O leitor escreve
Barulho
A propósito da lei determinando que os bares cerrem suas portas à 1 hora da manhã na Grande São Paulo, bem que o projeto poderia ser discutido e implementado em âmbito nacional. Multiplicam-se aos milhares os casos de violência e desrespeito ao cidadão por causa de estabelecimentos, que à revelia do direito e por falta de vontade política, transgridem as normas do silêncio. Em Curitiba, a Câmara dos Vereadores aprovou projeto, de iniciativa do Executivo, para disciplinar o abuso dos decibéis que podem ser aplicados a bares e boates barulhentos que pipocam no centro da cidade.
Há cerca de dois anos, reivindicamos junto às autoridades do município e à Polícia de Ordem Social a aplicação da lei contra o barulho e arruaças causa-efeito da Danceteria Parada Obrigatória, especializada em samba e pagode. Entendemos que a prefeitura, que criou a lei dispondo sobre os ruídos urbanos, está devidamente instrumentada para fazer cumprir o direito de dormir do cidadão. Deviam as autoridades públicas estabelecer um horário de funcionamento, tendo como sugestão, a lei aprovada pela Câmara de São Paulo. Curiosamente, o Parada Obrigatória começa a funcionar a partir do horário em que a lei paulistana determina o fechamento dos bares.
Com isso, não se pretende desestimular a boemia sadia, que deixou de existir há muito tempo. O pleito é por paz e sossego na vizinhança e que o direito prevaleça contra abusos tangíveis não apenas nos bares mais humildes da periferia, que funcionam com ou sem alvarás. Estabelecimentos que se arrogam, por exemplo, como a melhor casa de samba da cidade, infernizam a vizinhança do centro e depois contratam advogados para homologar o descumprimento da legislação. Esta é a verdade.
Aos parlamentares da Assembléia Legislativa e do Congresso, oportuno seria federalizar o debate visando implementar dispositivos contra o insustentável abuso dos decibéis, geradores de distúrbios auditivos, neuroses e violências. A matéria interessaria aos senhores parlamentares?
- JOSÉ FIORI, jornalista, Curitiba
Relações humanas
Quando o trabalho é um prazer, a vida é uma alegria. Quando é dever, é escravidão. Em todos os setores da vida existem problemas de relações humanas. E o estudo das relações humanas é na verdade uma ciência complementada por uma arte - a de obter e conservar a cooperação e a confiança dos membros de um grupo. Se olharmos todos os setores da vida moderna, verificaremos que o homem já não pode trabalhar sozinho. A divisão do trabalho, a especialização cada vez maior, o tornam dia a dia mais dependente de seu grupo, e consequentemente dos indivíduos que o compõem.
É mera ilusão pensar que a vida em grupo consiste, simplesmente, em juntar indivíduos com o fito de atingir um objetivo comum. A formação do grupo para realizar um trabalho coletivo obedece a leis sociais, que determinam regras a serem seguidas, regras que quando contrariadas, levam em geral as empresas a fracassos totais ou parciais.
Nas empresas de hoje o trabalho em equipe é indispensável; a tal ponto que, quando prejudicado, verifica-se a baixa do rendimento ou simplesmente a paralisação do trabalho. Muitas empresas fracassaram, apesar de disporem de ótimas instalações, de ótimos instrumentos de laboratório, da mais perfeita maquinaria, de técnicos formados nas maiores escolas; entretanto, os objetivos não foram atingidos porque a equipe falhou, embora todos, inicialmente, trabalhassem com entusiasmo, este foi arrefecendo, à medida que surgiam dificuldades de ordem pessoal, desentendimentos, falta de disciplina ciúmes.
Mais importante do que o reflexo dos estados motivacionais na produção de mercadorias ou serviços é o seu reflexo no próprio desenvolvimento do ser humano. O produto final buscado por qualquer pessoa é a sua felicidade, e é fácil constatar o papel fundamental que os estados de motivação desempenham nesta busca.
- ISMAEL ROSA, Londrina
Duas medidas
Segundo os jornais, na demissão do delegado Campelo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal foi decisiva a mobilização de numerosas entidades chamadas de direitos humanos, pois ele teria torturado um sacerdote durante o regime militar. Nestes mesmos dias, o ditador comunista de Cuba, Fidel Castro, acaba de ser nomeado cidadão honorário do Rio de Janeiro, pela Câmara de Vereadores, título a ser entregue na próxima Cimeira Latino/União Européia, hoje, 28. Essas entidades de direitos humanos têm feito silêncio cúmplice sobre a incrível premiação do ditador Castro, apesar de este ter torturado dezenas de sacerdotes, expulsado de Cuba centenas de religiosos e fuzilado no paredón incontáveis jovens católicos que morreram gritando Viva Cristo Rei. Abaixo o comunismo. Será que para essas ditas entidades estes irmãos não têm direitos e não são humanos? Dois incríveis pesos e medidas que fazem aumentar ainda mais o sentimento do povo cubano escravizado.
- SÉRGIO F. DE PAZ, Orlando/Flórida (EUA)
Cinemas
Quero parabenizar o dono do Cine Catuaí pelas modernas salas instaladas no Catuaí Shopping Center, em Londrina, porém há algumas considerações a fazer. Não é admissível que em pleno século XX, os funcionários do cinema não possam cumprimentar adequadamente os amigos ou os conhecidos. Esta etiqueta é simplesmente uma indelicadeza e falta de respeito para com os clientes e amigos. Considero-me cliente número 1 do cinema, assisto a todos os filmes. Sempre conversei com os funcionários com ética e respeito sobre o trabalho deles. Então, prefiro a simplicidade dos cines Vila Rica e Londrina, onde o pessoal tem liberdade para ser hospitaleiro e amigo. Com o surgimento dos dois cinemas no centro da cidade no Shopping Royal Plaza, esses dois velhos cinemas podem acabar esquecidos por seus clientes. Cuidado.
- SÉRGIO DE GOES BARBOZA, sociólogo, Londrina
Indignação
Uno-me ao senhor Celso Antonio Frare que teve seu artigo Senhor presidente, eu não aguento mais, publicado dia 25. Não podemos deixar que a ironia e o sarcasmo do senhor presidente nos intimide e nos cale diante de tantos desmandos políticos, e ele ainda vir a público falar em nome do povo. Sobre o senhor presidente eu lhe falo: a Dona Maria, que passa vendendo salgadinhos na rua (pois não consegue emprego) não reajusta seus preços há mais de um ano. E neste mesmo período, quantas vezes o governo já aumentou o gás de cozinha? Portanto, ela está fazendo a parte dela, isto sim é real! E quando o senhor fala sobre o povo, e na ânsia de defender-se, dirige-se a nós (o povão), com ironia e uma autoconfiança exagerada. Mais do que intelectuais no governo, necessitamos de governantes que primem pela razão. Senhor presidente, nós não aguentamos mais!
- ELANIÊ ZILIO, Ivaiporã
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