O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Rezek e Tiririca
O Brasil trata com muito descaso seus grandes nomes, exceto os jogadores de futebol e quejandos (Nada contra? Pelo contrário! Mas por que ofuscar os demais?). Vejo agora o pífio noticiário sobre o ministro J. F. Rezek, mineiro, 52 anos, autor de obras de grande aceitação como Direito Internacional Público, professor do Instituto Rio Branco, da Universidade de Brasília. Ministro do Supremo tribunal e eleito Juiz da Corte Permanente de Haia, na Holanda.
Raríssimos brasileiros chegaram lá. Rezek fez brilhante carreira como professor de Direito Internacional Público na Universidade de Brasília e brilhante foi sua passagem pelo Itamaraty, onde granjeou, pelo que se sabe, grande prestígio como professor do Instituto Rio Branco. Juiz do STF muito jovem, pouco mais de 45 anos, Rezek provou como pode um filho de imigrante sírio, nascido no interior de Minas Gerais, superar as limitações de uma família modesta.
Qualquer país mais civilizado estaria festejando essa nomeação, mas neste país de analfabetos e doutores (como bem disse o FHC) o importante é ser tiririca, é ostentar ignorância, arrotar incultura. Qualquer um que saia da mediocridade que avassala esta terra de Pindorama merece inveja e desconsideração. Cultuamos a inveja, o desprezo pelo saber e a exaltação da vulgaridade. Temos síndrome do subdesenvolvimento. Romper isso é a tarefa de FHC. A eleição de Rezek para a Suprema Corte de Justiça de Haia mereceu menos espaço na mídia do que o filho do Tiririca. Isso é Brasil.
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão
Direito do cidadão
Há visivelmente, do ponto de vista municipal, estadual ou federal, um abandono subreptício de nossas autoridades, e principalmente da classe política, de políticas de incremento ou investimento nas áreas de saúde. Os fatos sobejamente têm demonstrado, através dos mais chocantes noticiários em todas as regiões do país, capital ou interior, do abandono desta área tão vital para a população aparentemente nos dizendo quanto pior melhor. A crise do Hospital de Clínicas de Curitiba é um exemplo clássico dentre os demais, onde um Estado teoricamente sem problemas estruturais de maior gravidade, tem dificuldades de manter-se, ou colocar em funcionamento todo o seu potencial acadêmico, por falta única e simples de verbas represadas em Brasília. Por que tal comportamento de nossos governantes? Haveria algum fato novo, na chegada do terceiro milênio, que intuitivamente nos sinalizasse para a diferença do discurso à prática? A mensagem é clara e cristalina.
Afora o fato de que saúde não traz dividendos políticos, o governo e classe política chegaram à conclusão real, de que a nossa constituição coragem é paternalista, e em outros tempos, no modismo das social democracias, fomos deixados levar pela tendência mundial que naquela época estertoravam no Velho Mundo. Na realidade, lamentavelmente, o nosso atual governo hesita em discutir esta temática tão explosiva para, reconhecendo a absoluta falta de recursos, deixar a saúde ao livre sabor das correntes e vertentes, permitindo um gradual processo de privatização do sistema ou autogestão pela própria população. Exemplos recentes são o plano PAS do município de São Paulo e da Bahia, onde se iniciou o processo de cheques saúde, como única solução para o financiamento deste enorme ônus para o Estado. A solução é alvissareira, mas até que ponto aceitável, politicamente? Não há dúvida de que caminhamos celeramente para isto, tanto nesta área como na de educação, mas a população está avisada? Estaria preparada para assumir o custo dessa conta matemática? Afinal de contas na ponta do lápis, saúde sempre foi e será um subproduto da economia.
- ROBERTO NOGUEIRA BOSCARDIN, médico em Curitiba
Páscoa
Como sabemos, Páscoa significa passagem e foi instituída no Egito para comemorar o acontecimento da redenção de Israel. Aquela noite ia ser muito celebrada em honra do Senhor porque foi nela que Ele feriu os primogênitos dos egípcios, poupando as casas dos israelitas em cujas ombreiras havia o sangue do cordeiro. Todos deviam estar de pé, com os bordões nas mãos, cingidos o lombo, esperando a ordem de marcha. Seguidores de certas igrejas, seitas ou mesmo filosofias que querem comemorar a Páscoa devem fazer como a Bíblia ensina, praticando e usando os mesmos elementos conforme determinação de Deus.
Dever-se-ia matar o cordeiro ao entardecer. Devia ser assado inteiro e comido com pães ásimos e ervas amargas. O sangue derramado representava expiação. As ervas amargas significavam a amargura do cativeiro. Os pães ásimos eram emblema da pureza. A ceia pascoal devia ser tomada pelos membros de cada família.
Os israelitas defendidos pelo sangue nas ombreiras das portas (tipologia de Jesus) que derramaria seu sangue para nos libertar, salvar, também os fazia lembrar das aflições de que haviam sido libertados e santificados para o serviço de Deus. Passaram a ser o povo de Jeová em alegre e jubilosa comunhão com Ele. Nem antes da partida, nem no deserto, muito menos na terra conquistada, ouviu-se falar em coelhinho, ovos pintados ou missas. Os verdadeiros cristãos devem comemorar a Páscoa como a bíblia manda.
- ALCEU ZANDONÁ, Cascavel
Shows na Exposição
Ao ler, dia 10, na Folha de Londrina, os nomes dos artistas que se apresentarão na nossa exposição agropecuária, deparamo-nos outra vez com a falta de opções em relação aos diferentes estilos musicais. Faltou originalidade e foram escolhidos somente cantores sertanejos, grupos de pagode e do chamado axé music, privilegiando apenas uma parcela dos frequentadores. E a nossa música popular brasileira? Há quanto tempo não vemos um show de qualidade em Londrina? O último foi de Marisa Monte, há um ano. Espero que um dia meus filhos desfrutem do que realmente a música tem de bom para nos oferecer.
- JÚLIO CÉSAR DE SOUZA, Londrina
Papagaio come milho...
Quem perdeu a oportunidade de sediar a próxima Olimpíada não foi o Rio de Janeiro. A violência está em toda parte. São Paulo tem mais. Dia 3 ouvi pela BBC de Londres que o Brasil não seria escalado. Nossa mídia lá fora está embaixo do poço. A violência, prostituição infantil, saúde na UTI, narcotráfico, dívida externa, briga permanente entre Governo e oposição fizeram do Brasil um lençol de lama do Acre aos pampas. O Rio não perdeu. Quem perdeu foi o Brasil. A gente não precisa de Olimpíada. Necessitamos de saúde, segurança, dinheiro, vida barata, moral, paz e amor. O resto é conversa para boi dormir.
- MÁRIO FILHO, Recife





