O leitor escreve
Farra brasileira
Sempre falamos o que o procurador da República em Cascavel, Celso Três, declarou há dias na Folha com profundo conhecimento e provas. Segundo ele, muitos assumem cargos públicos como ilustres acadêmicos iluminados, sem um centavo no bolso, e quando saem viram banqueiros. Outros ocupam cargo público enganando eleitores que votam com a barriga. É a farra brasileira dos que detêm cargo público, com pouquíssimas exceções.
Isso acontece nas prefeituras, secretarias de Estado, nos ministérios, nos governos e com grande parte daqueles que cuidam do erário público. Partindo do princípio de que o valor do cidadão é medido pelo que ele possui no bolso, a corrida pelo dinheiro está acima de qualquer princípio moral. Agora ficou pior, com o teto máximo da aposentadoria do setor público.
Quem tem chance de meter a mão no dinheiro público não pensará duas vezes em garantir-se numa aposentadoria melhor, mesmo que seja com dinheiro de procedência ilícita. Valor humano, princípios éticos, bom nome de família, tudo foi suprido pelo valor do dinheiro, sem importar-se com sua procedência. O que acontece no Banco Central, na Receita Federal e outros órgãos responsáveis na fiscalização do dinheiro público, são coisas de muito tempo e sabidas pelos ocupantes dos cargos chefes.
São poucos os homens, capazes como o procurador da República, Celso Três, que chegaram onde estão através de concurso público. A omissão, a vista grossa está naqueles cidadãos que, apadrinhados por partidos políticos, ocupam cargos públicos. A farra brasileira está sob o domínio dos políticos, que determinam tudo, desde que os beneficiados sejam eles mesmos. Tudo deixa crer que o esquema está montado para funcionar assim e assim permanecerá por muito tempo.
- JOSÉ CARLOS SIMIONI, Ribeirão Claro
Reforma agrária
Sou católico apostólico romano. Porém, diante dos termos da carta de D. Getúlio Teixeira Guimarães, publicada nesta seção no dia 4, gostaria de fazer algumas observações. Tenho certeza de que a nossa Igreja não aprova justificar com o Santo Evangelho os crimes de esbulho, roubo e intimidação, praticados pelo Movimento dos Sem-Terra nas propriedades de Querência do Norte, em particular, numa fazenda que foi exemplo de exploração pertencente a meus parentes.
Também não é certo inspirar-se na Guerra de Canudos, quando Antonio Conselheiro, que criou o Arraial de Canudos com os fanáticos que o acompanhavam, tornou-se uma ameaça, para alcunhar de jagunços, com preconceito e discriminação, a respeitável classe de segurança das propriedades agrícolas. Feliz os que hoje dispõem de recursos para contratar segurança para sua propriedade. Poucos podem resistir sozinhos às agressões de bandidos e fanáticos. O melhor exemplo é que faz a indústria, o comércio, os bancos, e o próprio Vaticano, contratando segurança. Os que se expõem fisicamente para proteger o patrimônio e a vida alheia, não merecem ser chamados de jagunços.
Ao invés de polemizar assuntos que muitas vezes nos conduzem a interpretações ideológicas condenadas, vamos somar esforços, aproveitando o enorme potencial de mais de 8.000 paróquias que existem em todo o País, com ajuda de homens de boa vontade e conhecedores dos problemas, para encontrar o caminho certo para as profundas reformas sociais tão almejadas. Porém, que necessitam de tempo, pois a educação, a cultura e mesmo os recursos necessários para sua implementação são conquistas do dia-a-dia, que demandam pelo menos de duas a três gerações. Qualquer outra promessa para soluções a curto prazo não passa de falácia, próprio de enganadores e futuros ditadores.
- JOSÉ AUGUSTO CORRÊA SANDRESCHI, advogado, Londrina
Hábito saudável
Há bem pouco tempo o Brasil passou por um tremendo susto, que ainda não se encontra de todo afastado. O dólar foi a mais de R$ 2, a confiança dos investidores estrangeiros caiu a zero, a inflação ameaçava disparar e o Real correu sério risco. Esse quadro de turbulência que tivemos, bem como outros semelhantes que aconteceram no passado, poderia ser evitado se tivéssemos uma forte poupança interna, capaz de alavancar um desenvolvimento auto-sustentável, sem depender de capital externo, oficial ou especulativo.
Bastava que cada brasileiro economicamente ativo poupasse de 5% a 10% do seu rendimento. Muitos dirão que nossos salários são baixos a ponto de não sobrar nada para poupar, e são baixos mesmo. Mas o ato de poupar depende mais do hábito que se adquire durante a fase educacional do que do volume de dinheiro que passa pela mão de cada um. Conheço pessoas com salário irrisório que conseguem poupar. Mas outras, com polpudos salários, não conseguem saldar os compromissos.
Temos que ensinar nossos filhos a poupar. Ainda que não tenhamos esse costume. Mas pelo menos estamos vendo a falta que a poupança nos faz. Ela impõe disciplina, mas acaba nos dando independência, autonomia econômica. Isso é válido também para cidades, Estados e países que poderiam investir melhor em saúde, educação e pesquisa, o tripé onde se sustentam as economias mais dinâmicas do Planeta.
- SILVÉRIO DA SILVA, Londrina
Multas
Sobre a reportagem Terceirização das multas é inconstitucional publicada no domingo: como poderíamos chamar um Estado que se fia em não sabemos quem para fiscalizar algo que nos parece incompetente para realizar? Será que este mesmo Estado daria a este funcionário as chaves do cofre de nosso Tesouro Estadual? Ou este secretário ou sei-lá-o-quê, que deu estes poderes a estas pessoas (as quais não sabemos como foram contratadas e que grau de instrução têm), daria seu talão de cheques assinado em branco a elas? Não acredito. Estes mesmos elementos podem sair por aí, escondidinhos, multando as pessoas que diariamente percorrem nossas estradas, em sua maioria trabalhando. Um Estado que cobra IPVA, pedágio e assim mesmo não consegue recursos para conservar nossas estradas, tem mais que usar destes artifícios escusos para poder financiar uma máquina emperrada como é nossa atual administração estadual.
- MIGUEL ALDO PISICCHIO, Londrina
Agradecimento
Caros Antônio Mariano Junior e Francelino França: quero agradecer pelos artigos tão lindos que vocês dedicaram ao Desobediência Civil no dia 1º. Um abraço carinhoso.
- DENISE STOKLOS, artista participante do Filo em Londrina
Correção
- Reportagem publicada ontem na página 6 da Folha2 (O Poeta das Idéias em Carne Viva, de Marcos Losnak), contém erro: Paulo Leminski nasceu em Curitiba, no dia 24 de agosto de 1944, e não em Itaiópolis (SC), onde ele viveu parte da infância.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





