O leitor escreve
O leitor escreve
Violência
Os índices de violência chegaram a tal ponto, em todo o País, que as pesquisas feitas recentemente mostram o quanto os brasileiros estão querendo que se proceda a uma rápida e profunda reforma na legislação penal. Enquanto prevalecer o sistema atual e o criminoso esteja crente de que, na pior das hipóteses, e mesmo que seja apanhado nas malhas da lei, não tardará a readquirir a liberdade, ou pela brandura da pena ou pelos expedientes da Justiça, ele continuará a agir sem medo e sem freio, com a naturalidade de quem está disposto a pagar o castigo que porventura lhe vier a ser imposto.
A insegurança e a impunidade aumentam, principalmente nas grandes cidades; o número de assassinatos é de meter medo; vende-se droga a céu aberto; já existem áreas cativas do crime, onde os agentes do Estado não entram; a delinquência, bem apetrechada, não tem limites na audácia; a Justiça é lenta e o equipamento presidiário é um horror. E o Brasil se transforma num País de medos e de perigos, de impunidade e de violência.
Neste quadro, e se o poder político quiser interpretar as preocupações e a vontade dos brasileiros, expressos nas pesquisas de opinião, uma coisa parece certa: o governo deve criar novos instrumentos, mais eficazes, para conter a onda de criminalidade que se alastra pelo País, mesmo que para isso tenha que contrariar as almas piedosas e as correntes doutrinárias que pensam que se pode extirpar um câncer com tintura de botica e os discursos dos desgraçadinhos...
- A. GOMES DA COSTA, bancário, Rio de Janeiro
Armas (1)
O deputado Durval Amaral (PFL) deve estar equivocado com o seu propósito demagógico de proibir o comércio legal de armas de fogo no Estado do Paraná. A medida é absurda e sem efeito na diminuição da criminalidade. Com outros instrumentos também se cometem crimes. Por exemplo: adolescentes roubam as chaves do carro dos pais e vão tirar racha nas avenidas, matando transeuntes. Nem por isso vão se fechar as concessionárias de autos. Cadê as tragédias nos trânsito que acontecem muitas vezes, a que o deputado se referiu? Ou seja, desequilibrados motoristas armados atirando em outros motoristas. Se isto ocorre é raríssimo, se comparado com a quantidade de carros circulando no Estado e com a quantidade de armas, contanto somente com as legais, na posse de pessoas que também possuem carteira de habilitação.
Acidentes com motocicletas provocam mais tragédias do que muitos tiroteios no trânsito. Nem por isso vão proibir o comércio de motos. Há dez anos que eu recorro ao porte legal de arma para me proteger e para fazer valer o meu direito constitucional de poder ir e vir para onde eu quiser. Garantias que o Estado não me oferece, contrariando o que é dito por muitos especialistas de plantão. Nestes 10 anos eu já me salvei de sete tentativas concretas de assaltos utilizando minha arma, todas em área central de Londrina, à noite. O direito de autodefesa em casa ou nas ruas é de todos os cidadãos.
- FÁBIO BUENO VINHOLO, Londrina
Armas (2)
Sou contra qualquer tipo de violência. Depois que li nos jornais a campanha do governo para proibir o comércio legal de armas, fiquei muito mais preocupado do que feliz. Seria uma medida extremamente salutar se a mesma não incentivasse e incrementasse o comércio clandestino de armas e munições. Com o nosso vastíssimo litoral, enorme fronteira terrestre e os nossos céus muito pouco vigiados, seria muito fácil transportar qualquer barreira de fiscalização que tentasse coibir o contrabando de armas e munições. Na Inglaterra, assim como na Austrália, as armas continuam a entrar, apesar da proibição do comércio e do confisco. A criminalidade lá, não só não diminuiu, como está aumentando.
As drogas também são proibidas e o seu consumo está cada vez maior. Logicamente que o comércio negro de armas está diretamente vinculado ao tráfico de drogas, cujo controle o governo perdeu completamente. Se querem acabar com a violência em nossas cidades, está na hora de rever a situação do desemprego, educação, saúde e moradia, ao invés de tomar medidas que não resolvem o problema da criminalidade.
- MARCOS MENDEZ QUEIROZ, mecânico, Londrina
Impunidade
Falta competência à CPI que investiga o cínico e espertalhão Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central. Segundo notícias, ele forneceu informações sigilosas e vantajosas a banqueiros desonestos em troca de dinheiro. Desviou mais de US$ 1,6 milhão para contas correntes no exterior. Por zombar da CPI composta por Antonio Carlos Magalhães, Roberto Freire, José Roberto Arruda e outros, não prestando informações, foi preso.
Mas simplesmente pagou uma insignificante fiança de R$ 300,00 e continua em liberdade - até parece que tudo já estava acertado, o pedido de habeas-corpus estava pronto. Se fosse um ladrãozinho ignorante, ele estaria preso e o produto do roubo imediatamente resgatado. Mas como é colarinho branco, ele continuará roubando, junto com a súcia graúda que ridiculariza o sistema legal do País. Diante de tanta impunidade, o homem honesto sente vergonha de ser honesto. Para grandes ladrões há competentes advogados. O Brasil carece de legisladores competentes e Justiça.
- FRATERNO MARIA NUNES, Campo Mourão
Trote
Não se pode cogitar que a Universidade de São Paulo (USP), cujo conceito se eleva no ápice das demais universidade do País, possa permitir que aqueles que se colocam na condição de futuros profissionais de renome possam demonstrar através dos chamados trotes grosseiros tanto escândalo, vandalismo e imprudência. Estes, desde o nascedouro de suas jornadas mostram-nos quais os futuros profissionais que se pode esperar amanhã, salvo algumas exceções. Quem devolverá a vida do jovem estudante de Medicina morto naquele trote? Quem explicará o porquê daquele ocorrido? Orgias, imoralidade e até morte são fatos inadimissíveis, mas são alguns dos espetáculos que ocorrem frequentemente nos meios acadêmicos de algumas universidades como a USP.
- DANILO MOURA SERAPHIM, Carlópolis
FHC
Sobre a manchete FHC é ruim ou péssimo para 44%, publicada na primeira página da última sexta: acredito que faltou completar que há 56% que acham horrível o governo de Fernando Henrique. Não é necessário oposição, banalizar denúncias. Basta ver os aumentos de preços que virão, luz, telefone etc.
- CLÁUDIO APARECIDO VOLPE, Mandaguari
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





