O leitor escreve
O leitor escreve
Elogio à vida
Há seis anos, descobri que estava com câncer na região do pescoço. De lá para cá foram cirurgias, quimioterapia e radioterapias. Mas estou enfrentando tudo com a serenidade e a confiança de filha de Deus. Eu acredito no amor dele por mim. Sei também que devemos fazer nossa parte, lutar, rezar, confiar... E que a vontade de Deus deve sempre prevalecer e ser aceita sem revoltas ou brigas. Afinal, nossa vida pertence a Deus.
Apesar de tudo, tenho recebido tantas graças de Deus, ao longo de minha vida, que nem senti vontade de brigar com ele, quando soube que teria que operar novamente. A cirurgia aconteceu no dia 18 de dezembro de 98. Tiraram mais alguns pedaços do meu rosto, mas a minha fé e minha vontade de viver são inabaláveis. As cinco cirurgias foram feitas no Hospital do Câncer, em São Paulo. O sofrimento nos ensina muitas coisas. Recebi muitas visitas e muitas orações. Pessoas de várias religiões oram por mim cada uma a sua maneira. Em minha oração agradeço a todos.
Mas sempre existe alguém que não tem uma fé concreta e fica mudando de religião à procura de um milagre imediato. Foi uma dessas pessoas que começou a me questionar sobre Maria, quando viu sua imagem no meu quarto. Esta pessoa disse que se Maria fosse santa como eu acreditava, por que não acontecia um milagre para que eu ficasse curada. Eu cheguei à conclusão que o milagre que ela queria é que Jesus viesse aqui, por intermédio de Maria, para que eu ficasse curada e voltasse a ser como antes. Na verdade, era ela que precisava deste milagre para acreditar, não eu. Para mim o milagre já aconteceu: estou viva. Depois de um diagnóstico de câncer maligno, cinco cirurgias, tratamentos, vários pedacinhos arrancados, estou viva. Vi minha filha entrar na faculdade, um dos meus filhos se casando e meu neto nascendo. Os outros filhos, já adolescentes, vivem o que a idade lhes oferece. Descobri um marido maravilhoso que cumpre a promessa que fez no casamento de amar na saúde e na doença, sem nunca reclamar. Faz tudo por mim com o maior carinho. Isto tudo é o grande milagre e, com certeza, tem a intercessão de Maria.
Cheguei à conclusão que viver é bom, ainda mais quando se vive ao lado de pessoas especiais. Cheguei também à conclusão que morrer não é tão ruim depois de viver rodeada de amor e cheia de fé.
- TÂNIA ISABEL MOLINARI NEPOMUCENO, Dourados (MS)
Prática e teoria
A universidade é o local onde as afirmações científicas são respaldadas em resultados experimentais bem fundamentados. Esses resultados podem ter sido obtidos por cientistas locais ou estrangeiros à instituição, mas as afirmações nas salas de aula devem sempre estar sustentadas em trabalhos científicos. Assim, torna-se claro que o professor universitário deve sempre estar apoiado em vasta literatura.
Por outro lado, a observação do ambiente universitário mostra que na prática a teoria parece outra. Ao sair das salas de aula, os professores parecem retirar suas roupas artísticas e, retornando ao solo, esquecem-se do rigor científico e dedicam-se a hábitos mais populares, e nadas científicos: as futriquinhas. A observação mais estonteante neste campo, e a que mais acontece no meio universitário, é aquela na qual aparece um PHDeus (desculpem o trocadilho, mas é oportuno e preciso) na área na qual nunca foi formado. Este ser, de vasto conhecimento científico nas áreas dos outros, respaldando-se em sabe-se lá o que, diz o que deve ou não deve ser feito na condução, organização e realização dos trabalhos científicos dos outros.
Alguns, pasmem, alcançam tal conhecimento científico nas áreas dos outros, que dizem até o que pode, ou não, ser feito nos laboratórios alheios. Esta visão, embora focando um lado ruim do ambiente acadêmico no qual sei que também existem muitas coisas boas, pode indicar que a democracia universitária chegou a um nível tão elevado de liberdade no qual a autocrítica e o rigor científico deram lugar à fala fácil sem respaldo científico. O que me parece mais grave é que a discussão científica de alto nível nem aparece na universidade, sugerindo que o ambiente científico sério e crítico saiu dos laboratórios foi para as revistas científicas internacionais e em nada permeou ou contaminou o meio acadêmico. Para finalizar, devo considerar que o que descrevi, pelo menos em parte, pode ter origem na crise econômica que a universidade atravessa, mas precisamos decidir se nesta crise choraremos ou venderemos lenços.
- WILSON ALVES DO PRADO, professor universitário em Maringá
Armas
A ineficaz medida de proibir o comércio legal de armas e a arbitrária e antidemocrática idéia do confisco de todas as armas em condições legais de posse e propriedade dos cidadãos de bem, mostra a total falência de bom senso por parte de nossas autoridades. Em quase 100% dos crimes cometidos por armas de fogo, as mesmas não tinham qualquer procedência legal. Além do mais, a maioria das armas nas mãos dos marginais são de calibres privativos das Forças Armadas, conseguidos através de contrabando, impossíveis de se coibir.
Se houver proibição de venda legal de armas e o confisco das armas legais, as autoridades e os governantes estarão cometendo uma verdadeira traição a todos aqueles que responderam e apoiaram o recadastramento das armas de fogo. Com certeza, somente os marginais terão acesso a elas e todos nós estaremos indefesos.
- FÁBIO BUENO VINHOLO, Londrina
Pedágio
Sobre a notíciaPedágio está superfaturado, acusa PT, publicada ontem: isso vem confirmar aquilo sabíamos na prática, que foi uma grande negociata. O que me espanta é a dificuldade, relatada na notícia, para se conseguir assinaturas suficientes para a instalação de uma CPI. Se há suspeitas, se há até provas, como foi publicado, os deputados, supõe-se, representantes da população, deveriam ser os primeiros a querer esclarecer tudo e não ficar se escondendo atrás de cargos e favores que possam receber do Executivo. Nossa AL continua precisando de algumas aulas sobre o significado de democracia representativa.
- J. TARCÍSIO P. TRINDADE, Maringá
Injustiça
Recentemente vi em um noticiário na TV que foi diminuída a verba para os flagelados da seca no Nordeste. Milhares de famílias deixarão de receber cestas básicas. Passarão mais fome ainda. Gostaria de fazer algumas perguntas a todos os políticos, do presidente da República ao vereador: neste momento de crise, foi diminuído algum salário ou foi tirada alguma vantagem de algum político? Salário de político atrasa, como atrasa o do trabalhador?
- LOURDES APARECIDA MARTHO, Ibiporã
Correção
- O nome do reitor da Pontifícia Universidade Católica de Curitiba (PUC) é Clemente Ivo Juliatto e não como foi publicado ontem no texto Estudantes de Direito protestam, nos cadernos Folha Cidades e Folha Curitiba.
- Em Folha Cidades e Folha Curitiba, título correto de notícia sobre a Universidade Federal do Paraná é UFPR homenageia Esquivel.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





