O leitor escreve
Política e moral
Política e moral, embora sejam campos de ação diferentes e sem dúvida autônomos, estão estreitamente relacionadas. A política diz respeito às ações relativas ao poder e a administração dos assuntos públicos. Quando há desequilíbrio de poder na sociedade, e a maior parte das pessoas não atinge a cidadania plena, isto é, não tem formas de atuação política, isso repercute na moral individual de inúmeras maneiras. Cidadania que, baseando-se no conceito da classe política, quer dizer descoberta de seus direitos, mas a maioria das pessoas esquece de seus deveres e obrigações.
As exigências de competição para manter ou alcançar privilégios e a luta pela sobrevivência na sociedade desigual, elevam a níveis intoleráveis, o egoísmo e o individualismo, geradores de violência dos mais diversos tipos. É assim que se pode falar em falta de ética, tanto diante da malversação de verbas públicas, provocando, por exemplo, o colapso em rede de hospitais. Quem há de negar que se trate de violência, como também é imoral sequestrar ou assaltar à mão armada, invadir propriedades alheias com fins políticos e eleitoreiros?
Mas os problemas decorrentes da decadência ética não podem ser resolvidos a partir de tentativas isoladas de educação moral do indivíduo. É preciso que exista a vontade política de alterar as condições geradoras desta doença social, para que se possa dar possibilidade de superação da pobreza moral. Dito de outra forma, não basta reformar o indivíduo para reformar a sociedade. Um projeto moral desligado do projeto político está destinado ao fracasso. Os dois processos devem caminhar juntos, pois formar o homem plenamente moral só é possível na sociedade que também se esforça para ser justa.
- TATIANE OTTO, jornalista, Curitiba
Candomblé
Sou professora da Universidade Estadual de Londrina e estou terminando meu doutorado na Universidade de São Paulo (USP). Sou antropóloga e há sete anos venho me dedicando ao estudo das religiões afro-brasileiras, fazendo parte, na UEL, junto com vários colegas de um grupo de estudos sobre problemas referentes às questões negras, nas áreas da literatura, história e ciências sociais. É a partir da minha posição profissional que me sinto obrigada a registrar um veemente protesto contra o enfoque dado a uma notícia veiculada por este jornal. No dia 23, à página 8 do 1º caderno, está uma notícia intitulada: Achados crânios humanos em terreno de candomblé. Na dita reportagem é afirmado que o pai-de-santo José Augusto dos Santos teria matado várias pessoas e usado os crânios em rituais de Candomblé e, mais, que uma pessoa estaria fornecendo centenas de crânios para diversos terreiros de candomblé na cidade.
A reportagem acaba com a seguinte informação: O interior da casa (...) foi toda pintada com desenhos de demônios e entidades de candomblé. Os crânios e ossos foram encontrados enterrados no piso da casa e no quintal sobre imagens de orixás. Como pesquisadora e cientista, quero informar que: desconheço qualquer ritual do candomblé que utilize sacrifícios humanos. O candomblé é uma religião de origem africana, que não pode ser confundida nem com a umbanda, nem com magia negra ou demonismo (de origem européia) e, no candomblé o uso de sacrifícios rituais está restrito aos animais e segue o estilo que denominamos sacrifício mosaico.
O uso de imagens, no candomblé, é extremamente raro: os orixás são representados, no transe, pela roupa, pelas cores e outros elementos. Historicamente, o candomblé não usa a imagem como representação da divindade. Portanto não tinha nenhum crânio nem osso sobre imagens de orixás. É possível que pessoas de má índole ou criminosos utilizem as representações ou o imaginário do candomblé para dar golpes ou para cumprir alguma ação psicótica. Isto não tem nada a ver com o candomblé, que não pode ser identificado com tais ações. Acusar o candomblé, enquanto religião, por tais desmandos, caracteriza preconceito e ignorância.
- ELENA ANDREI, Londrina
Atlético Paranaense
Não é fácil estar longe e não poder participar da festa maior na nação rubro-negra! Hoje me sinto mais longe do Brasil do que nunca. Faltam palavras para expressar o amor e paixão que sinto pelo Clube Atlético Paranaense. Muitas vezes, enquanto lia as inúmeras reportagens sobre a inauguração da Arena da Baixada (NR: que aconteceu ontem), comovi-me a ponto de chorar. O sentimento é muito forte e a esperança de poder logo ir visitar a nossa Arena é que me traz um certo alívio. Fico imaginado o que pode ter passado pela cabeça dos jogadores, que entraram em campo e se defrontaram com a mais apaixonada e vibrante torcida que já vi em um estádio de futebol. Será que eles conseguiram prestar a atenção no jogo, no adversário? Ou será que ficaram extasiados ao ver a mais ardorosa torcida gritando com uma paixão própria dos fanáticos pelo Rubro-Negro da Baixada, dentro do mais moderno estádio na América Latina?
- ANDERSON GODOY, Marlboro/MA (EUA)
Pedágio
No dia 25 de junho de 1998, a Folha publicava a manchete Lerner dará início hoje a duplicação da Rodovia do Café. Passado um ano vemos que na verdade nada foi feito a não ser a cobrança do pedágio. Na época, Lerner prometeu entregar o trecho entre Apucarana-Ponta Grossa em três anos e meio. No primeiro aniversário da promessa, gostaria de questionar quem vai pagar o prejuízo? Quem vai tirar o atraso de um ano? Já passou da hora dos usuários serem respeitados e não ficar no meio deste jogo de empurra entre o governo do Estado e as concessionárias.
- ÁLVARO JOSÉ MANCHINI, Londrina
Combustíveis
O meu questionamento maior ao governo é o seguinte: quantas vezes o salário subiu este ano? Apesar de todas as justificativas, considero injusto o aumento dos combustíveis, pois não afeta somente aqueles que necessitam dos veículos, mas toda a sociedade. Novamente o governo volta a ser hipócrita, faz um discurso e distorce toda a prática.
- ANTONIO SERGIO DUARTE, Arapongas
Ladrão
Na nota Arrombador morre, publicada dia 23 em Folha Cidades, na página 6, pergunto: é proibido matar ladrão? Até quando a lei brasileira vai proteger ladrões? Se um marginal como este entra sem ser percebido, ele pode acabar com uma família antes. A tendência é haver tragédia com pessoas indefesas. Luiz Carlos Assine não deveria responder por nada. Matou um marginal dentro de sua propriedade. O que querem mais como defesa? Abrir a porta e pedir que vá embora?
- JAIR SIENA, Londrina
Correção A legenda da foto publicada ontem na 1ª página identificou erradamente como major o coronel Luiz Fernando de Lara, da PM do Paraná, que aparece ao lado do secretário estadual da Segurança, Cândido Martins de Oliveira.
- A Agência Estado indicou erradamente ontem, em notícia publicada na página 4 do primeiro caderno, que seria hoje, 25, a posse do novo diretor-geral da Polícia Federal, Agilio Monteiro Filho. A posse do delegado foi ontem.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





