O leitor escreve
O leitor escreve
Crise moral
Há anos que o Brasil se encontra numa profunda crise moral, sem que as lideranças políticas procurem combatê-la com vigor. A sociedade tampouco parece ter-se dado conta das consequências nefastas que a contemporização sistemática do combate à corrupção representa para o País. É impressionante a tolerância que o governo e a sociedade demonstram em relação ao problema. Vivemos num país inacabado, que geração após geração não consegue mudar o seu próprio futuro. É mais a sensação de frustração, de atrofia, de não conseguir passar do tempo de semear para o tempo de colher.
A sucessão de escândalos se mescla com a sessão de impunidades. A quem devemos responsabilizar por este efeito devastador que nos acompanha desde o descobrimento? Para alguns dos mais importantes historiadores que escreveram, a história deste País, o pecado original do Brasil não foi a suposta indolência dos trópicos, nem a presença do sufocante do catolicismo ibérico, nem a nossa vinculação a uma metrópole decadente já no século do descobrimento, também não do modelo agroexportador aqui implantado.
Estes fatores contribuíram para deformar o desenvolvimento, mas a verdadeira chaga teve o seu início na escravidão. Joaquim Nabuco viu bem o problema. O Brasil era, para ele, uma nação sem povo, pois um povo é formado de cidadãos, não de escravos. Todos os esforços para reverter o cenário foram impotentes, deixando rastros indeléveis que maculam nossa história. Insiste a Nação em manter um legado que corrompeu senhores e cativos, inviabilizou a cidadania plena e destruiu nossa
auto-estima.
Acumulamos um saldo enorme de exemplos de sordidez política e empresarial, que nos levou ao declínio do respeito dos cidadãos pelas instituições, autoridades e descréditos pelas empresas. A crise moral nos abraça e vive na raiz de nossa sociedade. Por maior que seja nossa crise moral, não podemos nos deixar levar pelo desencorajamento e aceitar a continuação do declive. A ética precisa ser buscada como princípio fundamental de nossa vida. Como dizia o professor indiano J. K. Melita, subdesenvolvimento não é falta de recurso. É falta de moral. Se a tivéssemos em abundância, viveríamos em outro estágio.
- JOSÉ FILIPPON, presidente da Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic)
Osmar Dias
Terça-feira, dia 18, passei a tarde em casa, arrumando uma papelada antiga da minha biblioteca. Como gosto de política e de oratória, deixei a televisão ligada na TV Senado. Mesmo não podendo ver o programa, pelo menos poderia ficar ouvindo os discursos, muitos dos quais em excelente português. Eis que é anunciada a participação do senador Osmar Dias, a quem foram conferidos 50 minutos. Iniciando com a observação do que não iria ocupar todo esse tempo, nosso senador pôs-se a falar sobre agricultura.
O tempo estourou. Não por culpa de Osmar. Mas por culpa de sua extraordinária competência no assunto. Foi um tal de pedir aparte daqui e dacolá. Todos os senadores que solicitavam um aparte iniciavam suas colocações reconhecendo e enaltecendo a competência do senador paranaense, do ex-secretário da Agricultura do Paraná e assim por diante. Foi empolgante. Foi uma senhora aula sobre as soluções adequadas que o Brasil precisa adotar para sua agricultura, bem como do insubstituível papel dela na economia do nosso País.
- SEBASTIÃO A. MENDONÇA, psicólogo, Londrina
Aguativa
Eu não teria palavras para agradecer a cooperação e parceria que tive de toda a imprensa de Londrina, da região e de todo o Estado do Paraná, na cobertura do Grêmio/Aguativa/Londrina no campeonato nacional da basquete. Foram cinco meses de estreita cooperação que muito me gratificaram. Sempre acreditei no excelente investimento que é o patrocínio esportivo, não apenas em retorno comercial, mas principalmente na motivação de uma cidade em torno de um time, de um ideal, de um objetivo, e gostaria de ver mais e mais empresas investindo nesse setor.
Terminada a participação brilhante dos garotos do Ênio Vecchi no Campeonato Nacional, o Hotel Aguativa volta-se para o patrocínio da equipe de futsal da cidade e estou convencido que teremos igualmente o mesmo apoio, ainda mais que o projeto do futebol de salão extrapola os limites das quadras para situar-se dentro de um projeto social, usando esporte como ferramenta para tirar das ruas, da proximidade das drogas, centenas e centenas de menores que - desde agora - passam a fazer parte de nosso Projeto Criança Ativa. Não fomos derrotados. Apenas não ganhamos. Mas mostramos a todo o Brasil que a garra, a união, o desejo de vencer, de superar obstáculos, pode motivar um grupo de jovens - como nossos jogadores - e fazer deles um verdadeiro time vencedor.
- GILBERTO NESZLINGER, diretor-geral Hotel Aguativa, Cornélio Procópio
Exterior
Excelente proposta a de Ruy Altenfelder no artigo Brasil precisa ocupar espaços no exterior, publicado na última sexta-feira. Sugiro que ele comece seu trabalho convencendo o presidente da Fiesp, Horácio Piva, que ela é melhor do que a guerrilha dos desenvolvimentistas para derrubar o ministro Malan. O maniqueísmo estimulado pela falsa dicotomia que separa os bons (desenvolvimentistas) dos maus (não desenvolvimentistas) é típico de país imaturo e subdesenvolvido. É preferível ser franco, como os produtores franceses, e levar seus frangos e porcos para a Avenida Paulista para mostrar claramente o que os desenvolvimentistas desejam, além de derrubar o ministro Malan e sua equipe.
- EDUARDO JOSÉ DAROS, São Paulo
Escola
A respeito da reportagem Escola interativa supera dificuldades, publicada dia 21, gostaria de saudar a professora Rosa Dias Boin, professores e funcionários da Escola Municipal Eugênio Brugin, que tive a oportunidade de conhecer, que com ações práticas, busca dar a esta geração uma nova perspectiva de vida. Que seja um exemplo a ser seguido e que os nossos empresários brasileiros, que infelizmente ainda não têm uma consciência crítica desta realidade, possa oferecer o apoio necessário. E que os nossos líderes políticos deixem a demagogia de lado e façam a parte que lhes compete. Pode ser uma gota dágua no oceano, mas, este oceano fica bem diferente com estas atitudes.
- RONALDO JOSÉ NASCIMENTO, Lisboa, Portugal
Alerta
É impossível ignorar o descaso do governador Jaime Lerner para com os professores do Paraná. Somos uma classe numerosa, praticamente envolvida com os alunos e seus pais. O governo se esquece do poder da nossa ação sobre os diversos segmentos da população. Estamos pensando em parar para refletir e trabalhar para nós mesmos, com o intuito de conscientização da nossa realidade, que está se tornando um caos, principalmente na questão salarial, hora atividade e condições para que possamos melhorar o ensino no Estado, pois são os professores que mais ajudam os estudantes a ampliar a capacidade de ver e entender o mundo que nos rodeia. É difícil relembrar que fizemos a virada resultando na vitória de Lerner em seu primeiro mandato, pensando em nós e na educação da nossa gente nova. O que ganhamos? Descaso!
- NELSON AVILA SIMÃO, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





