Carta de Lisboa e Trabalhismo
Hoje comemoramos os 20 anos da Carta de Lisboa, documento histórico elaborado pelos trabalhistas do Brasil reunidos com os trabalhistas no exílio, marcando o início da luta pela redemocratização brasileira, decorridos 15 anos de regime militar. Após três dias de reunião na capital portuguesa, os trabalhistas brasileiros firmaram uma carta que tem sido referência para o novo trabalhismo. Podemos afirmar que foram atendidos os objetivos políticos da Carta de Lisboa (a anistia ampla geral e irrestrita e a volta à normalidade democrática, com a liberdade partidária, e a Assembléia Nacional Constituinte).
Há, no entanto, distorções que devem ser corrigidas, como a falta de fidelidade partidária, que gerou a categoria de políticos ‘‘on line’’, ou seja, os que sempre estarão no governo, pois o partido a que pertencem é o partido governista. Em relação aos objetivos sociais pregados pelos trabalhistas, observamos que houve um retrocesso maior do que no tempo dos militares. Os direitos dos trabalhadores estão sendo jogados na lata do lixo por esta onda neoliberal, a previdência social é motivo de dúvidas e incertezas por parte de quem trabalha. E a adoção da globalização destruiu milhões de empregos, deixando à mingua legiões de desempregados em todo o país.
A estratégia do grande ideólogo da ditadura militar, Golbery do Couto e Silva, ao dividir o Trabalhismo dando a sigla histórica do PTB à então deputada Ivete Vargas Tatsch, e obrigando aos signatários da Carta de Lisboa e do autêntico Trabalhismo a criar o PDT, impediu que, nestas últimas décadas, o partido retornasse ao poder. Sim retornasse, porque o golpe de 1964 foi praticado contra os trabalhistas, contra o governo democrático e popular de João Goulart.
O PDT e o novo Trabalhismo brasileiro, liderado por Leonel Brizola, chegou ao governo várias vezes em diversos estados, mas ainda não conseguiu retornar ao poder federal e dar continuidade às reformas de base que estavam começando a ocorrer no governo de Jango. Mas este tempo está chegando, como a Europa já varreu a onda neoliberal, pois dos 15 países que compõem a União Européia, 11 possuem governos trabalhistas ou de centro esquerda.
Alberto Pasqualini, ao sistematizar as idéias do Trabalhismo brasileiro na década de 50, dizia: ‘‘ser trabalhista não é uma questão de profissão e sim de mentalidade’’. Nunca esta definição soa com tanta ênfase como nos dias atuais. Ser trabalhista é defender o emprego, a pequena e média empresa nacional, as condições de trabalho e produção no campo; é combater a especulação financeira e defender para o Brasil um governo de brasileiros para brasileiros, onde a riqueza seja equilibradamente distribuída entre toda a população. Ser trabalhista, acima de tudo, é combater as desigualdades sociais.
- JORGE BERNARDI, vereador, Curitiba
Desempregado
Desempregado. Não gosto desse particípio passado. Sempre o achei duro de falar e de ouvir. Há outros termos que bem o substituem - como substantivos - funcionário, auxiliar, ajudante. Hoje, por causa da difícil situação econômica do País, a palavra ‘‘empregado’’ ou ‘‘desempregado’’ é de uso frequente na boca de todos, e de uso diário na imprensa. Mas quero vê-la sob outro aspecto. E pergunto: como são tratados os funcionários, qualquer que seja sua função? São vistos com respeito e carinho, e mesmo com gratidão pelos patrões? Ter presente que são pessoas humanas, cidadãos com todos os seus deveres e direitos e, por quê não, os diretamente responsáveis pelos serviços que a comunidade exige, e dos quais têm permanente precisão. A despeito, pode-se afirmá-lo da crescente perfeição das máquinas.
Onde quer que os auxiliares trabalhem, eles são peças vivas da elaboração e arremate dos frutos. Cabe lembrar que não há mesquinhez em trabalho algum visto que todos são de comum utilidade e do geral agrado. Só um exemplo pode confirmar: não é um belo e digno serviço o que os garis desenvolvem - vassoura na mão - limpando as ruas da cidade? Obrigamo-nos a olhá-los com respeito e reconhecimento. E assim com todo e qualquer obreiro do útil e do agradável. Minha intenção foi provocar em todos os que se servem do trabalho de ‘‘auxiliares’’, maior estima e boa vontade para com elas sejam quais forem suas atividades. Fazê-los melhores no desempenho e mais felizes na recompensa de seus suores.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
UEL e o Provão
Frustrações isoladas de grupamentos universitários tentaram boicotar o Provão do MEC que classifica as universidades brasileiras. Segundo alguns, esse tipo de instrumento não avalia o potencial cognitivo dos alunos, tampouco a instituição. Além disso, coloca em risco sua imagem que, se porventura, não venham atingir a pontuação esperada. Por consequência, o mercado de trabalho dos egressos desses cursos estaria muito mais prejudicado do que, eventualmente, o é. Justificativas antecipadas... elucubrações à parte. Gostei mesmo do posicionamento de Márcio Almeida, vice-reitor da UEL, de Londrina: ‘Não instituímos nenhum curso preparatório, como outras universidades, visando nossa manutenção no ranking.’ Ao que tudo indica, vamos na raça. Caso nossa querida Universidade seja superada não significa dizer que tenhamos decaído. Pelo contrário, teremos um ‘‘feed-back’’, como mais um importante e necessário ingrediente na reestruturação da nova fase de autonomia da UEL.
Nesse mesmo ‘‘pique’’ apareceram, como elemento surpresa, nossas duas outras pedras preciosas. A Unopar e o Cesulon, que certamente mostrarão a que vieram. Por outro lado, no momento em que nos reorganizarmos para resgatar a Associação dos Ex-Alunos da UEL, sentimo-nos orgulhosos em ostentar o título de Excelência Universitária do Sul do País. O reflexo disso é a corrida de mais de 28 mil candidatos de diversos Estados para o próximo vestibular. Nosso cinturão está em jogo. A dignidade de nós, professores, acadêmicos e funcionários, não. Todos já provaram que sabem, que fazem, podem e querem. Têm muito a ensinar, a agir e sempre a aprender. Parabéns UEL. Independente do resultado, o Paraná se orgulha de você.
- FELIX RIBEIRO, professor universitário, Londrina
Professores
Gostaria de parabenizar os professores pela bela iniciativa (‘‘Professores protestam em caminhada’’, notícia do dia 12. Nós estamos perdendo todos os direitos conquistados em anos de trabalho! A educação brasileira tem que ser mais respeitada, não só com promessas eleitoreiras, mas com ações que realmente nos façam sentir honrados de sermos professores. Um plano de carreira, salário justo, é só o queremos. Que esta atitude dos professores e servidores sirva para mostrar o quanto estamos indignados e descontentes com o tratamento que estamos recebendo.
- AGNALDO B. NUNES, Cornélio Procópio
Wilson Bueno
Tenho acompanhado os textos da coluna de Wilson Bueno. Falo dos textos sobre os bichos, o seu jardim zoológico, e cada vez mais chego à conclusão que a doçura travestida de ‘‘prosa porosa’’, de uma delicadeza sem par, é de uma invenção das mais interessantes no panorama vagaroso da prosa brasileira.
- MANOEL R. DE LIMA, Fortaleza
Correção
O percentual correto de ágio máximo obtido pela Agência Nacional de Petróleo nos primeiros leilões para venda de regiões pretolíferas brasileiras, realizados anteontem, foi de 53.565% e não como foi apontado na 1ª página de ontem.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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