O leitor escreve





Ética e patriotismo
Em março de 1996, a Folha publicou carta minha, sob o título ‘‘Sentimentos’’, acerca dos casos Sivam, pasta cor-de-rosa, Banco Econômico e Banco Nacional. Fiz críticas ao ministro Malan e ao governo FHC. Passados três anos, nada mudou. Vivemos ainda sem definição do mesmo governo, no combate à ferida da corrupção. As providências para um melhor gerenciamento da Nação continuam na falta de provas que incriminem os corruptos e corruptores. As CPIs foram formadas sob pressão e nem elas esperavam trazer à tona o quanto o País está podre. A falta de ética e de patriotismo do profissional do poder público é tão clara que fere a mente sadia do cidadão.
Não basta ao ser humano viver ensimesmado em seus próprios valores. É preciso que haja harmonia do cidadão com a sociedade numa troca e reconhecimento dos direitos e deveres de cada um, nos seus acertos, erros e desvios e o valor moral dos que os possuem. Este valor moral está sendo subestimado pela força do valor Real. Milhões de brasileiros sustentam uma mentira constitucional que é o povo no poder. Um poder de fome. O poder de trabalhar e contribuir para a riqueza de banqueiros. O poder de assistir a tudo e nada fazer e o poder de pagar impostos. O que intriga são as evidências combatidas por quem dá apoio ao governo, que demonstra medo do final das CPIs.
No artigo que a Folha publicou dia 5, intitulado ‘‘Caixas-pretas, segredos e mentiras’’, está o que todos sabem (menos de 20 nomes revezaram-se no Banco Central nos últimos 15 anos e muitos ficaram bem de vida) e nenhuma providência foi tomada pelo governo, no sentido de apurar lesões ao erário. Por essa omissão muitos brasileiros que cuidam do bem público se acham no direito de ganhar além do seu salário porque sabem que ninguém vai reclamar do prejuízo, já que os órgãos do governo só fiscalizam o ganho de folha de pagamento, e o que é denunciado por irmãos, genros, esposas infiéis e motoristas. Como aceitar que o Tribunal de Contas da União determine que se devolva aos cofres públicos apenas metade dos milhões desviados da construção do prédio do TRT/SP? É pela falta de ética e de patriotismo, como da impunidade, que indivíduos de nariz grande e pequeno ficam ricos quando ocupam cargos públicos. Pelo visto, é melhor ser poderoso e imoral que ser pobre correto sem capital, mesmo que no futuro tenham de residir sem vida num mesmo quintal.
- JOSÉ CARLOS SIMIONI, Ribeirão Claro
Passarela
Sobre a reportagem ‘‘Moradores ainda divergem sobre passarela na PR-445’’, publicada ontem: há dois anos e meio os moradores do Saltinho (núcleo habitacional de Londrina) realizaram a sua primeira manifestação nesta rodovia. Em momento algum os manifestantes solicitaram a passarela. Acredito que uma passarela no local não vai resolver o problema. Os moradores querem que seja planejado um mecanismo para evitar os atropelamentos constantes ali. É a administração municipal quem está apontando para a passarela e ao mesmo tempo forçando a discussão entre os dois bairros vizinhos, porque enquanto os bairros brigam eles observam, e sabem também que não vai haver consenso sobre o local da passarela para resolver o assunto. Não seria melhor um estudo sobre o fluxo de pedestres no local em que o IPPUL (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) está propondo o local onde foi fechado pelos manifestantes?
O problema é a escola que falta nos dois bairros, é o posto de saúde, mercados, etc. O que é melhor: construir passarelas ao longo das rodovias ou dar infra-estrutura para os contribuintes? Foi pensado em estrutura quando da liberação desses bairros para os serviços básicos para a população? Não, no Saltinho não existe sequer espaço para um mercado. E a saída do Conjunto Saltinho? Alguém planejou isso? Creio que a rodovia será fechada assim que acontecerem outros acidentes, e a prefeitura ainda não terá resolvido o problema.
- EDSON CUNHA, Londrina
Busca do homem
Nossa sociedade urbano-capitalista condiciona todos os homens a ter necessidade de pagar pelo que recebeu; de dar tudo em troca de tudo. Não temos condições de aceitar o unilateral: o ajudar por ajudar. E quando isso ocorre, consideramos uma elevação espiritual ou uma busca por autopiedade.
No livro ‘‘A busca das ilusões perdidas’’, de John Steinbeck, o personagem Doc, fleumático intelectual de Monterrey, recebe em troca de sua constante gratidão para com o humilde povo da cidade uma festa grandiosa contando com os personagens do livro. No entanto, a questão bifurca-se no aspecto de que ele, no seu íntimo, precisava dessa festa; necessitava de maior compreensão do público. Essa é a constante busca do homem. Saber aceitar sem poder receber nada em troca ou poder receber sabendo aceitar. Jesus Cristo reformava a idéia de que o amor é natural e para todos. Mas nossa sociedade não aceita e vive pondo preço para todos os nossos atos.
- TIAGO TONDINELLI, Londrina
Saúde
Depois de ter contribuído para a Previdência Social mais de 20 anos e quase nunca ter precisado de exames médicos, e sempre trabalhando, fui ao médico e ele solicitou exame de ressonância magnética para a coluna cervical. Ora, não vou questionar um profissional que estudou mais de 20 anos e que agora me pediu esse exame. Só que tinha de ser autorizado em Londrina, na Vila de Saúde, e isso acabou não sendo autorizado pela médica do local, Dra. Rosângela. Essa necessidade de autorização não deveria existir. Vamos desburocratizar. Como disse um profissional com estudos até no exterior, não precisa que autorizem exames coisa nenhuma. O que importa é que os encaminhe. Faço essa denúncia para que a população e autoridades fiquem cientes do tipo de saúde administrada em Londrina.
- JORGE BELLANTANI, Londrina
Enfermagem
Em relação às reportagens sobre o envolvimento do auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães no assassinato de pacientes no Hospital Salgado Filho, no Rio de Janeiro, é importante salientar que a atitude isolada de um profissional não deve ser motivo de discriminação daqueles que com competência e dedicação constituem importante força de trabalho nas instituições de saúde. É necessário que se separe o joio do trigo.
Na Semana da Enfermagem, comemorada em Londrina no período de 12 a 20 deste mês, prestemos a nossa homenagem aos auxiliares, técnicos e enfermeiros que atuam em um momento em que o atendimento à saúde da população é precário, e a profissão de enfermeiro tem sido caracterizada entre as mais estressantes, exigindo além dos conhecimentos científicos, habilidades e condutas éticas.
- KIYOMI NAKANISHI YAMADA, enfermeira, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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