O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Feliz Páscoa
É sincero meu augúrio. Augúrio de alma cristã. Valendo para o substantivo o que, realmente, o substantivo vale para os seguidores do Cristo. Visto que muitíssimos, inclusive cristãos, põem o feliz noutros substantivos, bem distantes do sentido cristão. Não poucos irão cantar o aleluia nas praias (e o calor está convidando), outros nas fazendas e nas viagens e, sobretudo, nos famosos bailes do sábado da aleluia - antigamente sábado santo. Paciência. Cada um é livre de pisar o seu chão. Não obstante, é enorme a turba dos que vão se rejubilar com o Ressuscitado - sorvendo, a haustos cheios, as graças da Redenção. É urgente revitalizar o espírito do Evangelho. Não somente em manifestações solenes - grandes palavras e largos gestos - mas em atos que definam o verdadeiro seguidor do Nazareno. O mundo está cada vez mais mesquinho diante do seu fantástico progresso. Cada vez menor defronte de tamanha grandeza. Ao cristão cabe, severa obrigação, gritar Feliz Páscoa com coração leal e convicto, com alma aberta e transfigurada. Desejar a felicidade que o tempo não corrói, nem as coisas e os fatos depauperam. Aos irmãos londrinenses, de cantos e recantos, meu grito sonoro e límpido: Feliz Páscoa - com o Cristo que venceu a morte, o pecado e o inferno.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Lei nazista
Tenho para mim que o nosso corpo é sagrado. Em nenhum país do mundo civilizado tomam órgãos e tecidos à revelia do morto, quando ainda vivo. Por que o bafômetro surgiu? Porque o cidadão, ainda que visivelmente alcoolizado, tem o inalienável direito de proibir que lhe toquem no corpo para extrair sangue. A indústria mafiosa da saúde cobra R$ 2 mil o litro de sangue, que é generosamente doado pelo povo castigado e subnutrido. Cobra também o leite materno, para salvar a vida de bebês prematuros, doado por mães privilegiadas que o segregam em abundância. Por isso há que considerar a auspiciosa mercantilização potencial de órgãos para transplante e o abominável tráfico de órgãos para o exterior.
Quem garante que uma pessoa em coma ou em sono cataléptico seja ou não considerada em morte cerebral, estando à mercê da eventual incompetência do médico que a assiste? Teria de ser examinada, na verdade, por um neurologista altamente gabaritado, com absoluta acuidade. Por isso sou visceralmente contra essa lei estapafúrdia e arbitrária, que considera todo cadáver doador em potencial, à revelia do morto, quando ainda vivo, ou da família dele. Repudio-a solenemente. Não quero ser esquartejado.
À Ordem dos Advogados do Brasil cabe a grave responsabilidade de mover ação popular para lançar por terra essa lei nazista. Não admito que se pratique esse aviltamento póstumo à pessoa humana, como se tratasse de um rebanho impessoal. Como alternativa sugiro o inverso - a todo cidadão predisposto à doação caberia providenciar um novo RG - carteira de identidade - em que conste: sou doador de todos os meus órgãos e tecidos. Através de campanha nacional, para facilitar a substituição do novo RG, os doadores aumentariam de tal sorte que as equipes de transplante não conseguiriam absorver o montante das doações.
- ANTONIO DONATZ RIBEIRO DA SILVA, Curitiba
Professores
O governador Jaime Lerner enviou, segunda-feira, o quadro de carreira dos docentes das IEES paranaenses para a Assembléia Legislativa do Paraná, reivindicação antiga dos docentes. O projeto original de carreira foi amplamente discutido e aprovado em todas as instâncias das IEES. Esse projeto ficou, por mais de dois anos, perambulando nas secretarias do governo. Foi conseguido agora graças à mobilização do movimento em defesa do ensino superior, armando acampamento em frente ao palácio, que teve como pedir audiência ao governador, para que ele pudesse esclarecer sua política com relação ao ensino superior paranaense. Embora ele não tenha sido concretizado em virtude do descaso desse governo com as entidades democraticamente eleitas e por conseguinte representativas, jurídico e política, das respectivas categorias, ele foi realizado em parte.
Recebemos o projeto de carreira com mudanças significativas, alterando aquilo que havia sido apresentado, com a justificativa de que os cortes são para que o Estado possa continuar mandando os salários atuais em dia. Isto é, ele beneficia mais os picaretas do que aqueles que se dedicam exclusivamente à Universidade. A luta pela audiência com o sr. Jaime Lerner não foi cancelada, pois temos questões sérias sobre a qualidade do ensino superior paranaense: autonomia, artigo 205, precatórios, plano de capacitação, redução salarial, padrão unitário de qualidade, criação de cursos novos, eleições para reitores. Continuamos cobrando essa audiência. Esperamos que o governador tenha a sensibilidade para nos receber e abrir, assim, um canal de negociação, até porque as universidades estão morrendo e não podemos ser penalizados por mais esse ônus político.
- SINDIPROL - SINDICATO DOS PROFESSORES DE LONDRINA
Biblioteca
Tenho 13 anos e estudo no Colégio Aplicação, onde curso a 8ª série. Minha indignação é com a Biblioteca Pública de Londrina, que está fechada desde o dia 23 e assim ficará até o dia 31. Como em todas as escolas os professores aproveitaram os feriados para passar trabalhos aos alunos, fiquei surpreso quando fui à Biblioteca para fazer um trabalho sobre clonagem. Não pude porque ela não está funcionando. Somos um povo quase sem cultura. E da maneira como vai continuaremos assim, pois o local onde deveríamos buscá-la permanece fechado durante uma semana. Isso é normal?
- TIAGO SOUZA BOTINO, Londrina
Ama as árvores
Na quadra da rua Gal. Horta Barbosa (entre as ruas Bernardo Sayão e Souza Naves) onde existiam árvores, hoje, infelizmente, há apenas cinco sinais de onde elas viveram e tombaram. O fato que se constata leva-nos a imaginar como andará a situação do replantio de mudas de árvores em Londrina. É de todos sabido que as árvores desempenham várias funções: neutralizam a poluição, produzem sombra, dão abrigo ao homem e aos pássaros, fazem a síntese da matéria orgânica através da energia solar e ainda ajudam a manter o equilíbrio do meio ambiente. A julgar pelo triste exemplo daquela quadra, teme-se que Londrina venha a se tornar - no futuro - uma cidade comprometida ecologicamente, com geração de riscos e danos para seus munícipes. Com a palavra a AMA (Autarquia do Meio Ambiente).
- JOSÉ ÁLVARES DELFINO, Londrina





