O leitor escreve





Loucademia de Polícia
Luiz Geraldo Mazza, em sua coluna do dia 4, no texto intitulado ‘‘Loucademia de Polícia’’, observa: ‘‘O governo não controla a Polícia e a sociedade, infelizmente, não controla o governo’’. Acrescento que também o Judiciário sofre carência de controle na administração da Justiça. Explico: em 5 de abril de 1997, meu filho foi atropelado, às 10h05 da manhã, quando cruzava a pé a faixa de segurança da lombada eletrônica da Rua Guararapes, próximo ao Shopping Água Verde (em Curitiba), vindo a falecer dias após. O motorista, sem prestar socorro, evadiu-se sem diminuir a marcha (97 km/h na fotografia digitalizada tomada pelo aparelho). Só dois meses depois da ocorrência chegou-se ao suspeito, que, interrogado no inquérito IP-46/97, reconheceu-se na foto, o mesmo ocorrendo com sua acompanhante: tratava-se do policial civil José Augusto Mendes Paredes e de sua namorada Suzany Maria Cheira.
O delegado que presidia o inquérito, Jaime Gonçalves de Castro, depois de receber ameaças anônimas, foi assassinado em frente de seus familiares, por policiais civis, que o abordaram na noite de 9 de julho de 1997. O assassinato não foi devidamente esclarecido até hoje. A conclusão do inquérito ficou a cargo do delegado Artem Dach, que indiciou o atropelante em homicídio culposo qualificado (Artigo 121 do CPB), encaminhando o inquérito à Justiça, em 23 de setembro de 1997, onde foi transformado na ação penal nº 97.5701, na 1ª Vara de Delitos de Trânsito.
Contrariando os requisitos legais, com uma rapidez inusitada nos meios judiciários e sem o conhecimento dos familiares da vítima, ao oferecer denúncia o promotor Ricardo Pires de Albuquerque Maranhão, em 29 de setembro de 1997, propôs e o juiz Rogério Luiz Nielsen Kanayama prontamente aceitou a suspensão condicional de processo por três anos, com possibilidade de extinção de culpabilidade findo o prazo, fundamentado no Artigo 89 da lei 099/95 (Juizados Especiais).
Com os favores da lei aplicados no processo judicial, o réu ficou isento também das sanções propostas pela Corregedoria da Polícia em processo administrativo, voltando ao trabalho, e mais uma vez demonstrando que a prepotência, a violência e a corrupção policial são frutos da impunidade. Para mim e milhões de brasileiros, que como cidadãos comuns respeitaram e acreditaram na lei e na justiça dos homens, fica indelevelmente marcada a impressão de que vivemos a ficção orwelliana em que ‘‘todos são iguais perante a lei, porém, uns são mais iguais que outros.
- ELBIO LUIZ BRUNI, Curitiba
MST
Reportagem ‘‘Presença da PM causa tensão no Noroeste’’, publicada na última segunda-feira: acho que estes integrantes do MST são engraçados e incoerentes. Dizem que a Polícia causa tensão pela sua presença. E a tensão causada pelos invasores aos proprietários, familiares e funcionários das propriedades ocupadas? Eles ainda têm a cara-de-pau de dizer que a desocupação foi ilegal. Como os valores estão invertidos! Invadir propriedade dos outros agora é legal, e a Polícia cumprir o seu dever de proteger o patrimônio da população é ilegal.
Isto está ficando muito interessante. Daqui a pouco vou fundar o ‘‘MSR’’ (‘‘Movimento dos Sem-Real’’). Como a distribuição de renda no Brasil não é uniforme, acho que devo invadir a Casa da Moeda ou algum banco. Podem até pensar que não, mas o MST faz o mesmo, não respeita quem trabalhou, talvez a vida toda, para conseguir algo, e invade as propriedades, saqueando e depredando o alheio simplesmente porque tem o apoio da oposição.
Estamos cansados de ficar assistindo pela imprensa pessoas defendendo os direitos do MST, mas ninguém defende o direito do trabalhador destas propriedades, que ganham seu pão honestamente e não às custas dos outros. E mais: se eu, cidadão normal, for abordado por um policial com uma arma na mão serei preso; mas para os integrantes do MST - ou melhor, capachos da oposição - a lei não deve ser aplicada. Será que o MST usa armamento para mexer o cafezinho? Quem anda armado é bandido ou Polícia.
- JULIO C. FABIO, Medianeira
Projeto Vô
Desejo cumprimentar o prefeito de Londrina, Antonio Casemiro Belinati, pela feliz e importante iniciativa de construir um prédio próprio para atendimento da população idosa carente nos moldes do PAI (Pronto Atendimento Infantil) que tão bons serviços já vem prestando à população dos menores. O Projeto VÔ é uma feliz iniciativa e que deve atender os idosos carentes, estes, abandonados à própria sorte pelo governo e às vezes até pela família. Em nossa vida, nas duas extremidades somos absolutamente dependentes, quando crianças e quando velhos. A criança é ainda totalmente dependente, o que acaba tendo uma vantagem sobre o idoso, pois é muito mais fácil que as pessoas acolham com amor e carinho uma criança.
Já os mais velhos acabam rejeitados, sendo muito difícil, ou até mesmo impossível, que alguém fora da família, acolha um idoso; ainda mais se este não gozar de plena saúde, ficando assim sem amparo no fim da vida. Depois de tantos trabalhos e lutas é triste viver essa situação. Portanto, meu caro amigo Belinati, grande político e grande prefeito, faça tudo o que puder pelos idosos, pois todos nós lá chegaremos, a menos que sejamos interrompidos ao meio de nossa caminhada terrena. Se Deus assim permitir, faço questão de estar presente à inauguração do VÔ, que espero que seja em breve.
- WILSON BAGGIO, agropecuarista, Cornélio Procópio
Pesadelo
A cidade dos meus pesadelos tem um clube de dança gauchesca localizado entre diversos imóveis residenciais, emitindo som em altíssimo volume durante toda a noite e madrugada nos finais de semana. A cidade dos meus pesadelos tem uma administração municipal inoperante, a qual nada faz para que os munícipes possam gozar de uma tranquila noite de sono. A cidade dos meus pesadelos não atende aos reclamos dos cidadãos contra a impossibilidade de dormir nos finais de semana. A cidade dos meus pesadelos tem uma Secretaria do Meio Ambiente ineficiente, a qual permite a emissão de som acima do aceitável e que impede várias famílias de dormir nos finais de semana. A cidade dos meus pesadelos passa a imagem de cidade de Primeiro Mundo, no entanto, não se sabe de qual mundo. Resido em Curitiba, esta é a cidade dos meus pesadelos, principalmente às 3 horas do dia 9 de maio, e sem poder dormir por conta de um bailão chamado ‘‘Tradição Gaúcha’’, localizado no Bairro do Boqueirão.
- VICENTE DE PAULO ESTEVEZ VIEIRA, Curitiba
Correção
- Legenda da foto intitulada ‘‘Nos campos de golfe’’, referente à inauguração do Maringá Golfe Club, em Maringá, com a presença do ministro Rafael Greca, do Esporte, Turismo e Juventude, publicada na 1ª página de ontem, inadvertidamente omitiu a citação do príncipe D. Eudes de Orleans e Bragança, que está dando a tacada inaugural do clube. A omissão também ocorreu na notícia, publicada em Folha Esporte.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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