Aniversário histórico
A Lapa completa 230 anos dia 13 de junho. É menos da metade da idade do Brasil, que faz 500 anos em 21 des abril do ano que vem, mas é hora de se perguntar: estaríamos comemorando da mesma forma o aniversário do País no ano que vem, se a histórica cidade paranaense da Lapa, em vez de resistir, tivesse se rendido à Revolução Federalista em 1894? Que governo teríamos hoje? A República continuaria se os revoltosos tivessem derrubado o marechal Floriano Peixoto? Voltaríamos à monarquia ou cairíamos numa ditadura sangrenta?
São respostas que nem precisamos procurar graças à bravura do coronel Antonio Ernesto Gomes Carneiro, promovido a general pela heróica resistência que conduziu durante dois meses, em condições precárias e contra um inimigo bem mais poderoso, mas que só conseguiu entrar na cidade depois da sua morte. A bravura de João Cândido, prefeito da cidade e médico que, sem descanso, atendia os feridos, sempre com palavras de ânimo. Bravos também foram Amintas de Barros e o coronel Dulcídio, ambos mortos em combate. Com seu sangue, eles escreveram a história do Cerco da Lapa na história do Brasil. Desgastados pelo combate, os revoltosos perderam tempo e deram oportunidade ao governo federal de reagrupar suas forças e esmagar a revolta. A República foi mantida, e hoje a Lapa e o Brasil cultuam seus heróis.
A cidade completa 230 anos enfrentando novos desafios, que vão exigir dos lapeanos disposição e coragem como tiveram os heróis do passado. Com um potencial enorme no turismo, na agropecuária, a cidade passa por nova revolução. Desde fevereiro, quando começaram as aulas do Centro Técnico Educacional Superior da Lapa (Cetes), os primeiros alunos do curso de Administração Rural já alteraram a rotina das ruas da histórica cidade. Agora, em vez do silêncio característico de uma cidade pacata, o que se ouve são os debates nas salas de aula, o burburinho das conversas nos corredores do primeiro curso superior.
É ali, nas ruas onde se desenvolveram batalhas, que os estudantes entraram na luta silenciosa que vai transformar a Lapa num centro de excelência em Administração Rural e em Hotelaria, Comércio Exterior, Marketing e Administração Geral, cursos que vão começar já no ano que vem. Contando com a qualidade de vida da cidade, a maior aliada dos estudantes que conseguem estudar sem se preocupar com o barulho do tráfego pesado dos grandes centros e com professores de alto nível, a Lapa está se transformando.
E para melhor. A procura pelos novos cursos, que terão a mesma qualidade do primeiro, vai trazer novos moradores para a cidade, que vão incrementar a economia local. Com a fábrica de idéias do Cetes surgirão propostas para incrementar o turismo, para melhorar a qualidade das empresas rurais, para criar uma hotelaria moderna, aproveitando as potencialidades turísticas de uma cidade que deu vidas para defender o País, que mostrou que não foge à luta mesmo em condições adversas. E que vai entrar no próximo século preparada para a batalha da modernização. Esta é a Lapa que queremos, que faz 230 anos de olho no futuro, preservando o passado heróico que enche de orgulho a todos nós.
- BORGES DA SILVEIRA, ex-ministro da Saúde, Curitiba
Cristão sem Igreja?
Ao ler a carta ‘‘Sem-Terra’’ de Edno Costa Moreira, publicado nesta seção no dia 6, fiquei indignado com algumas afirmações contraditórias nela contidas. Uma delas é: ‘‘Sou cristão sem Igreja’’. Como alguém pode afirmar isso? A Igreja somos nós, que dela participamos. Está escrito em Mateus 16, 18-19: ‘‘Por isso Eu lhes digo: você é Pedro e sobre esta pedra construirei a minha igreja... e o que você ligar na terra será ligado no céu, e o que você desligar na terra será desligado no céu’’. Para ser cristão não basta apenas ser batizado, temos que conhecer a Cristo, seus ensinamentos, seus mandamentos, suas ações e testemunhos e sua opção pelos pobres marginalizados e excluídos. Ora, Jesus, para defender a vida dos mais fracos, foi contra muitas leis de seu tempo, como por exemplo a lei do sábado. Isso mesmo, Jesus invadiu a propriedade de alguém no dia de sábado, e colheu trigo para matar a própria fome e a dos seus discípulos (Mt. 12,1-4).
