O Leitor Escreve
Trote de morte
A sociedade tem que repudiar veementemente e exigir uma ação conjunta em todas as faculdades do Brasil, especificamente as de São Paulo, em defesa dos universitários, para coibir qualquer tipo de trote, principalmente porque os ‘‘troteiros’’ sempre estão bêbados, daí perderem a noção daquilo que praticam. Está aí uma lei que o desgoverno do Brasil deveria fazer, uma lei proibindo tamanha crueldade, punindo com cadeia quem a desrespeitasse, independentemente se os culpados estivessem embriagados ou não. A bebida, às vezes, é desculpa.
É inadmissível que, somente em São Paulo, dois casos recentes tenham virado manchete de página policial, sendo que houve uma morte. Há poucos meses um rapaz foi encharcado de álcool e os ‘‘colegas’’ atearam fogo nele, dizendo nas TVs que era ‘‘brincadeirinha’’ de calouros de Medicina. Ressalva: todos estavam completamente embriagados. Agora, há dias, um jovem nissei foi espancado e impedido de sair de uma piscina, a piscina do batismo da morte, pois os ‘‘troteiros’’, aos risos e drogados, empurravam-no de novo para dentro, até que finalmente conseguiram seu intento, ou seja, mataram o rapaz. A partir de então, um pacto de silêncio passou a existir.
Isso tem que acabar. A começar por duas proibições sumárias: venda e consumo de bebidas alcoólicas dentro de estabelecimentos de ensino, e os trotes macabros que levam ao delírio, ao êxtase, quase ao orgasmo, aqueles desequilibrados que impõem aos novatos a humilhação, e agora também a morte. Essa diversão de filhinho de papai riquinho metido à besta tem que parar já, em nome das vidas roubadas precocemente de quem desejava apenas estudar. O que dizer a essas famílias enlutadas por motivo tão vil? Com a palavra os senhores reitores permissivistas, que jamais sequer tentaram coibir esse tipo de atrocidade e ainda encobrem os assassinos. São cúmplices e também devem ir para o xilindró.
- FERNANDO EGYPTO BEZERRA, Petrópolis
Hora da merenda
- ‘‘Boa noite. Vocês desejam alguma coisa?’’ Foi com estas palavras que minha atenção foi desviada de uma das cenas mais emocionantes do filme ‘‘Shakespeare Apaixonado’’, ganhador de vários Oscars. Ao meu lado estacionou um carrinho, do tipo usado nos aviões, repleto de refrigerantes, pipoca, chocolates etc. em plena sessão do cinema. Apesar de não acreditar no que estava vendo, respondi que não desejava nada, apenas queria assistir o filme, o que não foi possível, pois a garota, logo à minha frente, achou que já estava na hora da merenda.
Após perguntar e se decidido os itens a comprar, chegou a hora do troco. As vendedoras não conseguiam enxergar as moedas, e de joelhos, tentando não tumultuar muito, perguntavam para a freguesa se ela não teria mais trocado. Será que daqui para a frente seremos obrigados a conviver com esse tipo de comércio? Os gerentes de cinema não podem confundir cinema com circo, pois neste último o silêncio não é o mais importante. Não sou contra a venda das balas, mas isso não deverá ficar restrito às salas de espera, pois assim que a projeção do filme começa, todo silêncio é imprescindível para que possamos desfrutar dos momentos mágicos que todo filme proporciona nos seus espectadores.
- MARINILCE FERREIRA DOS SANTOS, Londrina
Rádio Alvorada
A ‘‘Emissora da Família Paranaense’’ completa neste domingo, 18 de abril de 1999, 35 anos de benfazeja atividade radiofônica. Apraz-me abraçá-la na pessoa do seu atual diretor e dos demais funcionários. E desejar-lhe um trabalho crescente e profícuo de evangelização, visto que foi com esse elevado intuito que a imaginou e gerou o saudoso arcebispo dom Geraldo Fernandes. E é o que ela tem feito, eficientemente, desde o longínquo 1964. Sem dúvida serão lembrados, nas celebrações festivas, os nomes daqueles que a conduziram com destemor, fidalguia e agrado. São notas marcantes de uma emissora de rádio. Infelizmente há muitas por aí que aberram abertamente de sua missão. Ainda bem que a Alvorada e outras coirmãs levam aos ouvintes durante as 24 horas do dia - todos os dias - o alimento sadio da inteligência e a nutrição saborosa do coração. Faço votos, e tão sinceros, que o Espírito Divino sopre aos ouvidos de todos os locutores da ‘‘Emissora da Família Paranaense’’ as mensagens de fé e de amor que os ouvintes esperam e querem ouvir. Parabéns, querida Aldorada.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Pacificador
É realmente de dar nojo a maneira pela qual os Estados Unidos se impõem na maioria dos conflitos mundiais. Denominando-se poderosos e capazes de julgar nações, os americanos seduzem o mundo com jogos políticos baratos. A demagogia e a hipocrisia são armas fundamentais nesse jogo em que o principal objetivo é conseguir do mundo um rótulo de justiceiro e de pacificador, enquanto na verdade milhares de sérvios civis inocentes são bombardeados. Mas tudo está bem para os hipócritas; afinal, os sérvios só estão com três americanos e eles estão bem. Graças a Deus...
- PEDRO HENRIQUE ALMEIDA, Curitiba
Correção
- Nome correto do banqueiro envolvido em escândalo no Brasil é Salvatore Cacciola, e não como constou na informação abaixo do título da notícia principal da página 4 de ontem.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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