Sonegação de imposto
O secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, foi muito imprudente ao taxar os escritórios de contabilidade de responsáveis pela sonegação fiscal de tributos federais. A maioria desses escritórios cuida de pequenas empresas, que aos trancos e barrancos vão se sustentando e, o que é pior, com elevadíssima carga tributária. Nenhum profissional de contabilidade ensina seus clientes a sonegar. O que ocorre com muita frequência, sim, em setores que remuneram muito bem profissionais para, nos seus legítimos direitos dentro da legislação, usar as ferramentas e meios legais e jurídicos para pagar menos. O que vimos nos noticiários, isto sim, deixou-nos intrigados: o setor bancário, amplamente divulgando o quanto esses feudais arrecadam ao governo. Aí sim está a mina do governo. É só fiscalizar. Deixem o setor micro fora desse angu. Este segmento já está penalizado demais.
O governo deveria estar preocupado é com a situação delicada em que se encontram essas empresas. Deveria, sim, estar providenciando um meio de estender a isenção das microempresas com isenção total até um faturamento de R$ 120.000,00, e daí para diante diminuindo os percentuais de taxação para amenizar as agruras em que elas se encontram. Se a receita (arrecadação) está diminuindo, a culpa é do próprio governo, que lançou o País numa crise sem precedentes, e não faz nada para amenizar essa situação.
Nós que trabalhamos na assistência dessas empresas, somos os maiores agentes de arrecadação da Receita Federal e sabemos que com muito esforço essas empresas pagam o Simples. E ainda temos que levar essa peja. O governo deveria se preocupar é com os bilhões de dólares que saíram do País. Vamos deixar de hipocrisia. O secretário está aplicando aquela velha tática de coar o mosquito e engolir os sapos. Os Conselhos Regionais de Contabilidade e o Conselho Federal devem lançar uma manifesto de repúdio a esse cidadão, por tão abusiva coação.
- ORLANDO COLLI, técnico em Contabilidade, Campo Mourão
Sem-terra (1)
Apesar de ser neto de fazendeiros, não tenho terras, não tenho vocação para terras, porém sempre convivi com pessoas da terra, vivi minha juventude em ‘‘colônias’’ que hoje não existem mais. Por que? Porque houve o Estatuto do Trabalhador Rural, apoiado e reivindicado pela própria Igreja. Antes existiam os percenteiros, os meeiros. Vários trabalhadores rurais deixavam de ser percenteiros e deixavam as colônias porque ganharam o suficiente para comprar o próprio chão, seu pedacinho de terra - e foram muitos. Eu os vi e por isso posso falar.
Lamentavelmente, veio o Estatuto do Trabalhador Rural, que acabou com as colônias nas fazendas, fazendo os colonos migrar para a cidade, lotando a periferia e causando o inchaço das grandes cidades, fenômeno com reflexos bem conhecidos. Agora vem a mesma Igreja, através da Pastoral da Terra, lutar pelos sem-terra. Causa mais que justa. Porém, não devemos nos esquecer que, para vivermos em sociedade, é necessário termos leis e ordens a ser seguidas. Sem isso viveríamos na barbárie.
Portanto, reverendíssimo D. Getúlio Teixeira Guimarães, reforma agrária, sim. Porém, com respeito às leis. Vamos invadir sim, porém terras improdutivas e não naquelas em que os proprietários lutaram por anos e anos para conseguir. É absurdo parte da Igreja apoiar a baderna, o roubo, o saque e a destruição. Quantos tratores roubados, quantos rebanhos saqueados, quantas benfeitorias destruídas, deixando perplexos seus proprietários ao reencontrar suas propriedades que, com tanto zelo e dedicação, cuidaram durante sua vida.
Cadeia, sim, para os que não respeitam a casa alheia. Como podem reclamar que foram expulsos na madrugada? Por acaso esquecem a forma com que invadiram? Além do mais, o governador está cumprindo determinação judicial de reintegração de posse. Como podemos ir contra a Justiça? O dia em que não respeitarmos mais a Justiça, voltaremos à época da barbárie, como no período medieval.
