O fim da guerra
A guerra contra a Iugoslávia acabou. Sem o charme do fim da Segunda Guerra Mundial, anteontem foi um dia como outro qualquer. Nos jornais de ontem, discretas manchetes mencionam uma aceitação por parte de Belgrado das condições do G8 (os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia, como diz a imprensa. Sempre que leio a sigla, vem-me a pergunta: quem é o oitavo? E em que lugar está a Rússia?). Nada de música, abraços nas ruas, fotos de enfermeiras beijando soldados. Os sérvios não usam a palavra paz; preferem fim. Os campos de refugiados kosovares, cujas condições subumanas causaram estupor há 70 dias, não nos comovem mais tanto.
Outras guerras neste século foram documentadas em toscas fotos sépia ou filmes em velocidade irreal em preto-e-branco, dando-lhes uma aparência de distante respeito. Toca fundo ver um grupo de crianças em uniformes listrados caminhando rapidamente por um corredor de arame farpado. A proximidade da documentação de alta tecnologia paradoxalmente retira das guerras atuais uma parcela de sua dramaticidade. Hoje vige uma perversa lei na mídia, segundo a qual os fatos demasiadamente expostos acabam por tornar-se desinteressantes. Como o caso da estagiária, para os americanos, e esta guerra, para os europeus. No Brasil, o alarde de crise constantemente anunciado anestesia as pessoas, torna-as céticas; afinal de contas, a palavra crise significa uma manifestação repentina, um momento difícil, e não um estado crônico, de que ouço falar desde criança, o que por si só já pode ser considerado há um bom tempo.
A guerra do mundo-civilizado-preocupado-com-os-povos-oprimidos X os-genocidas-balcânicos acabou. E em minha mente ficará gravado para sempre o modo como vivi seu fim. Eram 6 horas da manhã; o sol despontava no horizonte, expulsando o escuro. Desde o terraço de minha casa, tendo como música de fundo o canto dos pássaros que há pouco voavam pelo jardim, vi quatro grandes riscas brancas de nuvens fazendo desenhos no céu. A cena me lembrou o intróito de ‘‘Apocalipse Now’’, em que a mata do litoral, engolida sob o fogo de napalms, servia de corpo de baile para uma lenta música do ‘‘The Doors’’. Pouco depois, dois aviões de guerra passavam por cima de minha cabeça, por entre os rastros de fumaça branca que ainda serpenteavam no céu. De onde teriam vindo? De sua última missão? Quantos estilhaços de suas bombas teriam penetrado o rosto, os braços e as pernas de pessoas comuns? Quantas paredes destruídas? Quanto por construir depois? Quando chegassem em casa, aqueles pilotos que eu via ao longe pensariam no que restou arrasado, ou seriam capazes de esquecer sua jornada, como o executivo que, ao tirar a gravata, relaxa-se no sofá, e folheia casualmente o jornal, desligando-se dos problemas do escritório?
Seus poderosos aviões, os uniformes miméticos, as bandeiras, os aviões, as medalhas, tudo fez parte do imaginário romântico do conflito. Menos para quem sofreu e sofre lá embaixo. Lá, sim, é que existiu a verdadeira guerra.
- MARIA JOSEFA RAFART DE SERAS, Vicenza (Itália)
Leminski (1)
Nós, leitores e amantes da poesia, gostaríamos muitíssimo de ‘‘aprender’’ com os críticos. Que os mesmos nos dessem mais luzes, indicassem-nos mais trilhas, ao contrário do Wilmar Klein com o seu artigo (‘‘Pau no Leminski’’, Folha 2 de domingo) de fôlego curtíssimo, deselegante e maldoso, que, com o propósito de espinafrar a ‘‘indigência cultural paranaense’’, despreza o real valor de Paulo Leminski, não como poeta ‘‘mero trocadilhista’’ como quer o autor, mas como uma pessoa dona de uma biografia fascinante deste nosso mundinho cultural. Desrespeita também com o seu destempero verbal a dor de Alice, Estrela e Aurea. Com certeza, Leminski, pelo que fez em sua intensa e apaixonada vida, não precisa da ‘‘baba’’ de ninguém em seu túmulo, muito menos de um crítico ingrato que diz que manteve relações cordiais e ainda sente saudades do poeta. Com um amigo assim... Fica devendo o autor um trabalho menos superficial para que as gerações futuras possam aprender que o Paulo Leminski foi muito mais que um cachorro louco que deve ser morto a pau.
