O leitor escreve





Servidores
Os cerca de 41 mil servidores do Quadro Geral do Estado do Paraná (QGE) completaram, em maio de 99, 45 meses sem reajuste salarial. Há quase quatro anos o pessoal dos níveis operacional e médio recebe os mesmos salários. A realidade destes servidores agravou-se com a elevação do salário mínimo, fato que indica uma redução salarial. Em agosto/95 (data do último reajuste), um funcionário classe A, do nível operacional, recebia R$ 141,82, o valor equivale a 1,4 salário mínimo. Hoje, um funcionário classe A recebe o mesmo salário. Mas com novo mínimo de R$ 136,00, sua remuneração mensal representa 1,04 mínimo. Foi perdido quase meio salário mínimo.
Em setembro/97, o Fórum das Entidades Sindicais dos Servidores Públicos do Paraná reivindicou junto ao governo do Estado um reajuste salarial de 42%, contemplando os 40.484 servidores ativos e inativos dos níveis operacional e médio do Quadro Geral do Estado. Através de estudos da Secretaria do Estado da Administração e do Dieese/PR, constatou-se que o impacto desse reajuste variaria de 1,3% (Dieese) a 1,79 (Sead) sobre as receitas correntes líquidas. Ou seja, o impacto de um reajuste que beneficiaria 40.484 servidores seria mínimo e, no entanto, o governo do Estado optou por não concedê-lo.
Desde então, alegando dificuldades financeiras, o governo do Estado nada fez para resolver ou mudar a situação. Nem mesmo apontou alguma alternativa (vale-transporte, auxílio alimentação, cesta básica ou gratificação,...) para amenizar o arrocho salarial destes servidores estaduais. É preciso que se diga: o governador Jaime Lerner elegeu-se prometendo ‘‘resgatar a dignidade do funcionalismo estadual’’. Até agora, só vimos arrocho salarial, desvalorização e perda de direitos! Ou será que para este governo, o sinônimo de dignidade é desprezo, ostracismo e miséria?
- ROBERTO DE ANDRADE SILVA, presidente do Sindicato dos Servidores Estaduais da Agricultura, Meio Ambiente e Afins, Curitiba
Reforma agrária
‘‘Deus disse: que a terra produza sementes...’’ (Gn. 1,11). A terra é dom de Deus e foi dada ao homem e à mulher para que dela tirassem o sustento de sua família. Mas, os homens escravizaram a terra. E, novamente Deus propõe a liberdade: ‘‘Ouvi o clamor de meu povo, vi seu sofrimento e desci para libertá-lo’’ (Ex. 3,7). Hoje também a terra é escrava. Muitos irmãos não têm voz e nem vez, caminham de um lado para outro como ovelhas sem pastor (Jo. 10,11). A Igreja sofre com os seus filhos. Nós, o bispo e os padres, dirigimo-nos à comunidade diocesana para mostrar nossa indignação ética com os últimos fatos ocorridos no Paraná, onde foi constatada publicamente a violação dos direitos humanos dos trabalhadores rurais sem-terra.
Levantamos nosso veemente protesto contra o modo como foram feitas as desocupações no Estado. Elas ocorreram sempre de madrugada, com espancamentos, queimas de barracos e prisões arbitrárias de sem-terra, que ainda estão presos, como se fossem verdadeiros assassinos. Nos desarmamentos rurais promovidos pelo governo são apresentadas armas branca e leves, como facas, canivetes, foices, facões e espingardas. Mas, onde estão as armas pesadas apreendidas dos jagunços e dos ‘‘donos de terras’’? Isso aconteceu no nosso Paraná, em Querência do Norte e Ortigueira. Não queremos que o mesmo venha acontecer conosco, pois em nossa Diocese temos a presença dos trabalhadores rurais sem-terra em São Jerônimo da Serra e Sapopema.
Por isso, convocamos todos os diocesanos de boa vontade a unir seus esforços em defesa de uma reforma agrária legítima, justa, ampla e urgente para que milhões de pessoas sem emprego possam, como é desejo de Deus, usufruir da riqueza da terra para seu sustento e de sua família.
- D. GETÚLIO TEIXEIRA GUIMARÃES, bispo da Diocese de Cornélio Procópio
Poupança
Lemos nos jornais que a ex-famosa caderneta de poupança, desde 13 de maio não atinge nem mísero 1% de rendimento ao mês. Em contrapartida, no dia 29 de maio, pelos mesmos veículos informativos, tomamos conhecimento do aumento no preço dos automóveis e dos combustíveis, os quais já perdemos a conta em quantas vezes sofreram reajustes. A gasolina passará longe de R$ 1 o litro, mesmo com o aumento da adição de álcool, que sofrerá acréscimo de 24 para 26% na mistura já existente. Piorar para aumentar, é a filosofia do desgoverno do Brasil.
Nos supermercados notamos preços majorados nos mesmos produtos adquiridos da última vez que lá estivemos. São centavos, mas, como diz o velho ditado, ‘‘de grão em grão a galinha enche o papo’’. Assim o brasileiro leva a vida de sacrifícios onde só meia dúzia de abastados, maioria de políticos, se dá bem e curte às nossas custas. Não há transporte adequado, saúde nem se fala, educação é a pior possível, emprego não existe, e quem ainda está trabalhando tem que se sujeitar às humilhações e esperar o pior, já que a redução de salários vem aí, simultaneamente à redução da jornada de trabalho, até chegar o apocalipse total.
Esse é o quadro real do Brasil desgovernado de FHC, onde a minoria oposicionista, repleta de políticos falsos e demagogos, chia porque não participa, ou seja, só reclama do jabá, quem fora dele está. Sejamos otimistas apesar dos pesares. Conseguiremos?
- FERNANDO EGYPTO, Petrópolis
Habitação
Dia 17 de agosto de 1987. Milhares de sem-casa aglomeram-se em frente à Cohab de Londrina. Muitos passaram a noite no frio. Era o sonho da casa própria e o pagamento de uma taxa de inscrição. Dia 27 de maio de 1999. Milhares de pessoas novamente aglomeram-se em frente à Cohab de Londrina. Noites frias, o sonho da casa própria e a promessa de aquisição.
Agora só há uma taxa de inscrição e só uma abertura de uma conta de poupança na Caixa Econômica Federal. Ali aplica-se no mínimo R$ 30. Mas este não é mais um meio de obrigar os brasileiros a poupar, se eles não têm o hábito de poupar? Espera-se que o Poupalar cumpra o que promete. Não será fácil aceitar mais um fiasco da obrigatoriedade. Não será fácil para os futuros cohabitários deglutirem a fama de taparem o buraco deixado pelo passado. Quero acreditar que tudo não passou de um sonho. Não será mais necessário enfrentar a noite fria. Eu sou um ex-inscrito que nunca foi atendido.
- LUIZ FURTADO, Londrina
Felicidade geral
O retorno do Londrina e o ingresso da Portuguesa engrandecem o futebol paranaense, que anda meio manco sem o brilho de nosso chão roxo. Pés-vermelhos, como eu, ficam felizes à emoção. E o Paraná, um estado de felicidade, a mesma coisa.
- NILSON MONTEIRO, jornalista, Curitiba
Correção
- O cartaz que mostra montagem do governador Jaime Lerner com farda militar foi criado por integrantes do Fórum Terra, Trabalho e Cidadania e não pelo deputado Ângelo Vanhoni, como foi publicado na 1ª página de ontem.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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