história. Os ruralistas deveriam prestigiar e destacar a postura de coragem e lucidez da desprendida articulista. Aos sábados, inicio a leitura da Folha de Londrina pela terceira página, com certeza de ler um artigo escrito de forma singular e uma aula de cultura e civilidade.
- MARTIN GARDEMANN, comerciante em Londrina
Correção
Em vez de ‘‘Você reelegeria Belinati?’, a pergunta correta do quadro publicado ontem na página 5 do primeiro caderno, com a notícia ‘‘Pesquisa mostra reeleição de Belinati’’, é: ‘‘Se a eleição fosse hoje, em quem você votaria?’’
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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