Punho cerrado
A mão espalmada da campanha eleitoral transformou-se no punho cerrado da prática administrativa. Fernando Henrique Cardoso vem tomando uma série de medidas que afrontam o equilíbrio,
a independência e a autonomia entre os Três Poderes, princípio elementar e fundamental da democracia.
Uma das mais recentes, a MP 1570/97, afrontou o Judiciário, a ponto de o presidente da AJUFE - Associação dos Juízes Federais do Brasil - ter declarado que os magistrados continuarão a determinar o pagamento dos 28,86% aos servidores através de liminares ou da concessão da tutela antecipada, ao contrário do que dispõe aquele instrumento legal. Celso de Mello, que assumirá a presidência do Supremo Tribunal Federal em maio, afirmou, a este propósito, que o país está vivendo sob o signo do provisório. Meia palavra basta para bom entendedor. A estratégia fica bastante clara: retiram-se os direitos dos servidores e procura-se calar seus representantes. Cumpre à sociedade civil organizada - aí incluídas as entidades sindicais - combater em defesa da manutenção dos princípios democráticos, dos direitos dos servidores públicos e da viabilidade da livre organização sindical.
- JOÃO ELIO GRACIOLLI, diretor do Sinfispar - Sindicato dos Fiscais de Contribuições Previdenciárias do Paraná
Cinema
Venho expressar minha indignação para com Carlos Eduardo Lourenço Jorge, da coluna de vídeo deste renomado jornal. Em sua última coluna deixa a impressão de que tudo, ou quase tudo, que sai em cinema ou vídeo é ruim. Dos quatro filmes por ele analisados, somente um, ‘‘Guantanamera’’, merece ser assistido.
Não excluindo o mérito do filme, que realmente é bom mas é barrado pela maioria do público por ser um filme de língua não inglesa, acho que o trabalho de crítico de cinema e vídeo poderia ser reavaliado pelo sr. Carlos, pois a sua coluna serve de referência para que se
faça a indicação do melhor filme para
melhor público, e não para rechaçar três dos quatro filmes comentados.
Outros filmes da referida coluna (‘‘O Professor Aloprado’’,‘‘Tempo de Matar’’ e‘‘Reação em Cadeia’’) atraem um público muito maior e acabam caindo no agrado da grande maioria, contrariando a opinião do sr. Carlos. O público procura entretenimento fácil. Ele quer rir, chorar ou se angustiar diante da telinha ou da telona, sem ter que avaliar quadro a quadro do filme para que se faça a compreensão.
- RONALDO H. NISHIMORI, Londrina
Cesta básica
Entre as vantagens e as conquistas do funcionalismo público municipal está a concessão mensal de uma cesta básica de alimentação, em forma de ‘ticket’. Pelas regras atuais, o valor do ‘ticket’ é de R$ 80,33 para quem ganha até R$ 400,00 e de R$ 73,22 para os salários superiores a esse valor. A lei atual, porém, limita o recebimento da cesta básica: quem ganha acima de R$ 1.500,00 não tem direito a essa ajuda alimentar.
Recentemente, porém, o prefeito Antônio Belinati enviou à Câmara projeto de lei nº 90/97. Nessa proposta o valor da cesta básica sobe para R$ 100 para quem ganha até R$ 1.500. Para todos os outros servidores, não importa o valor do salário, haverá cesta básica de R$ 80, com exceção dos secretários municipais, vereadores e presidentes de autarquias. Ocorre, porém, que atualmente existem 1.850 munícipes ganhando apenas um salário mínimo em Londrina, e a maioria deles sustenta a família inteira, por um mês, com essa centena de reais. Por que, então, não dar cesta básica a esses despossuídos da frente de trabalho? Por que o Sindserv e o prefeito excluíram esses trabalhadores desse acordo? Será que é por que não votam nas eleições sindicais? O que não posso aceitar é que um servidor com salário de R$ 6.000 ganhe cesta básica e um trabalhador braçal do município seja privado dela.
- CÉLIO GUERGOLETTO, vereador em Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

mockup