O leitor escreve





Copel
Li a reportagem com o presidente da Copel, Ingo Hubert, publicada dia 10, e verifiquei que deveria perguntar com minha ‘‘narizada’’ (expressão de quem mete o nariz onde não deve), já que ele responde através de orelhada. Há pontos ‘‘ocultos’’ na entrevista, tais como ‘‘função social da companhia’’. Se é difícil para o governo manter uma tarifa adequada para as pessoas carentes, tendo a empresa na mão, imagine se terá como manter esta mesma situação com uma empresa privada?
Que tal acordo seria este? Será que um aumentinho na tarifa justificaria? Ora, se o ‘‘governo tem inúmeros ativos para caucionar financiamentos internacionais e nacionais’’, quais os recursos da venda da Copel que poderão de maneira mais racional ser aplicados em fundo ‘‘previdenciário’’, saúde e educação? Onde estão, antes da privatização, os recursos que deveriam estar sendo pagos pelas férias dos professores, ou salário dos professores não faz parte da educação? A sugestão parece ainda falida. Ou tem alguém desinformado no Estado.
Até quando o governador terá dinheiro para caucionar os seus financiamentos? Uma vez vendida a Copel, a Sanepar, as rodovias estaduais, o Banestado, os colégios (as estruturas) etc., não terá mais patrimônio. O governo do Estado, através do presidente da Copel e do Conselho de Desestatização, está vendendo uma empresa que em parte foi construída com o suor dos empregados (colaboradores), das contas que o povo pagou, e pagou muito bem, obrigado, porque quando deixavam de pagar eram cortados.
Com parte das doações que muitos de nós fizemos para a Copel, através de extensão de rede, terras cedidas para que tais redes e extensão fossem construídas, e nunca reembolsadas. Destas questões, quanto é que o povo vai receber pela venda da Copel? Será que vale cinco vezes mais que o valor contábil que cada doador ‘‘colaborador’’ merece? Qual é o valor emocional de um bem que se possui? Dizia minha professora da 4ª série, as pessoas possuem valores, enquanto que os bens possuem preço. A antítese é verdadeira quando a tese é empurrada; logo, não posso dar de orelhada.
- BELMIRO GALLO, Maringá
Cenas inusitadas
Seria pitoresco, incomum, talvez até grotesco, se um dia víssemos o Maracanã lotado de índios para assistir a uma partida de futebol entre Flamengo e Fluminense. Eles não entenderiam o porquê de 22 homens correndo atrás de uma bola e três, de preto, com apito na boca gesticulando e apresentando cartões coloridos. Talvez pensassem que se tratava de dança de branco ou um tipo diferente de comunicação. Tudo isso poderia acontecer, apesar de hoje os índios estarem bem mais civilizados, jogando futebol.
Nos últimos dias, nós, brasileiros, estamos como índios nas arquibancadas do Maracanã. Presenciamos pela TV o desenrolar de diversas CPIs para apurar irregularidades praticadas contra o erário público. Irregularidades que já se tornaram comuns no País, como doença contagiosa que vai se alastrando e que deve ser extirpada.
O que nos deixa intrigados, no entanto, é o fato de que até ontem tínhamos a idéia de um sistema político brasileiro composto de três poderes, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário trabalhando em esferas diferentes, porém em sintonia entre si, cada qual com sua soberania. Ficamos surpresos quando o Legislativo criou uma CPI para apurar irregularidades no Judiciário. Será que também o Judiciário poderia criar uma CPI para apurar erros e desvios do Legislativo ou do Executivo?
Podemos nos considerar, nos últimos dias, como cegos no meio de tiroteio ou como índios em pleno Maracanã. Deveria haver uma Comissão Permanente ou uma Câmara Alta formada por diversos setores da sociedade para coibir esses roubos, que acontecem a todo instante no País e, o que é pior, começando de cima para baixo. Nós, cidadãos comuns, ainda acreditamos nos três poderes da República. Apesar de alguns desvios são casos esporádicos que devem ser erradicados para o bem do corpo como um todo.
- WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina
Austeridade
Analisando as reportagens dos jornais assusta-nos perceber que cidadãos ocupantes de alguns dos mais altos cargos do País estiveram envolvidos em diversas e graves falcatruas. É lamentável que ainda persista na Nação uma cultura de desonestidade que insiste em manchar a imagem do poder público, o qual deveria dar o melhor exemplo de austeridade. Nem bem esquecemos o caso PC Farias, que agora retorna ao noticiário, estamos novamente chocados, desta vez com as revelações trazidas por duas CPIs em evidência. A CPI do Judiciário com gravíssimas denúncias em diversas partes da Nação e principalmente contra o ex-presidente do TRT de São Paulo, juiz Nicolau José dos Santos. Por outro lado a CPI dos Bancos, com indícios espantosos contra o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes.
O dinheiro público foi roubado mais uma vez. Esta parece ser a única conclusão segura a que chegamos. O pior está nos indícios criminosos apontando justamente para aqueles que deveriam resguardar nossos direitos, zelar pela ordem econômica e promover a justiça social. O governo brasileiro perde a credibilidade diante do seu povo em episódios como esses. As leis e imposições já não aparecem tão dignas de ser obedecidas, e as autoridades nem sempre merecem o respeito que deveriam ter.
- ROBERTO CARLOS SIMÕES GALVÃO, Apucarana
Zona Sul pede semáforo
Moradores da região sul de Londrina, imediações da Av. Inglaterra, não conseguem entender o descaso dos poderes públicos com relação à falta de segurança. Não há um módulo policial e o roubo e a violência correm soltos. Na área da saúde é um sufoco. Não há um posto de atendimento. Nas imediações, principalmente na Rua Bélgica, passando pela Cooperativa Cativa, não há calçada sob responsabilidade da Prefeitura. O mato toma conta de tudo. Quem quer correr ou caminhar tem que fazê-lo sujeitando-se a ser atropelado. O pedido mais gritante da população, principalmente dos estudantes da Unopar é para que se coloque um semáforo no cruzamento das ruas Finlândia e Inglaterra, antes que ocorra ali um acidente grave.
- OSWALDO CARDOSO RIBEIRO, Londrina
Epilepsia
Sobre a reportagem ‘‘Cirurgia é alternativa contra epilepsia’’, publicada ontem: também fui operado pelo Dr. Marlus Moro e posso afirmar que esta cirurgia é sensacional. Tinha esta enfermidade desde os 15 anos e ano passado fiz esta cirurgia, e desde então fiquei livre de todas os problemas das crises. Inclusive estou em fase de retirada contínua de medicamentos.
- CARLOS EDUARDO ZEM, Curitiba
Correção
- Reportagem sob o título ‘‘Justiça manda MST sair’’, publicada à página 6 da edição de ontem, é de autoria de Paulo Pegoraro, da sucursal de Cascavel, e Sandra Mara Mendes, especial para a ‘‘Folha’’.
- Manchete da 1ª página de ontem ‘‘FHC promete acabar com o PIS e o Cofins’’ contém duas imprecisões: sigla Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) está precedida indevidamente do artigo ‘‘o’’, erro cometido também na página 4; e a referência correta, no texto-chamada da capa, é a ‘‘medidas da reforma tributária’’ e não como foi publicado.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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