Judiciário
O Brasil necessita urgentemente de um novo ordenamento jurídico. Muitos homens que exercem profissões na área judiciária são contra reformas que tragam estabilidade e certeza da aplicabilidade de justiça. A nossa legislação, a organização judiciária e a metodologia judicante levam muitos ao enriquecimento e ao prestígio, em consequência de uma quantidade absurda de ações emanadas das incertezas que afligem os brasileiros, principalmente quanto à aplicabilidade justa da lei. Muitas leis são feitas por corruptos para garantir a impunidade. Quem rouba um pão não encontra ninguém preocupado com qualquer espécie de sigilo ou garantia constitucional. Por outro lado, banqueiros que desviam milhões de reais da Nação são protegidos por normas injustas e odiosas.
Por que o Judiciário com altivez e consciência para com a Nação, sem corporativismo, não propõe ao senador Antônio Carlos Magalhães que, com outros senadores, sente-se à mesa com os ministros do Supremo Tribunal Federal para redigir normas que verdadeiramente punam os corruptos, sem falsas interpretações e brechas que permitem a sonegação, a remessa de dinheiro público para o exterior, bem como a prática de estelionato e de malversação do dinheiro público? Demonstrariam que desejam um país mais digno e que estão acima de vaidades. Para o povo brasileiro consolidariam a certeza de que o momento pede respeito aos interesses nacionais, em detrimento de normas, processos, métodos, regimentos e costumes que devem ser reformulados.
Nada será modificado se não transformarmos, em primeiro lugar, o nosso ordenamento jurídico. A busca da verdade abre-nos um campo infinito de opções, principalmente quando vivemos cerceados pela mentira institucionalizada. Se as decisões se determinam por respeito à lei, mas não conforme a lei moral, os atos terão legalidade mas não moralidade. O resultado é a desagregação. Não podemos ser reféns de leis feitas por aproveitadores inconsequentes. Não é a lei que está em jogo, mas sim o destino da Nação. Ter discernimento é também elevar-se à consciência.
- NEWTON DE GÓES ORSINI DE CASTRO, advogado, Rio de Janeiro
Praça 7 de Setembro
A Sercomtel S/A vai remodelar a Praça 7 de Setembro. A informação veiculada pela imprensa encheu-me de alegria. Ela vai ser, como pretendem, o coração luminoso e belo de Londrina. Já era tempo. Faz anos, na administração do prefeito Luiz Eduardo Cheida, apresentei-lhe sugestões a respeito. Faço questão de transcrever aqui, ipsis litteris a carta que publiquei na Folha naquela ocasião:
‘‘Faz tempo, e muito tempo, que eu tenho a praça na minha cabeça. Explico-me: quando da Londrina Linda - um empenho do ex-prefeito - tive com ele uma audiência, ali no Edifício da Sociedade Rural. Entre outras sugestões fiz a seguinte: remodelar a Praça 7 de Setembro, no coração buliçoso de Londrina. A praça, disse-lhe eu, devia ser um belo e atraente jardim. É justamente e inteiramente, o oposto. Recebe, apesar de tão pequena, quatro pesados, feios e sujos quiosques; as árvores são enormes e velhas demais, em nada se compondo com o local; o gramado é incompletado, jogando, quando chove, lama para as calçadas e estas, como quase todas as calçadas de Londrina, quebradas e irregulares. São horríveis de serem vistas e pisadas. Falei tudo isso ao prefeito e ele, com a costumeira fidalguia, garantiu-me que já era assunto de estudos. Continua assunto de estudos? Cabe ali, ao meu ver, um primoroso jardim - o que, ao contrário de tantas cidades do Brasil - Londrina não tem.’’
A Sercomtel S/A está pedindo sugestões. Eis as minhas: A) Trocar as árvores por outras, menores e iguais (sei que vão se alarmar... e o Ibama protestar). Lembro-lhes que os parisienses remodelaram ab imis fundamentis a celebérrima Praça da Concórdia e a Avenida Champs Elysées, tornando-as o que são hoje - uma maravilha; B) Gramado novo e fino com flores e mais flores, de todos os feitios e cores; C) Iluminação feérica; D) Tirar os quiosques e mandá-los para outro o ponto; E) Fazer do monumento e imagem da padroeira um feitiço de beleza; F) Calçadas tão belas como nenhuma da cidade; G) Bancos (se forem indispensáveis) os mais delicados e cômodos possíveis. Prezado amigo Dr. Pavan: parabéns pelo trabalho que a Sercomtel vai realizar. Os londrinenses aplaudem e agradecem.
