O leitor escreve





Violência nas escolas
É inadmissível que tenhamos de conviver por mais tempo com esse tipo de situação. O nível de violência que chegou às nossas escolas é inaceitável. É óbvio que essa é uma questão que tem de receber a atenção de toda a sociedade. É um problema da educação, sim. É um questão de cultura. Todos nós sempre soubemos qual foi a intenção de nossos governantes, com um ensino de má qualidade: apenas para alfabetizar e sair das estatísticas internacionais que nos levaram a ficar relegados a planos muito inferiores na hora de tentarmos um financiamento junto aos bancos Mundial e Interamericano de Desenvolvimento.
As autoridades educacionais precisam tomar atitudes que impeçam essa onda de violência dentro dos estabelecimentos de ensino. Não é possível que nossos alunos, jovens das mais variadas idades e classes sociais, entrem armados nas escolas. É preciso criar um mecanismo, nem que seja a ditatorial revista. Mas que outras vidas sejam poupadas com essa medida preventiva. Não é possível que pais e responsáveis continuem deixando suas armas à mão dos filhos; que não sintam sua falta quando retiradas por esses jovens ‘‘apenas para mostrar aos amiguinhos do colégio’’.
A questão também deve ser encarada como um problema social. Se fizermos um levantamento mais apurado, vamos verificar que tal fato tem acontecido em maior número no seio das classes menos favorecidas e da antiga classe média, cada vez mais média, cada vez menos favorecida. No fundo, também é uma questão cultural. Enfim, são vários os fatores que têm influência sobre o problema. Por isso é necessário que toda a sociedade assuma a responsabilidade.
- MAGNO DE AGUIAR MARANHÃO, reitor do Centro Universitário Augusto Motta, Rio de Janeiro
25 anos de UEL
Gostaria de contar uma história que começou no dia 6 de junho de 1974. Não é uma efeméride expressiva, porém tem um significado singular: comemoração de alguém que completa 25 anos como funcionário da UEL. São tantas coisas, convívio com alunos, professores e funcionários. Sinto orgulho de ser londrinense e passar um quarto de século nos meios educacionais.
Indubitavelmente, o câmpus da UEL é um dos mais lindos do Brasil. As instalações planejadas para as aulas, o Calçadão, as diversidades de áreas do saber científico representam um complexo que funciona harmonicamente, sob o comando de gente que gosta do que faz. Porém, nem tudo nela é maravilha. Há falhas gritantes no setor do funcionalismo, penalizado por atitudes impensadas visando economia. Se entre professores e funcionários houvesse os mesmos critérios relativos a salário e carga horária, forçosamente o salário do pequeno funcionário poderia melhorar.
Sendo um sonhador, tenho fé que os dirigentes sofram uma brusca transformação, sendo mais racionais, e através de ações corretas façam da UEL um mundo humanizante. Sobretudo, que prevaleça o amor e todos da família UEL abracem e se inclinem amorosamente, esquecendo-se as diferenças ideológicas e religiosas. Os anos passaram e muita coisa ficou na poeira inexorável do tempo, quando passei apressado, atropelado, sobrecarregado. Caí, levantei sacudindo a poeira. Vi coisas alegres, tristes, as imagens estão memorizadas. Desculpem-me as reminiscências dos meu vinte e cinco anos de UEL. Confesso que vivi, e sinto orgulho de ser funcionário da UEL, sonhando com caminhos livres.
- OSVALDO CARDOSO RIBEIRO, professor, Londrina
Lição de cidadania
Sábado, 15 de maio, um grupo de acadêmicos do curso de Direito sai para uma aula de campo, numa favela. Perto de 50 jovens acompanhados pelo professor. Pus-me a pensar e tentar entender quais seriam os motivos que levavam um professor a realizar tal aula, dedicando uma tarde de sábado para levar alunos para uma aula na periferia de Londrina. Não seria mais cômodo a esse sociólogo-doutor trancar-se em uma biblioteca e continuar as suas pesquisas, indo à sala de aula apenas para indicar os livros a ser lidos por nós, alunos, e dar as aulas convencionais?
Ao chegarmos, entendi o que levou este professor a nos conduzir. Os discentes, com um olhar impávido, estavam sendo apresentados à realidade nua e crua, a qual muitos de nós ainda não conhecíamos a não ser pelas imagens da televisão. Deparamos com pessoas abandonadas pelo Poder Público, sem a mínima condição de vida, desempregados, alguns até sem ter o que comer. O professor, Dr. João Batista Filho, deu-nos uma verdadeira aula de cidadania.
Aqui mando meu reconhecimento e agradecimento ao professor por esta grande lição, e espero poder encontrar ainda com muitos professores com essa metodologia e dedicação ao ensino. São educadores assim que me fazem crer que podemos ter esperança em uma sociedade melhor.
- MARCOS URBANEJA, estudante, Londrina
Reintegração de posse
Notícias recentemente veiculadas pela imprensa com relação a cumprimentos de mandados de reintegração de posse, determinados pela juíza da comarca de Loanda, Dra. Elisabeth Khater, trouxeram a público reação descabida e absurda da parte das direções estaduais do Movimento dos Sem-Terra (MST), da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Partido dos Trabalhadores (PT), as quais pretendem solicitar ao Tribunal de Justiça do Paraná a proibição da juíza julgar qualquer processo envolvendo questões fundiárias no Estado.
A diretoria da Sociedade Rural do Paraná serve-se também da imprensa para apresentar à juíza sua solidariedade e, ao mesmo tempo, seu repúdio à pretensão dos integrantes do MST, da CPT e do PT, a qual se baseia em falsas premissas e em sensacionalismo, e visa apenas macular a imagem da juíza Elisabeth Kahter, que tão-somente cumpriu seu dever, merecendo, portanto, louvor e não censura.
Consideramos, também, que tal atitude decorre do receio dos representantes do MST, da CPT e do PT, de que volte a imperar a paz e a justiça no campo, no lugar da violência, da ilegalidade e da impunidade que as ações do MST e suas ramificações provocam. De nossa parte, acreditamos unicamente na lei como meio de resolução de conflitos, e na ordem para que possamos produzir em benefício do País.
- FRANCISCO LUIZ PRANDO GALLI, presidente
Pedágio
Mais uma vez deputados da nossa Assembléia Legislativa mostram que de representantes do povo não têm nada. Qual é o interesse do deputado por Maringá, Divanir Brás Palma (PPB) de fazer a defesa do aumento do pedágio, conforme relata a Folha? Certamente não é o interesse do contribuinte que a cada dia depara com uma nova mordida no seu bolso. É aumento da Previdência, aumento de combustíveis etc., enquanto o salário, a exemplo do salário dos servidores públicos está congelado há mais de quatro anos.
Para colaborar com tudo isso, a Folha relata, na edição de ontem: ‘‘O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), também disse recentemente achar natural o reajuste e afirmou que a redução, no ano passado, foi feita para que o governador Jaime Lerner (PFL) vencesse as eleições.’’ É muito escárnio, muito desprezo para com o cidadão comum. Qualquer crítica que se faça a essa fala será acanhada, tal desfaçatez desses senhores, principalmente o do presidente da Assembléia, que é do mesmo partido do governador. Indignação é pouco para definir nosso sentimento.
- J. TARCÍSIO P. TRINDADE, Maringá
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