O leitor escreve





Filhos da modernidade
Não pretendo criar polêmica nem achar que estou certo. Quero apenas trazer à tona um assunto que me preocupa muito como educador: o comportamento inadequado e até agressivo de muitos jovens. Vamos analisar alguns aspectos de formação destes jovens. Crianças, ainda, são colocadas em creches, escolas maternais, jardins de infância e outros, por necessidade premente dos pais ou por modismo da época. O contato com a mãe ou com o pai ocorre esporadicamente. Ninguém tem tempo.
O convívio familiar (tão necessário ao aprimoramento e amadurecimento afetivo) é prejudicado, a criança fica mais tempo longe dos pais do que desfrutando do convívio e do amor indispensáveis nesta fase da vida. Não raro encontramos crianças estressadas, com sérios problemas emocionais e até existenciais, fruto, talvez, deste ‘‘abandono’’ afetivo e desta propalada modernidade.
Poderíamos levar este assunto para outros caminhos (como falta de preparo de alguns professores ou instalações inadequadas de muitas escolas), porém o que importa é obter respostas para certas questões: vale a pena tanto sacrifício para a criança? Não seria melhor que os pais pudessem ver e acompanhar todo o desenvolvimento de seus filhos? A falta de amor, respeito e até objetivos dos jovens não poderia ser o resultado deste ‘‘abandono’’ na infância? Quando os pais perdem seus filhos para a violência das ruas ou, o que é pior, para as drogas, ficam se perguntando: ‘‘Onde foi que errei? Dei tudo a eles’’, dizem. Será que deram mesmo?
Repensar a íntima relação dentro do lar é o que há de mais moderno e urgente, pois nada substitui, na cabeça e no coração de uma criança, o amor, a conversa franca e a permanência sadia junto aos pais. Ter tido uma infância feliz e cheia de amor é tudo o que um adulto precisa para integrar-se ao meio e produzir para si e para seus semelhantes.
- ESMERALDINO FRANCO, professor, Londrina
Educação
A cada ano que passa, aumenta a frustração de nosso estudante. Infelizmente, dos brasileiros com idade entre 15 e 18 anos, menos de 17% chegam a ingressar no ensino médio e, desses, a grande maioria só pensa em entrar para a faculdade. De uma forma ou de outra, apesar de toda a crise financeira, o número de matriculados em cursos superiores tem aumentado. Em cinco anos, foi um pulo de 30%. Pena que a qualidade do ensino não tenha melhorado no mesmo percentual.
Mesmo assim, a todo instante são autorizados o funcionamento e o recredenciamento de cursos. Nas instituições privadas, o grande desafio é a questão de qualidade, enquanto, na rede pública, o problema é o sucateamento por causa do abandono do governo, o que já acontecera nos anos 60, estimulando a expansão da rede particular.
Na educação, estamos vendo acontecer, guardadas as devidas proporções, o mesmo que ocorreu na libertação dos escravos. Naqueles ontens, os negros ganharam liberdade, mas foram jogados na rua. No nosso ensino, os estudantes ‘‘recebem’’ conhecimentos e são lançados à vida, ao mercado de trabalho. Mas como? Eles não receberam o ensino correto, um ensino que fosse suficiente para essa nova batalha.
Ou se começa a fazer alguma coisa ou não teremos capacidade sequer para enfrentar a globalização nem na disputa com nossos vizinhos mais próximos da América do Sul. Vamos ficar culpando esse ou aquele governo, que vai culpar não sei o quê, numa bola de neve sem solução. No momento, precisamos agir para tirar nossos jovens dessa frustração de total impotência. É frustração demais.
- MAGNO DE AGUIAR MARANHÃO, reitor de centro acadêmico no Rio de Janeiro
Dia do Meio Ambiente
Difícil mesmo é termos que conviver e engolir a hipocrisia dos governantes e dos donos do poder, que no Dia Mundial do Meio Ambiente saem para as escolas utilizando a ingenuidade de nossas crianças, para posar perante a lente dos fotógrafos e câmeras de TV, com uma pá nas mãos, simulando o plantio de uma árvore, em que a cena não dura mais que três minutos e a árvore ali plantada é esquecida e acaba morrendo uma semana depois.
Infelizmente para os donos do poder, investir em educação ambiental e valorização dos professores é visto no País como despesa e não capacitação dos professores. Pior de tudo é que nem sabem o que é educação ambiental, porque o que vemos são ministérios, secretarias estaduais e municipais gastando milhões para distribuir cartilhas de esclarecimento junto à população que, na periferia é na maioria analfabeta; prova disso são as epidemias de dengue, cólera, malária, leptospirose, que afetam sempre os menos favorecidos pela sorte e o destino.
Como estamos vivendo o final do século e do milênio, muitos, ao invés do ser, pagarão a conta também? Sim, porque para aqueles que acreditam nas profecias de Nostradamus, pelo calendário gregoriano será agora, mais precisamente no dia 29 de julho, quando a Natureza dará ao homem o maior troco da história, por tudo que ele lhe tem degradado e devastado. O castigo virá dos céus.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
Pedágio
É revoltante ser contribuinte em um país em que se pagam tantos impostos. Não bastasse isso, no Paraná temos que nos sujeitar aos caprichos do governador Jaime Lerner, que insiste em ser chamado de governador do Estado, mas age como governador de Curitiba. O que ocorre nas rodovias do Estado não pedagiadas, em péssimo estado de conservação, é um assalto. Ainda não fui multado, mas amigos meus já o foram trafegando a 90, 100 km/h. Como sabemos, o Novo Código Nacional de Trânsito limitou a velocidade nas rodovias em 110 km/h. Será que os mesmos policiais disfarçados também trafegam nas rodovias a 80 km/h quando estão em seus veículos? É melhor ser assaltado com apresentação de recibo no pedágio! Ao menos podemos trafegar de acordo com o novo código. Está na hora de reivindicar providências para que nossos pseudopolíticos cumpram seu papel e deixem de agir somente em benefício próprio. O problema é que ainda faltam três anos e meio ...
- RUBENS BARBOSA JÚNIOR, Londrina
Ensino público
Sobre o artigo ‘‘Novos rumos do vestibular da UEL’’, da professora Ana Misako Yendo, publicado dia 1º: a interação entre a UEL e as escolas não pode se dar assim, sem estudos e fundamentos preestabelecidos, uma vez que, por mais que se negue, o ensino público no Estado deixa muito a desejar. E assim alguns estudantes seriam privilegiados em relação aos que frequentam instituições de ensino respeitadas e com grande respaldo perante a sociedade. Desta forma, esta nova visão sobre o ingresso do estudante no ensino superior deve ser melhor estudada, colocando em pauta os prós e os contras.
- MARCOS ROBERTO SILVA, Ivaiporã
Correção
- Ao contrário do que foi publicado na reportagem ‘‘Cresce disputa por lixo em Maringᒒ, em Folha Cidades do dia 27 de maio, o lixão de Maringá recebe 270 toneladas de lixo por dia.
- Na página 4 de ontem (Política), há erro de localização geográfica de Foz do Iguaçu, que fica no Extremo-Oeste do Paraná.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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