O leitor escreve
O leitor escreve
Estrada do Colono
Acompanhando de perto a questão da Estrada do Colono desde o seu fechamento em 1986, podemos perceber que o interesse repentino das entidades ambientais pela questão é no mínimo um pouco estranho. A começar pelo pedido de fechamento - equivocado na origem pois pedia a proibição do asfaltamento da estrada e não o seu fechamento - tudo o que veio depois foram equívocos prejudiciais à população regional e ao próprio Parque Nacional do Iguaçu (Sudoeste do Paraná). Durante os 12 anos em que a estrada esteve fechada, nenhuma entidade ambiental preocupou-se com o parque. Os municípios, com as dificuldades naturais, procuraram desenvolver ações, antes um pouco sem rumo, agora mais planejadas, para proteger o meio ambiente. A consciência ambiental da população regional também cresceu, e não merecemos o título de destruidores da natureza que querem nos dar.
A Unesco também entrou nessa história pela contramão. Ao contrário do que indicam todas as convenções da própria Agenda 21, de priorizar a integração entre a população e as unidades de conservação, a Unesco primeiro empunhou a bandeira contra a estrada para somente depois visitar a região, num arremedo de comissão de vistoria cujo objetivo foi tão-somente legitimar uma posição preconcebida do organismo.
Chamo a atenção de todos que verdadeiramente defendem o Parque Nacional do Iguaçu, para que uma análise racional seja feita em relação à Estrada do Colono. O que seria mais positivo, ou se preferirem, menos danoso ao parque: ter uma estrada funcionando com critério e a população ao seu redor motivada a preservá-lo, ou isolar o parque nos seus 180 quilômetros com polícia e arame farpado? É nesse contexto que a questão da estrada deveria ser discutida, sob a razão, de quem vive ao lado do Parque e que o manteve vivo até hoje. A população já demonstrou que vai manter a estrada aberta, e as ONGs não devem considerar-se derrotadas com isso; ao contrário, deveriam utilizar a disposição da população regional e a partir daí desenvolverem seus projetos de educação ambiental, ecoturismo, etc.
- MARGARETE HOBOLD, comerciante, Medianeira
Ibama
Sobre a reportagem Ibama ameaça fechar escritórios no PR, publicada no dia 20: mais uma vez, nosso governo central demonstra que, na sua ordem de valores, sempre vale a pena sacrificar bens sociais - como saúde, educação e meio ambiente - por um bom punhado de dinheiro. Afinal, o que vale mais: a vida, ou um gordo superávit ao final do ano? É esse o ponto central do assunto. Notem que, como apontou o sr. Borges, enquanto vários escritórios são varridos do Estado, mesmo possuindo localização estratégica, dois são mantidos na mesma região - exatamente aquela onde o setor turístico tem maior importância econômica.
Trocando em miúdos, o conceito que a atual administração faz de preservação do meio ambiente não significa a garantia de recursos às novas gerações nem desenvolvimento sustentável, nem a garantia da saúde humana, e muito menos respeito ao grande organismo de que somos parte. Na verdade, para a presente administração, a função do Ibama é a de garantir, apenas, a beleza plástica dos pontos turísticos, em nome desse nobre ideal a que chamamos dólar.
- JULIANO TORRES, Curitiba
Projeto interessante
Soubemos que o juiz José Cichoki Neto, de Londrina, sugeriu alterações na Lei de Assistência Judiciária (nº 1.060/50), para obrigar os recém-formados nas universidades públicas gratuitas a fazer perícias judiciais sem ônus para as partes, três vezes ao ano, durante cinco anos. Encampado pelo Congresso, o projeto está em fase final de apreciação, e, se aprovado, irá resolver um dos gargalos de nosso sistema judiciário: a paralisação de processos por falta de recursos das partes para pagar os pesados custos periciais. Médicos, engenheiros, bioquímicos e outros profissionais, não raro esquivam-se das perícias gratuitas, invocando falta de tempo e outros motivos, e a lei como está é inócua, sem efetividade.
A idéia é tão boa (e justa), que deveria ser imediatamente ampliada, estendendo-se a todos os formados nas universidades públicas que estejam exercendo a profissão, obrigando-os a prestar seus serviços pelos cinco anos, em áreas que deles careçam. Seria uma forma de retribuição mínima por ostentarem diploma custeado por toda a sociedade. Nada mais equânime num país onde existem severas distorções no sistema de ensino. Os jovens bem nascidos estudam desde cedo nas boas escolas particulares e quase sempre ingressam nas melhores universidades públicas gratuitas, enquanto os menos aquinhoados, quase sempre, estudam a vida inteira em sofríveis escolas públicas e, por isso mesmo, quando muito somente conseguem vagas em caras (e por vezes duvidosas) universidades particulares.
- ARTUR HUMBERTO PIANCASTELLI, advogado, Londrina
Visita nas escolas
Desenvolvemos nos últimos dois meses um intenso programa de descentralização, deslocando parte da nossa equipe de trabalho a todos os municípios pertencentes à jurisdição do Núcleo Regional de Educação de Ivaiporã. Foi um trabalho árduo e cansativo, principalmente porque há escolas muito distantes e que jamais haviam recebido, até hoje, a visita de um chefe de Núcleo. Essa foi apenas a primeira etapa. No segundo semestre, estas visitas são feitas novamente, apenas com um maior preparo, pois a experiência foi boa e trouxe ensinamentos para todos.
O relacionamento escolas-Núcleo Regional melhorou muito, e houve maior aproximação de diretores e professores. As visitas sempre terminavam em clima de euforia, porque não possuíam o caráter fiscalizador, como se pensava, mas a idéia de verificar in loco as dificuldades das escolas e de procurar saná-las, dentro dos limites e possibilidades. Outra grata constatação é que a grande maioria dos prédios escolares está em boas condições de funcionamento. Agradeço a todos os diretores, a suas equipes pedagógicas que souberam desenvolver um excelente trabalho, e à equipe do Núcleo, que trabalhou duramente para que o trabalho pudesse ter um final feliz.
- SARA REGINA RODRIGUES FERRO, chefe do NRE de Ivaiporã
Armas
Estamos diante de uma grande farsa, que nossos governantes querem nos impor, proibindo a venda de armas no Brasil. Não é privando o cidadão do direito de defesa que se diminuirá a violência. Idéia absurda e totalmente irresponsável por parte de políticos desacreditados, que querem desviar nossas atenções dos problemas reais. Ninguém em sã consciência pode julgar que uma nação inteira deva ser privada do direito de defesa armada. Nos dias de hoje, não existem policiais o suficiente para proteger toda a população.
Não podemos aceitar esta idéia covarde de confiarmos na sorte, de deixarmos ser conduzidos e aceitarmos tudo o que nos é imposto. Aos que pensam diferente de mim, simplesmente não se armem. Porém, não queiram que eu e muitos outros aceitem como vocês as eventualidades da vida. A idéia do governo é insensata, entregando-nos totalmente à bandidagem. É uma lei vergonhosa. Em caso de confisco de armas, não entregarei as minhas.
- FABIO POMIN LIBERADO, Londrina
Correção
- Na página 1 da Folha2 de ontem, os títulos História começa no século 18 e Estrelas de primeira grandeza (ambos sobre o assunto Balé Bolshoi) repetem indevidamente o mesmo conteúdo em seus textos.
- A professora Nádia Aparecida de Souza entrará com ação judicial contra o médico Augusto Fujimora e o Hospital e Maternidade de Santa Cecília do Pavão, e não de São Jerônimo da Serra, como a Folha Cidades informou ontem.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