Atitude esta - condenada na carta - que hoje em nosso Estado levaria Cristo e seus discípulos para a cadeia por roubo e formação de quadrilha, como está acontecendo com os líderes dos sem-terra no Paraná. Diante desta situação, infelizmente, ainda existem pessoas que acusam a Igreja - de Cristo e dos verdadeiros cristãos - não querendo deixá-la ser a voz daqueles que são excluídos dos direitos de viver uma vida digna e ganhar seu sustento com a força de seu trabalho, diante de um sistema que defende a mecanização e a modernização da agricultura, tirando o homem do campo e empurrando-o para a periferia das grandes cidades.
Queremos sim uma verdadeira reforma agrária, pacífica e com a bênção de Deus, a exemplo do que está escrito em Números 33, 51-56: ‘‘Javé falou a Moisés: diga aos filhos de Israel: quando vocês atravessarem o Rio Jordão e entrarem na Terra de Canaã, expulsem daí todos os governantes dela, tomem posse da terra e habitem nela, pois Eu lhes dei essa terra para que vocês a possuam’’. A terra é nossa mãe e, com mãe, não deve servir de especulação para poucos, mas sim, de fonte de vida e alimento para muitos.
- Pe. ANTÔNIO LUIZ MARTINS, assessor da Pastoral Social da diocese de Cornélio Procópio
Compositores
Fiquei muito surpreso com a reportagem veiculada no dia 7, pelo Jornal Nacional. da TV Globo, a respeito de uma iniciativa do Escritório de Direitos Autorais (Ecad), órgão representativo dos compositores. Segundo a reportagem, o Ecad estaria notificando escolas por todo o País, no sentido de impedir a difusão de músicas de ‘‘quadrilha’’ junina, ou, então, de cobrar-lhes royalties pela difusão, à razão de R$ 0,46 por pessoa, no caso da região Sudeste. Como profissional da área há quase 20 anos, fiquei estarrecido diante de uma decisão tão desacertada de um órgão que, ao menos até agora, sempre atuou bem, e muito bem.
Estarrecido, porque o principal elemento para constituição do tipo penal ou, no caso, de violação de direitos autorais, que é o intuito de lucro, não se acha presente no caso concreto, haja vista que as festas juninas promovidas pelas escolas visam a cobertura das despesas realizadas na sua própria consecução e, quando muito, um pequeníssimo retorno que, via de regra, é imediatamente empregado em obras ou em aquisições para as quais a respectiva dotação orçamentária é insuficiente. Considero um absurdo essas notificações do Ecad. Acho mesmo que desse grosseiro equívoco devam resultar reações contrárias aos que dirigem a instituição. Eles devem estar brincando!
- CLAUDEMIR ELIAS CALHEIROS, Londrina
Futebol
Sobre a notícia ‘‘Londrina quer pratas-da-casa no Brasileiro’’, publicada ontem: parabéns à diretoria do LEC (Londrina Esporte Clube), pois essa é a política correta. Apostar em jovens talentos, que querem despontar no cenário nacional é realmente a chave do sucesso. Nada de contratar ‘‘medalhões’’ acabados para o futebol. Vamos reerguer o nosso Tubarão!
- MARCOS M.P. WASSILEVSKI, Brasília
Correção
Título de chamada publicada terça-feira na primeira página da Folha, clichê Centro-Oeste/Sudoeste/Noroeste, está incorreto. O prefeito de Marechal Cândido Rondon, Aríston Limberger (PMDB), é o autor de denúncia de tentativa de extorsão, e não o acusado, como informa corretamente texto da página 1 do caderno Folha Cidades.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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