O Leitor Escreve
Descobrimento
No ano 2000 serão comemorados os 500 anos de descobrimento do Brasil. Sob qual ótica, se os indígenas já habitavam a Terra de Pindorama, respeitando-a e preservando-a? Pedro Álvares Cabral e D. Manoel, o Venturoso, que me perdoem, pois o Brasil já havia sido descoberto. De qualquer forma, os não-índios comemorarão a descoberta da terra que, segundo a carta enviada por Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, era fértil, bela e habitada por seres que andavam nus e adornados com penas coloridas. Parece que na primeira carta à Coroa já ficou registrada a existência dos índios como habitantes do Brasil, apesar de muitos ainda ignorarem tal fato.
Séculos transcorreram e ao longo deles muda a vida dos índios, principalmente das nações que sofreram o impacto do primeiro contato, como é o caso da Grande Nação do Mercosul, a Nação Guarani. As únicas preocupações dos ‘‘lusitanos descobridores do Brasil’’ eram garantir a posse da nova terra ‘‘descoberta’’ para a Coroa de Portugal e ‘‘pacificar’’ os povos ‘‘primitivos’’ que aqui encontraram.
Quinhentos anos se passaram e a história continua contada sob uma ótica, a do dominador. Há um débito de meio milênio para com os índios, sem falar no desconhecimento quase total do que deles herdamos, com cerca de 5.000 vocábulos, encontrados em nosso dicionário (mandioca, xará, caju, mate etc.). Herdamos também técnicas de plantio e hábitos que até hoje possuímos, como o uso da erva mate, herança da Nação Guarani aos habitantes do Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil, países onde os guarani perambulavam livremente.
O dia 22 de abril de 1500 é data manchada de vermelho e branco, vermelho representando o sangue dos índios massacrados (eram cerca de 5 milhões em 1500 e hoje são apenas cerca de 200 mil) e branco representando a sua ausência na história oficial como cidadãos civilizados, apenas com especificidades culturais.
- LAINE DE ANDRADE E SILVA, consultora para Assuntos Indígenas da Câmara de Integração do Mercosul, Curitiba
Belinati
A respeito da notícia ‘‘Diretores da AMA pedem exoneração; Belinati aceita’’, publicada anteontem: o prefeito, como conhecedor do manejo dos meios de comunicação - uma vez que foi radialista antes de atuar na política - demonstra, a cada notícia de irregularidades surgidas em sua administração, ao longo de seus três mandatos, que não escolheu Londrina como reduto eleitoral à-toa. Por mais que vazem informações acerca do que ocorre nas várias secretarias - e que, portanto, deveriam ser de conhecimento da administração principal - o prefeito acaba por forjar situações que o isentem de qualquer responsabilidade.
Está aí o exemplo da denúncia envolvendo irregularidades nos serviços contratados pela AMA (Autarquia do Meio Ambiente), e que acabou pela exoneração dos cargos dos seus três principais funcionários. Não sabemos o que aconteceu, de fato, com a outra denúncia de serviços irregulares, avalizados pela administração municipal, prestados por uma empresa responsável pela produção de fotos aéreas solicitadas pela prefeitura no ano passado.
Não pretendo acusar ninguém, pois não tenho provas incisivas para tal. Apenas aproveito um espaço dedicado aos leitores para que um cidadão, na essência da palavra, possa questionar, mais ainda, como londrinense, alguns acontecimentos e atitudes protagonizados pela administração municipal, que fogem da esfera política.
- DIEGO PRAZERES, Curitiba
Paraguai
Recentemente, centenas de trabalhadores brasileiros foram protagonistas de maus-tratos no Paraguai. São os chamados ‘‘brasiguaios’’. Muitos brasileiros eram e são tratados de forma discriminatória, pura e simplesmente por buscarem trabalho onde lhes é possível trabalhar, muitas vezes, ainda de forma indigna. Mesmo assim, foi necessário que ONG’s se manifestassem com respeito à situação para que a sociedade brasileira tomasse conhecimento das atrocidades cometidas contra eles, sabendo-se que muitos deles chegaram a ser presos como se fossem criminosos.
Em contrapartida, os recentes acontecimentos ocorridos neste país vizinho nos fazem lembrar a velha história do ‘‘dois pesos, duas medidas’’. Enquanto os trabalhadores brasileiros eram aviltados além-fronteira, o governo brasileiro demorou, e muito, para tomar medidas diplomáticas para solucionar o caso. Já quando se fez necessário ceder asilo político para um presidente, este mesmo governo chega a enviar um avião para escoltar sob segurança máxima alguém que estava sob ‘‘jurisprudência’’ externa. Não cabe aqui julgar a concessão ou não de asilo político. Cabe, sim, questionar a rapidez com que tal ato foi realizado, contrapondo-se frontalmente à morosidade das atitudes tomadas quando de fatos que atacavam a dignidade de cidadãos brasileiros residentes e trabalhadores naquele país.
É certo que o direito internacional deve ser respeitado em todas as suas instância e acordos, mas a pergunta é pertinente: por que não se protegeu aqueles trabalhadores com a mesma eficácia com que protegeu-se o ex-presidente do Paraguai, Raúl Cubas?
- MARCOS FONTINELLI, Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

mockup