O LEITOR ESCREVE
Direito do idoso
O que tenho visto ultimamente me leva a crer que o fim do mundo esteja perto mesmo. Ao ler na ‘‘Folha de Londrina’’ as matérias com os títulos ‘‘Filha mantinha pai inválido em canil’’ e ‘‘Famílias impõem crueldade a idosos’’ reli a Palavra Sagrada, Timóteo 2 - 3 (versículos 1 a 4) que diz: ‘‘Nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, malvados, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus’’. Se os filhos não atenderem seus pais na velhice, por amor e gratidão, que o façam por obrigação da lei, exigindo dos filhos uma pensão alimentícia, para que não morram à míngua, na impotência da senilidade. ‘‘O direito à cidadania começa quando nascemos e só acaba quando morremos’’. Bonito, no papel. No dia a dia, poucos filhos lembram-se disto, o que é uma pena.
- ODETE BOTER GUIMBARSKI, Londrina
Violência
Ficamos em Edmonton, Alberta, a dez mil quilômetros de São Paulo e Londrina, aterrorizados pela crueldade e vilania de policiais paulistas, mais ainda pela declaração de que ‘era coisa do diabo’. Enquanto cidadãos, percebemos o espírito de corpo manter-se com a declaração do senhor ministro da Justiça, de que a sociedade não deve responder a esta agressão. Em face de qualquer fato novo que exija um novo posicionamento do Estado, enquanto sociedade organizada, há de se responder a isto, não com falácias de uma legislação, mas com a ação consistente e política de nossos governantes e legisladores.
O policial militar é um servidor e nos seus deveres está a proteção da cidadania. Não lhe cabe julgar, em sua concepção primária de ‘lei e ordem’ (e aqui se refere a todos aqueles policiais mal preparados para o exercício de função e cargo) se há ‘marginal ou cidadão honesto’; aparentemente todos ficamos marginais, pois que não dispomos de proteção contra tais abusos. Na sua concepção, o princípio de que todos são inocentes até prova em contrário só é válido se há autoridade que lhes seja superior e não possa por eles ser atingida.
A sociedade civil há de se mobilizar para que, finalmente, este tipo de crime hediondo, praticado pelo policial incapacitado para o exercício do bem servir, seja levado à justiça comum e não se mantenha escondido nos tribunais militares. Ou então, que a Justiça Militar afaste de si o espírito de corpo e afilie-se ao convívio social, compreendendo que deve à sociedade civil a sua existência e manutenção. Separado o joio do trigo, o Estado deve ser exemplar na punição deste comportamento afrontoso aos direitos humanos, imbuído de justiça e de cidadania, pois somos todos iguais perante a lei!
- ALAMIR AQUINO CORRÊA, Edmonton, Alberta, Canadá
Defesa da Polícia
Vou defender a Polícia, sim, contra toda essa onda insana que se abateu sobre ela. Ali se vive de improvisos que beiram o ridículo e como cobrar resultado positivo, sempre? Seguir pelas ruas em viatura capenga e sem coletes modernos para proteção, remexer em corpos putrefatos sem luvas adequadas. Permanecer de plantão 24 horas sem mínimas condições (experimente-se o sofá quebrado, o ar rarefeito, o café aguado e frio, a falta de espaço, a máquina velhíssima de escrever). Depender de (não ter) computador para registro ou busca rápida de ocorrências (de dados) semelhantes no município, estado ou país. Precisam, as duas Polícias, enfrentar, de cara e peito aberto, o crack, a cocaína, a greve, o saque a lojas, assaltos a banco, ônibus e cidadãos. Ambas as polícias administram, sim, o improviso, porque seus efetivos não crescem no ritmo da demanda das cidades e bairros. Muito menos as ferramentas de trabalho, oportunidades de treinamento, reciclagem, salários e promoção eficaz. Unificá-las é bobagem. Extinguir? Não.
O que a televisão está fazendo com a
dignidade de homens especiais: colocando bons e maus, todos eles, num mesmo saco? Não estará o próprio governo transformando o policial em velha peça de engrenagem e bode expiatório de uma máquina que não funciona, tal a avaria e fragmentação desordenada?
Todo policial é homem de extraordinárias qualidades e não será entre os sábios que se encontrarão naturezas que possam dominar multidões, vigiar vadios e rufiões, ‘‘campanar’’ viciados e sequestradores. A situação psicológica de um indivíduo não pode ser separada do seu ambiente social, (emocional) e cultural.
Aqui, no Paraná, 33 novos delegados bacharéis em Direito foram empossados, abriu-se concurso público nas duas Polícias, funcionam bem o Siate do Corpo de Bombeiros, a Polícia Florestal, a Guarda Urbana e a Corregedoria da Polícia Civil. As kombis, celulares e coletes foram substituídos, porém as cadeias do interior... no Espírito Santo criou-se a polícia interativa, com mais de 8.000 PMs prestigiados pelo povo. Na Bahia o turista é bem protegido durante o Carnaval.
- NOELY MANFREDINI, Curitiba
Pais na escola
Estou muito chateada com as coisas que andam acontecendo. Gostaria de solicitar a vocês, reponsáveis pelas matérias da ‘‘Folha’’, que procurassem saber a opinião de professores sobre o comportamento dos pais dentro da escola. Gostaria que não me identificassem, mas ser professor já está sendo caso de polícia, porque os pais chegam a nos ameaçar de morte e tapas entre outras palavras de baixo calão. Por que não escrever sobre este lado do professor, que está decepcionado pela falta de respeito dirigida a ele no dia-a-dia? Já sabemos que a profissão já não é valorizada, mas o ser humano não ser, já é demais da conta. Se possível, investiguem. Vocês descobrirão queixas em delegacias, de pais que ameaçam professores, porque deixam o seu filho estudando na escola... cuidem disso. Não existe ninguém com mais poder do que vocês.
- LUANA LUNA, Londrina
Menores
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Leonyl Ribeiro, afirma que 80% dos furtos e roubos ocorridos em Londrina (entenda-se território nacional) são praticados por menores de idade. Se fossem apenas furtos e roubos... enquanto estiver em vigência um Código Penal impraticável (para a grande maioria) e uma megaindústria de marginais, denominada Estatuto da Criança e do Adolescente, as autoridades policiais continuarão a ser tachadas de inertes e nós, cidadãos comuns, cada vez mais próximos de uma desgraça.
- LUIZ ALBERTO PIOTTO, Cambé
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

mockup