O leitor escreve
O leitor escreve
O grou
É preocupante a atuação do governo federal no campo da política salarial, bem como na de empregos, sem falar nas outras. A pretexto de não comprometer o caixa da Previdência Social, o governo aprovou o ridículo reajuste do salário mínimo mensal em apenas R$ 6,00. Também, a pretexto de economizar para o Tesouro Nacional R$ 2 bilhões ao ano, o governo conseguiu que o Congresso aprovasse, de maio em diante, a cobrança da contribuição previdenciária dos aposentados e pensionistas da União.
Fatos como estes nos fazem refletir sobre o destino dos trabalhadores, dos desempregados, dos aposentados e pensionistas do País, que são as principais vítimas da má atuação do governo, e nos faz recordar da lição de La Fontaine em uma de suas fábulas. Conta ele que havia um país habitado por rãs, cujo governo, embora democrático, não as satisfazia plenamente. De tanto reclamarem ao deus Júpiter, obtiveram a tão sonhada substituição no poder. Porém, sempre insatisfeitas, as rãs continuavam a reclamar de cada novo governante que Júpiter lhes mandava.
As reclamações e as trocas de governo se sucediam, até que Júpiter mandou para governá-las um grou, espécie de ave que se alimentava preferencialmente de rãs. Com o extermínio em pouco tempo de boa parte das habitantes daquele país, um grupo delas foi até Júpiter suplicando-lhe que lhes mandasse qualquer outro governante, até mesmo o pior entre aqueles que anteriormente tiveram, mas que levasse o último que lhes fora enviado.
O grou e o nosso atual governo têm algo em comum. Queira nosso Deus que as coisas não piorem e que a população não tenha que lhe implorar para que Ele traga de volta os antigos governantes, até mesmo o pior entre aqueles dos tempos de nefasta repressão, e que leve embora esse que aí está.
- ARÃO MOREIRA SANTOS NETO, advogado, Londrina
Pedágio
Temos a desagradável surpresa de saber pelos noticiários que teremos alta do pedágio no Paraná. Pelo visto, será a volta ao estado anterior às eleições de 98. Na época do corte da tarifa, que serviu como propaganda eleitoreira, só acreditou no governo o eleitor mal informado. Não sou contra o pedágio, que dá bom atendimento. Mas sou contra os diversos impostos que pagamos (IPVA-ICMS no combustível etc.) para utilizar as rodovias.
O governo que me desculpe pela franqueza, mas sua gestão com o dinheiro público está muito a desejar. Entregou as rodovias do Paraná para a iniciativa privada explorá-la ao seu bel-prazer. Está vendendo tudo que é estatal. Enfiou um monte de dinheiro na indústria, particularmente na Renault e outras estabelecidas na Região Metropolitana de Curitiba e esqueceu-se da agricultura e da pecuária que deram sustentação econômica ao Paraná. Por fim, está acabando com a educação.
O povo que viu crescer este Estado está, agora, vendo o Paraná ser dilapidado e abandonado. Os gastos com propaganda do governo (propaganda enganosa), é um absurdo que tem como único objetivo iludir o ignorante que ainda é de boa fé. Onde estão os senhores deputados que se compromissaram em defender o povo que o elegeu? Este povo que, por imposição de um mau gerenciamento do dinheiro público, passou a ser vegetariano nas pastagens abandonadas por aqueles que na terra plantavam alimentos e produziam. Sinceramente, é o fim do Estado do Paraná.
- JOSÉ CARLOS SIMIONI, Ribeirão Claro
Imposto
Por considerar a Folha um dos melhores veículos de comunicação do Estado, quer por sua idoneidade, quer por sua imparcialidade, gostaria de saber por que ainda não vi publicado, denúncia sobre mais um assalto, mais um roubo, contra uma população indefesa. Trata-se do mais novo imposto criado pelo governo do Paraná, que está vigorando desde o dia 1º e sendo efetivamente cobrado desde o dia 13, chamado Funrejus, nome sugestivo (poderia se pensar num Fundo Beneficente em Nome de Jesus), mas que quer dizer Fundo de Reequimamento do Poder Judiciário, incidindo em 0,20% do valor de imóveis quando dos seus registros nos cartórios. Estamos pagando novamente pela incompetência e pelo arbítrio de um poder podre, maculado, inconsequente e descompromissado com os princípios mais básicos da moral.
Que culpa tem o cidadão se o Judiciário está sucateado ou desequipado? Quem permitiu que isso acontecesse, se realmente for verdade? É o povo que tem que pagar por isso? É um roubo descarado. Tive a infelicidade de presenciar em um cartório de Londrina, pessoas humildes procurando registrar seu imóvel (a maioria adquirida da Cohapar), constrangidas, porque mal tinham, e quando tinham o dinheiro para regularizar a escritura, não de uma casa, mas certamente o sonho de uma vida toda, sem condições de pagar mais esse nefasto imposto, como se não bastassem os pagamentos com uma dezena de certidões, taxas e ITBI. Estavam ali exercendo sua cidadania, pagando seus impostos, já exorbitantes.
Mais incompreensível ainda, é o fato que, segundo informações, a maioria dos municípios ainda não está cobrando o tal de Funrejus, porque os magistrados não têm conhecimento de como proceder e/ou não têm mecanismos para a referida cobrança. De minha parte, como vítima, vou levantar esse descaso até as últimas consequências. Espero encontrar no caminho pessoas dignas, com influência, que possam dar seu apoio na luta contra mais um roubo.
- VALDIR ANTONIO FREITAS DA SILVA, Londrina
NR. A Folha tratou do assunto nas edições de Folha Cidades dos dias 31 de janeiro, 13, 14 e 23 de junho, 5 e 6 de maio.
Poluição sonora
Com relação à carta do leitor Vicente da Paulo Estevez Vieira, publicada no dia 12, reclamando de barulho de casa de shows, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba informa que em vistoria realizada no dia 27 de abril às 23h20min, foi aferido um nível de pressão sonora (NPS) de 63,4 dB(A), medidos de um imóvel vizinho ao estabelecimento, proveniente de música ao vivo, nível este em grande parte possibilitado pela fuga de som através dos orifícios dos exaustores instalados junto a lateral, equipamentos que também geram NPS de 69,8 dB(A). Em face do constatado, o estabelecimento teve sua licença ambiental negada por esta Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
- SECRETARIA MUNICIPAL DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA PREFEITURA DE CURITIBA
Transgênicos
Não é simplesmente por ser transgênica que essa soja faz mal à saúde (Transgênicos dividem pesquisadores, notícia publicada dia 20). Não é apenas de alergias que estamos falando. É bom lembrar que as empresas que vendem a tecnologia dos transgênicos são as mesmas que vendem agrotóxicos. Já podemos vislumbrar, para o futuro, plantas que possam suportar várias toneladas de veneno. Também é bom lembrar que, no mundo inteiro, a tendência é fechar os mercados a esses produtos de qualidade duvidosa. E uma crise de superprodução é tudo que nós precisamos.
- JULIANO TORRES, Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





