O LEITOR ESCREVE
Repúdio
O Brasil inteiro ficou estarrecido com as imagens da violência de parte da Polícia Militar de São Paulo. Cenas de crimes cometidos por pessoas que recebem para proteger os cidadãos. Na verdade, a conduta daqueles policiais pode ser compreendida pelos exemplos que outros governos deram. Para não relembrar o passado, é só tomar como referência o Carandiru. Mais de cem seres humanos mortos em menos de trinta minutos. Ninguém foi punido. Pelo contrário. Parte dos policiais que participaram do massacre acabaram promovidos. Fica o exemplo do crime com a certeza de impunidade. A PM de São Paulo, pelo menos parte dela, ainda vive sob a filosofia dos ex-governadores Orestes Quércia e Antonio Fleury.
É preciso dar um basta em tudo isso. É preciso que criminosos, como os que espancaram, extorquiram dinheiro e mataram, sofram o peso da lei. Se a Justiça brasileira não puní-los rigorosamente correremos sério risco de ter essa prática de corrupção, de violência, propagada para o restante do País. A Justiça de São Paulo tem nas mãos a oportunidade de transformar o País. Se a punição for exemplar o cidadão vai se sentir aliviado e, quem sabe, estimulado a denunciar atos semelhantes. Os maus policiais estarão recebendo um aviso de que nós, brasileiros, não toleramos a violência e a covardia. Agora, se a Justiça for branda, complacente, poderá estar decidindo que, em vez de povo, vamos virar bando. Um bando de gente preocupada em fugir dos ladrões e torcer para não encontrar nenhum policial pela frente.
- ADRIANO VALÉRIO GABARDO, presidente do IDDEHA - Instituto de Defesa dos Direitos Humanos, Curitiba
Basquetebol
Administrar uma cidade do porte de Londrina não é fácil. Pior ainda fazê-lo sem dinheiro. É curioso ver o Prefeito utilizando a imprensa para anúncios de pura utopia. Primeiro oferece importante órgão do município para o Londrina. Atitude louvável e inteligente em outras épocas e realidades. A atual arrecadação do município mal dá para a folha de pagamento. Soube, através da Folha de Londrina, dia 2, que o Prefeito garantirá mais quatro anos para o basquetebol do Grêmio. Outra fantasia. Até associados do Grêmio questionam a prioridade do esporte em nossa agremiação. Ao contrário, sempre defendemos que há prioridades mais urgentes. Quem dera o município de Londrina com ruas sem asfalto, desemprego, abandono do governo do Estado e atraso no pagamento dos servidores e outros.
- LUIZ FURTADO, Londrina
Parceria
É muito bom saber que em Londrina existe muita gente sensível aos eventos e produções culturais da cidade. Esta constatação - do Grupo de Teatro de Rua - Cafarnaum - aconteceu de maneira muito forte, contundente e foi responsável pela encenação da Paixão de Cristo, no Cinco Conjuntos. Foi com o apoio da ACIL, Secretaria de Cultura de Londrina, Corpo de Bombeiros e empresas privadas da cidade que pudemos realizar aquela peça sacra. Esperamos que o evento tenha tocado e levado a mensagem para cerca de oito mil pessoas que lá estiveram prestigiando o esforço coletivo de levar mais de 200 atores ao palco. Muito mais do que ajudar um pequeno grupo amador, essas pessoas estão criando uma identidade e um conjunto de valores próprios da cidade.
- VALDIR BELCHIOR DE OLIVEIRA, Londrina
Evaristo de Moraes
A advocacia criminal brasileira sofreu grande perda. Muitas páginas serão dedicadas ao incomparável Antonio Evaristo de Moraes Filho. Como presidente da Associação Paranaense dos Advogados Criminalistas manifesto a profunda consternação de toda a classe. Com relação ao Paraná tinha ele grande carinho. Aceitou nosso convite para participar do 1º Encontro Brasileiro dos Advogados Criminalistas, em Curitiba, em setembro de 1993, onde proferiu a palestra inaugural com o tema ‘‘Advocacia criminal e garantias constitucionais.’’ Concluiu seu pronunciamento afirmando:
‘‘Temos o dever de prosseguir na batalha em defesa do nosso mais importante cliente: a liberdade individual. Sabemos que no desempenho desta missão, quer nos regimes totalitários, quer na democracia, os espinhos sangrarão nossos pés durante a caminhada. Nas ditaduras descerá sobre nós o ódio dos senhores do poder, por defendermos os ‘‘inimigos da Pátria’’. No Estado de Direito Democrático, por ampararmos os odiados, acabaremos por partilhar com nossos clientes o opróbrio da opinião pública. De qualquer forma não devemos desanimar, mesmo porque a história tem sido generosa conosco.’’
Recebeu o título de presidente de honra da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas, sob efusivos aplausos, naquela inesquecível noite de setembro de 1993, no salão nobre da Reitoria da Universidade Federal do Paraná. Paradigma de homem e de profissional. Deus é o destinatário de sua alma.
- ELIAS MATTAR ASSAD, presidente da Associação Paranaense dos Advogados Criminalistas, Curitiba
Farra do boi
O que fez com que a tradição da Farra do boi voltasse a ser polêmica, nos últimos dias, foi um acidente extremamente violento onde algumas pessoas, obviamente, ficaram feridas. Depois da tortura e morte de centenas de animais, foi preciso que o ato de crueldade em si atingisse indivíduos da nossa mesma espécie para que fosse qualificado como tal. Na falta de entendimento das pessoas, o assunto ganhou relevantes proporções, já que quando se pronuncia o conceito de vida, somente a forma humana é digna e merecedora de respeito.
- LIGIA MARIA FOGAGNOLLO, Londrina
Zerão
Os londrinenses não contam com muitas áreas de lazer para as crianças e as que têm nem sempre merecem a devida atenção do Poder Público. Cito especificamente o parque infantil do Zerão, uma belíssima idéia em que troncos de madeira são aproveitados em forma de brinquedos, fazendo a alegria das crianças. O triste da história é que o parque está abandonado. Há inúmeros brinquedos quebrados, muitos pais chegam ali com os filhos e nem se animam a ficar. E o melhor da história: é fácil arrumar os equipamentos, o custo deve ser muito baixo para a Prefeitura e o retorno social, muito grande. Medidas simples assim mudam uma cidade.
- LUIZ DE OLIVEIRA, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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