Sou cristão sem igreja, pois o padre da minha igreja quer que eu considere os líderes do MST como santos e mártires. É por isso que nossa Igreja hoje está perdendo os intelectuais, os geradores de emprego e, o que é pior, até os mais humildes estão se afastando e indo para as pseudo igrejas, que sob franquias proliferam em todos os recantos do País. Desse jeito, vamos todos acabar sendo cristãos sem igreja (a de Pedro).
- EDNO COSTA MOREIRA, Londrina
Sem-terra (2)
A questão social no governo Lerner não tem espaço, e seus atos demonstram que o seu governo não tem compromisso com o povo trabalhador do Paraná. As recentes ações de violência praticadas contra os sem-terra relembram sua experiência vivida durante os governos militares, quando ele mesmo tinha livre trânsito e foi nomeado ‘‘biônico’’ pela ditadura. Na atualidade, Lerner tem compromissos com os latifundiários do Paraná (coronéis atrasados da terra) e com os grandes grupos econômicos, em detrimento dos interesses do povo paranaense. Na articulação da violência contra os sem-terra, Lerner é assessorado por Lupion (de família que os paranaenses conhecem no trato das questões fundiárias por ocasião de seu governo no Paraná), e, também conta com um xerife à moda antiga na Secretaria de Segurança. Não bastasse a vergonha dos precatórios e a barbaridade dos pedágios, Lerner se aprimorou na prática do arbítrio, aprimorando sua larga experiência adquirida ao longo do regime militar. Quem sobreviver verá desnudada a verdadeira face maquiada de Lerner.
- GERALDO BATISTA, Londrina
O pão de cada dia
Passando casualmente pela Rua Souza Naves, fiquei indignada ao ver tão precária situação com um dos pontos comerciais que já fizeram parte tanto da minha, quanto da história de muitas pessoas que viveram por aqueles arredores ou que ainda vivem até hoje. Venho falar de um ponto antigo da cidade, que pertence a uma família tradicional, a qual hoje está sendo esquecida por todos e engolida pelas dívidas. Trata-se da Padaria Olímpia, situada à Rua Souza Naves esquina com Rua Goiás, no centro da cidade.
A imagem que vi realmente me chocou e ao mesmo tempo me serviu de exemplo por tamanha coragem, humildade e perseverança ao ver que mesmo no estado em que se encontram, antigos funcionários mantém-se lá por solidariedade, as portas são abertas todos os dias, e o trabalho continua, mesmo sem haver qualquer iluminação, a qual vem sendo substituída pela luz de velas ao cair da tarde.
Tenho muita admiração por essa atitude e venho fazer um apelo solidário, pedindo apoio por parte das autoridades, e porque não, de cada um de nós, para que possamos ajudá-los de alguma forma, a resgatar o respeito e a dignidade de uma família que esteve sempre disposta a contribuir com caridades a tantas entidades da cidade e grupos ligados à Igreja, que prestou serviços sem nada receber e que hoje passa por essa situação desesperadora. Alguém que ontem contribuiu para que muitas famílias tivessem o pão de cada dia sobre a mesa e hoje luta para mentar o seu próprio, sem esmorecer.
- VÂNIA MARA BILHÃO, Londrina
CORREÇÕES
- Previsão feita em Londrina pelo presidente da Assembléia, Aníbal Khury, é de que o projeto do deputado Durval Amaral, vetando a terceirização das multas no Estado, seja aprovado, ao contrário do que sugere título de ontem da primeira página. O que deve cair, portanto, é a decisão do governo de transferir a gestão das multas para empresas privadas.
- O programa de apoio a microempresas, firmado pela Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho do Paraná com cinco universidades estaduais, conta com financiamento do governo federal, via Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), e não do governo estadual, como informa título na página 2 do Folha Economia, edição de ontem.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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