- WALTER NEY ALMEIDA RÊGO, Londrina
Leminski (2)
Prezado Wilmar Klein: não sei ainda se concordo ou discordo de sua opinião - aliás, opinião não é para atitudes de maria-vai-com-as-outras, como é típico e você mesmo deu a entender. Por isso achei a crítica ao Leminski de muito bom trato, principalmente por você ter convivido com ele. Claro, não estou em condições de falar sobre o mito. Ele foi, de fato, um poeta como poucos, nem por isso foi tanto... quem sabe?
- CELITO MEDEIROS, de Curitiba
Leminski (3)
Caro Wilmar: tenho acompanhado suas colunas há tempos, calado. Primeiro porque não sou muito de ficar escrevendo para jornais. Segundo, porque nunca achei seu e-mail e carta é negócio dos meus tataravós. Mas hoje não resisti. Adorei seu artigo. Coragem e alguém que saia de cima do muro é o que a cultura (e principalmente a crítica cultural) precisam. Alguém que tome partido, ora! Finalmente alguém disse umas poucas e boas sobre o poetinha oficial da cidade. Parabéns, e continue assim, que é para meus domingos começarem melhor.
- PAULO POLZONOFF JR., de Curitiba
Leminski (4)
Wilmar: aí vai ‘‘attach’’ de ‘‘Lembranças de Leminski’’, censurado pelos sacerdotes do leminskismo do ‘‘Caderno G’’ da ‘‘Gazeta do Povo’’. Fazia tempo que eu não era censurado. Fiquei p. como no tempo da ditadura, quando fazia teatro popular e vivia tendo de driblar a censura. Mas agora, pô, depois de tudo...!
- DOMINGOS PELLEGRINI, Londrina
Multas
A respeito da carta ‘‘Multas’’ de autoria da sra. Violeta Marcelo Lorre, publicada no dia 7: entre os ‘‘idiotas’’ citados, estão os nossos irmãos caminhoneiros, que lutam contra todo o tipo de violência. Estes vão de assaltos à mão armada a outros tipos de assaltos autorizados pelo governo, tais como pedágio, balanças desreguladas. Enquanto não tivermos um código de trânsito feito por quem realmente entenda do assunto, estaremos matando não somente pessoas como também o sonho daqueles que lutam para trazer o sustento para os seus lares.
- GETULIO PAULO DOS SANTOS, transportador de cargas, Londrina
Tubarão
Valeu, Londrina. Mostraste que se deve agir sempre com honra. Ao perder o lugar na divisão principal, só se deve voltar assim: ganhando a Segunda divisão. Assim se volta com honra, e de cabeça erguida, sem dever nada a ninguém. Não poderia esperar menos de uma representação de nossa cidade. Agora, vamos ganhar a Série B, e retornar, mais uma vez, com honra, à divisão maior do futebol brasileiro. Daqui de longe, nunca te esqueci e continuo torcendo sempre pelo seu sucesso.
- PAULO STUCK MORAES, Vitória (ES)
Correção
- ‘‘EUA emitem recorde de moeda para prevenir bug’’ é o título correto da nota publicada ontem na página 3 de Folha Informática. Ainda nesta edição, XML é a grafia correta para a abreviatura da tecnologia ‘‘Extensible Markup Language’’ e não como foi publicado.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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