- EDUARDO AFONSO, professor em Londrina
Nilson Monteiro
Na última sexta-feira, ao ler o jornal senti na garganta aquele nó que sentíamos nos tempos de estudante, quando alguma coisa pela qual lutávamos não dava certo. Você, Nilson Monteiro, recebeu o título de cidadão honorário de uma cidade que o adotou e que você adotou para ser sua, e não pude estar lá para abraçá-lo. Nada mais justo. Londrina o conquistou e você conquista agora a cidade (que no fundo sempre foi sua), conquistou os amigos, conquistou o respeito e admiração pelas suas escrivinhações sempre carregadas de alma, lirismo e poesia, mesmo que elas fossem em prosa.
Suas crônicas na Folha traduziam tão bem a cidade quanto talvez nenhum nativo o conseguisse. O segredo é que elas vinham carregadas de amor por nossa urbe coberta de ‘‘Poeira’’. Mas a saudade não importa. Importa, sim, na luta: na ULES, no Colégio, no teatro e nos folhetos de contos e poesias paridos de mimeógrafos emprestados. Folhas soltas que eram grampeadas com porradas contra o sistema com o qual não concordávamos e vendidas de mão em mão.
Importa também que você venceu na faculdade. Quando se formou, apenas sacramentou-se a sua condição de jornalista nato. Você não precisaria estudar, creia, para ser reconhecido por um dom que a natureza lhe deu: saber escrever. Agora você recebe, na Câmara de Vereadores, seu título de cidadão honorário. Vem como vencedor e conquistador que, enfim, Londrina se curva ao seu talento. Não pude estar aí, meu velho, mas o coração esteve. Saravá.
- CARLOS RIGHI, Londrina
NR. O jornalista Nilson Monteiro recebeu o título de Cidadão Honorário de Londrina na última sexta-feira.
Turismo
Nos Estados Unidos o turismo é uma fonte de renda monumental. Todo mundo viaja: americanos, ingleses, holandeses, italianos, alemães, franceses, canadenses, brasileiros etc. Os parques são como Torre de Babel. Ao longo das estradas existem vários hotéis e restaurantes, principalmente os chamados fast food, italianos e chineses, mexicanos e brasileiros. O Brasil ainda é incomparavelmente muito mais rico em belezas naturais. Todavia, ainda pouco exploradas. O turismo aqui não tem infra-estrutura capaz de movimentar o mínimo de riquezas devido a ganância e pouca criatividade dos empresários do setor.
O que o Brasil gasta com propaganda do turismo não dá nem para fazer boato lá fora. É triste para nós, brasileiros, ver na Disneyworld pavilhões representativos de vários países do Terceiro Mundo. Do Brasil, sequer uma pequena tenda. Por outro lado, a rede hoteleira do Brasil prefere cobrar valores exorbitantes pelas diárias e ter seus hotéis com taxa de ocupação baixa, do que cobrar valores mais baixos pelas diárias e ter uma taxa de ocupação alta. Em suma, os hoteleiros do Brasil preferem ganhar mais sobre menos, em contramão do que se está praticando pela moderna e dinâmica economia mundial. Com isso o País vai perdendo terreno até para nossos vizinhos Chile e Argentina, que exploram com muito mais criatividade o seu potencial turístico.
Temos que mudar essa mentalidade tacanha para que possamos ter orgulho do nosso turismo. Belezas para serem apreciadas aqui não faltam. Mas faltam vontade política e empresários do setor que não tenham os seus olhos voltados apenas para o próprio umbigo. O turismo é a indústria do século, mas para que nós possamos acompanhar a sua evolução e competirmos com outros países necessitamos de políticos e empresários que estejam realmente com interesse voltado em prol de uma sociedade mais solidária e justa, sem aquela visão apenas mercantilista do lucro fácil.
- ANTONIO FIDELIS, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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