O leitor escreve
O leitor escreve
Manifesto
Nos últimos dias, a sociedade, através dos meios de comunicação, tomou conhecimento do impasse criado em Londrina pela separação de mulheres detentas de seus filhos recém-nascidos. Assunto polêmico que saiu do restrito espaço e muros institucionais e tomou as ruas, e não foi em vão. Já era tempo da sociedade conhecer e opinar sobre a garantia de direitos.
Simplesmente separar crianças de suas mães significa duplo cumprimento de pena, tanto para as mães que foram condenadas à prisão, o que não pode significar desrespeito ao direito de alimentar, aconchegar e acariciar os seus filhos recém-nascidos, crianças que foram penalizadas por delitos que não cometeram. O sistema imputou-lhes a pena de não serem alimentadas por suas mães e experimentarem a doçura de serem acolhidas e amadas por elas.
Depois de vinte anos de exercício de direitos democraticamente construídos, às vésperas dos século XXI, não é possível que não se possa encontrar alternativas ao que foi rigidamente imposto. Acreditamos ser possível com ousadia e compromisso encontrar soluções mais satisfatórias para o caso, do que simplesmente impor às crianças a separação de suas mães ou a dura realidade das instituições, sob a égide de uma suposta justiça. Colocamo-nos à disposição para contribuirmos com encaminhamentos que respeitem acima de tudo a dignidade.
- MÁRCIA LOPES, professores universitária, Londrina
Prefeito inverte prioridades
O método Maluf de administrar faz escola! A obsessão por obras faraônicas, marca incontestável do malufismo, parece ter sido absorvida também pelas últimas administrações de nossa Curitiba. De volta do Japão, o prefeito Cássio Taniguchi (PFL) apresenta aos curitibanos a proposta de implantação do metrô de superfície. O primeiro trecho, diz a notícia divulgada nos jornais, será ao custo de aproximadamente R$ 400 milhões. Não queremos neste espaço simplesmente questionar a iniciativa. Afinal, é incontestável a urgência em repensar o trânsito, caótico, da capital paranaense.
O inchaço da cidade, decorrente da forte migração populacional em direção à propalada cidade modelo, tornou o transporte coletivo dispensável. Explico: Curitiba precisa hoje de transporte de massa. Nossos ligeirinhos, biarticulados e estações-tubo não dão conta de atender dignamente a milhares de usuários do sistema de transporte. Nisto reside o mérito da proposta do metrô apresentada pelo prefeito.
A reflexão que pleiteamos neste particular é quanto às prioridades no gasto dos recursos públicos adotadas pelo modelo lernista de administração. O prefeito-gerente mostra-se insensível aos problemas sociais da metrópole. Nosso País (e neste contexto nossa cidade) passa por uma profunda crise econômica e social. Há milhões de desempregados (cerca de 200 mil entre nós), crianças sem creche ou abandonadas, milhares de famílias sem-teto, excluídos da atual política habitacional. A violência urbana atinge índices outrora nunca vistos, pelo menos em Curitiba, os serviços de saúde estão deteriorados e por aí vai. O caminho, portanto, é o de enfrentamento aos graves problemas de nossa cidade, cabendo ao Poder Público a implementação de políticas compensatórias, como o Programa de Renda Mínima, o Passe Escolar, o Bolsa Escola, crédito aos micro, pequenos e médios empresários dentre outros.
- PEDRO PAULO COSTA, presidente do PT em Curitiba
Símbolo curitibano
Procurar um símbolo é no mínimo entrar em concordância com uma imagem que represente o enfoque desejado. Quando isto é feito por uma coletividade (uma cidade) é interessante que a participação popular seja feita espontaneamente, sem participações escusas de terceiros interessados. Uma empresa lança o desafio, outros apóiam, certo? Está bem.
Mas, de fato, o povo de Curitiba não deveria sofrer interferências de gerenciamentos de lobbys. E isto estão fazendo em nossa cidade! Que pena. Movimentar campanha aberta para apoiar este ou aquele símbolo, através de meios não tanto democráticos é lastimável de fato. No início da campanha, pela participação espontânea, era ampla a maioria do povo feliz que votava no Jardim Botânico.
Depois, veio a campanha ferrenha, para virar a opinião popular em detrimento de interesses em votar no prédio da Universidade Federal (Praça Santos Andrade). Ora, qual a imagem real que queremos para Curitiba? Os conservadores que desejam se igualar aos tradicionais símbolos da velha Europa, certamente votam na Universidade, mesmo sem campanha. Mas nós, curitibanos no limiar do ano 2000, certamente gostaríamos de eleger um símbolo de nosso tempo, algo moderno - florido - bem típico de nossa importância regional e arquitetônica. Não algo importado; não precisamos disto, somos muito criativos! Sou formado na Universidade Federal e pós-graduado nela. Acho lindo seu prédio famoso. Só.
- CELITO FREITAS DE MEDEIROS, engenheiro, Curitiba
Armas
Desarmar as pessoas de bem, que compraram armas legalmente, para acabar com a violência, é o mesmo que tomar remédio aqui, para curar um doente que está no Japão. O governo trata a nós, amantes de armas, como se fôssemos nós os responsáveis pela violência que assola o País. Confiscar as armas de colecionadores e atiradores, devidamente registradas e armazenadas como manda a lei, além de ser uma traição (foi o governo quem nos incentivou a registrar todas as nossas armas) é uma afronta a nós e ao Exército brasileiro, que controla e fiscaliza as armas de colecionadores/atiradores do Brasil. O remédio está certo, mas para a pessoa errada. Quem tem que ser desarmado são os causadores de violência e não nós. Vale lembrar que: armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas.
- DAVID M. VIEIRA, Londrina
Governo FHC
Lamentável sob todos os aspectos mais esse episódio (processo de privatização das companhias de telecomunicações) envolvendo o governo do presidente Fernando Henrique. Mais uma vez o interesse da Nação é relegado a terceiro plano. É preciso que haja por parte do Congresso um mínimo de respeito para com a Nação. Não admitimos mais que o governo atual use de tais artimanhas para beneficiar esse ou aquele. Casos como o socorro dado aos bancos falidos, a forma como foi feito o processo de privatização das estatais e a condução direta no processo de venda das empresas de telecomunicações dão a entender que se buscava o favorecimento de determinada empresa, o que é inadmissível.
Por muito menos que isso Collor de Mello foi destituído do poder. Cadê os caras pintadas que tanto barulho fizeram exigindo a renúncia do ex-presidente? Não vão se manifestar dessa vez? Teriam sido eles utilizados como massa de manobra? Será que sabiam o que estava realmente acontecendo? E hoje, por que se calam? Senhores congressistas, se não utilizarem dos meios que lhes cabem para apurar mais esse mar de lama, os senhores estarão incorrendo num grave erro que não será esquecido jamais. A impressão que fica a este povo incauto, como bem disse o deputado José Genoino, é que estamos assistindo a maior operação-abafa da história do congresso. O povo clama pela verdade, doa a quem doer.
- MARCOS RICARDO GOMES, Londrina
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