O LEITOR ESCREVE
Hospital Zona Norte
Como pode alguém ter o direito de decidir quem pode ou não ser atendido num pronto-socorro? Mas é isso que acontece no Pronto-Socorro (se é que pode ser assim chamado) do Hospital Zona Norte. Em meio a sofrimentos alheios, uma dita médica escolhe quem será socorrido e, ainda com um meio olhar, lhe dá logo o diagnóstico: ‘‘Ah, aquele está chapado...’’ Foi o que fez a doutora Lorena. Disse ao ver meu cunhado sem movimento no braço e perna direitos, falando com dificuldade e reclamando de fortes dores na cabeça. Levado a um profissional da saúde sério e compromissado, depois de vários exames e uma tomografia, o diagnóstico: edema cerebral. Não precisamos de adivinhos na Ciência Médica, muito menos carrascos a executar cordeiros, mas sim de homens e mulheres compromissados em salvar vidas. Até quando a incompetência, a mediocridade, o preconceito e a insensibilidade vão reinar no Hospital Zona Norte? Isso precisa ter fim.
- ANA MARIA DE SOUZA VALLE TEIXEIRA, Londrina
Direitos humanos
Discorrendo sobre o período nazista na Alemanha, um grande filósofo germânico contou a seguinte parábola: ‘‘Inicialmente a SS (polícia política) veio buscar os comunistas, e como eu não era comunista, não protestei. Depois vieram buscar os judeus, e como eu não era judeu, não protestei. Em seguida vieram buscar os homossexuais e como eu não era homossexual, não protestei. Em seguida vieram buscar os deficientes físicos. Como eu não era deficiente físico, não protestei. Depois vieram buscar os católicos. Como eu não era católico não protestei. Depois vieram me buscar e não tinha mais ninguém para protestar.’’
Esta parábola mostra bem o que ocorre nos dias de hoje em países como o Brasil. Agora, com a divulgação, pela televisão, da barbárie praticada por policiais na cidade de Diadema, a população brasileira está estupefata e indignada, clamando por providências em relação aos assassinos. No entanto, tais fatos ocorrem no país inteiro, sem que a sociedade civil proteste ou se mostre indignada e pressione as autoridades para pôr cobro a tais selvagerias. Diariamente, pessoas humildes, pobres e negras são massacradas por aqueles que são pagos pelo Estado para protegê-los, e sempre a pretexto de que seriam marginais, quando na maioria das vezes trata-se de trabalhadores. Mesmo que fossem marginais não poderiam ser tratados com violência.
Mas as elites e a classe média parecem acostumadas com a banalização da violência e precisam de um fato como o de Diadema para que a indignação aflore novamente. E a violência é cometida contra presos, sem-terra, sem-teto, índios, negros, favelados, todos os dias. Não se vê nenhuma indignação da maioria silenciosa. Apenas pequena parte de pessoas mais lúcidas e esclarecidas continua lutando para que os direitos humanos sejam respeitados. Oxalá aquele crime bárbaro, praticado por policiais militares em São Paulo, sirva ao menos para que a sociedade civil se engaje na luta para que realmente passemos a ser um Estado de Direito e que a integridade física de qualquer cidadão seja respeitada. Chegou a hora de dar um basta definitivo a todo tipo de violência praticada no País. O peso da lei deve recair sobre aqueles que desrespeitam os direitos humanos.
- RUY S.SAMPAIO, presidente da Câmara de Vereadores de Cornélio Procópio
Uniforme
Tenho algumas considerações a fazer sobre a carta do sr. Laureni Martins Teixeira, ouvidor da SEED. 1º - Independente do uso ou não de uniforme, a questão dos riscos que correm os alunos no interior ou fora da escola é de inteira responsabilidade de outra Secretaria. 2º - O regulamento da APM ou Conselho Escolar não me diz respeito, já que não fui consultado, não corroborando com esse instrumento ‘democrático’. Assim fosse e faria valer o ‘princípio de igualdade’ a que aquele leitor referiu. 3º - A obrigatoriedade de fornecer uniformes a alunos carentes é pura retórica, já que nem mesmo os livros essenciais ao aprendizado as crianças recebem, se os pais não desembolsarem a importância cobrada pelos educadores da ‘loja’, instalada nas dependências da escola, caracterizando comércio, assunto que deveria, em se tratando de um governo sério, ser objeto de fiscalização por parte do Ministério Público. É no mínimo um desvio de atribuições escolares.
O Colégio Hugo Simas demonstrou tratar-se de escola elitista e excludente, situação singular para um estabelecimento dito do Estado. É na qualidade de cidadão esclarecido e pai de aluna expulsa da sala de aula, por não trajar uniforme, que manifesto, através da Folha de Londrina, o meu veemente repúdio. Julgo preciosa a observação dessa Ouvidoria, que se mostrou contrária a esse tipo de expediente, dado que considero esclarecedor. Ademais, desconfio sempre de tudo aquilo ‘tradicionalmente aceito’, conforme suas palavras, porque é por essas vias que em nossa recém-conquistada democracia vem se instalando o arbítrio. Em nome da tradição de oprimir, o caso em questão evidencia tratar-se de ato flagrantemente discriminatório, desrespeitando o Estatuto da Criança e do Adolescente e a própria Constituição Federal. E, o que é pior, com a omissão e/ou conivência com os desmandos das autoridades da Educação, que deveriam, por força de seus cargos, tomar as atitudes que um fato grave como esse requer.
- MAURO MARTINIANO DE MELO, Londrina
Precatórios
O senador Roberto Requião, em nome de tudo que é correto, honesto, moral, etc., ocupa destaque sensacional na mídia de todo o país como relator da CPI no caso ‘Escândalo dos Precatórios - Títulos Públicos’. Mas na minha opinião (e isto chama-se liberdade democrática de expressão), separando-se as partes úteis para o país, o caçador de ‘raposas felpudas’ está começando a fazer o papel de ‘lobo em pele de carneiro’. O maior exemplo recente disto é o fato de que o maior envolvido no escândalo, chamado para depor na CPI, sr. Fabio Nahum, diretor do Banco Vetor, foi convidado na véspera para uma reunião informal, recepcionado pelo irmão do ilustre senador, o deputado federal Maurício Requião, reunião esta secreta (qual teria sido a pauta?) - (Folha de Londrina 1/3/97, pág. 5).
Como o próprio Requião disse, ele só deve satisfações ao seu eleitorado. Mas que preste satisfações mesmo, e para todo o Brasil, pois o cheiro que começa a exalar é o de um lobo que já tem a pele de carneiro escorregando e mostrando realmente as partes, ou seja, como são realmente os fatos transparentes, corretíssimos, moralíssimos nesta CPI dos precatórios. Isto é muito sério. Ou será que o presidente do Senado da República, sr. Antônio Carlos Magalhães, e o senador Bernardo Cabral, presidente da CPI que apura o ‘Escândalo dos Precatórios’, e que foram eleitos pelos próprios senadores, estão equivocados? E o povo brasileiro do Paraná? Devemos continuar levando os fatos a sério ou seria mais um 1º de abril?
- ANTÔNIO C. FUNFAS NETO, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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