O LEITOR ESCREVE
Imposto de Renda
Meu marido, Carlos Trindade, recebeu correspondência da Receita Federal informando que ele estava em débito, que não havia pago parcelas de IRRF (Imposto de Renda Pessoa Física) de maio e junho de 1996 e que ele deveria procurar a receita para o acerto. Lá compareci em seu nome e constatei que ele tinha pago as parcelas com apenas 3 e 8 dias de atraso, Depois de duas horas na fila fizeram os cálculos e veio a surpresa: O atraso de apenas 3 e 8 dias no pagamento de duas parcelas de R$ 67,23 implicou em multa e juros de aproximadamente R$ 45 para cada parcela. Tive que pagar mais R$ 91 por que atrasei 3 dias uma parcela e 8 dias a outra. Quase 70% a mais por tão pequeno atraso.
Podem calcular, justificar e argumentar que perdi o desconto a que tinha direito na ocasião etc. Sinto-me lesada, para não dizer roubada. A lei pode até dizer que a Receita Federal está certa, mas o bom senso diz claramente que não. É uma crise total de bom senso. Fico indignada quando me lembro dos esforços feitos por essa mesma Receita na tentativa de conscientizar a população brasileira sobre seus deveres cívicos como contribuintes, falando sobre honestidade e civilidade, na tentativa de convencer o povo a não sonegar os impostos federais. Quanto dinheiro desperdiçado. E dinheiro que sai do bolso do contribuinte. É bom lembrar os nossos governantes de que suas ações e a postura falam mais do que as palavras, discursos e campanhas publicitárias. A despeito de todo o esforço, o governo é o primeiro a demonstrar a falta de respeito, falta de bom senso e de honestidade.
Estejam certos de que o que me deixa agastada não são os R$ 91 e sim a sensação de que não existem discernimento, seriedade e vontade cívica por parte dos nossos governantes e administradores. Em contra-partida, os que têm direito a devolução do IRRF têm que esperar meses para recebê-la e mesmo quando há atraso, e geralmente há, os valores são apenas e tão somente corrigidos pela inflação. Da indignação não posso me afastar, mas pelo menos do conformismo eu tento.
- MARLUCE TRINDADE, Londrina
Mecanização e fome
Nas proximidades do início de uma nova safra de cana em nossa região e na certeza de que o grande mal, a grande tragédia do Brasil, não é mais o subemprego mas o desemprego, gostaria de lançar uma campanha. Pode parecer, numa análise simplista, retrocesso, mas não é. A campanha visa impedir introdução do corte de cana mecanizado no Paraná, até que consigamos uma colocação para o grande número de trabalhadores ocupados nesta atividade. Em recente nota nos jornais o Secretário do Trabalho lançou campanha visando o treinamento dos trabalhadores, prevendo a mecanização. Concordamos, trabalhadores, prevendo a mecanização. Concordamos que é uma idéia meritória. Mas treinar para quê? Do jeito que as coisas caminham e para onde vão os desempregados do campo, para garantir a sua sobrevivência? Só se treiná-los em escolas de tiro ao alvo e de lutas marciais. Por que fatalmente eles cairão na marginalidade na periferia das grandes cidades, e sabemos muito bem de que modo, da única maneira de defender o pão, de impedir que os filhos morram de fome. É uma palavra feia, mas como a caridade pública ou é oficial nunca poderá matar a fome da grande legião de deserdados, a única solução seria roubar.
Impedir a mecanização nesta atividade primária, que é o corte de cana, é uma solução paliativa sim, mas a única que vemos no momento, não com a pretensão de acabar, mas pelo menos para não aumentar o êxodo rural, o aumento da criminalidade, o engrossamento das fileiras dos sem-terra, dos sem-teto e de outros ‘‘sem’’ menos cotados. Paralelamente, temos que lutar também para a diminuição dos encargos trabalhistas, para desacelerar a indústria da reclamação trabalhista, fatores que desestimulam o empregador. Não vamos pedir utopicamente o sacrifício do empresário. Que tenha o necessário lucro para manutenção e expansão do seu negócio. Vamos pedir o seu bom senso. O desemprego em massa só provocará o caos. O que não interessa nem ao trabalhador, nem ao proprietário.
- JOSUEL GOUVEIA, São Pedro do Ivaí.
Biblioteca do Professor
A Biblioteca do Professor foi inaugurada há dois anos na Biblioteca Pública Municipal de Londrina, contando com mais cinco núcleos vinculados à Secretaria de Educação deste município. É um projeto de iniciativa do Ministério da Educação, que visa fomentar a discussão, reflexão e o aprimoramento do professor, sendo um espaço para apoio técnico e pedagógico, seguindo as orientações do programa de Qualidade Total, voltado para a educação.
Atualmente possuímos um acervo de aproximadamente 1.600 livros e 200 fitas gravadas do programa TV Escola. Este acervo de livros e fitas são suficientes para atender todos os professores da rede de ensino e existe a necessidade de realizarmos palestras através das quais os professores poderão participar mais ativamente adquirindo conhecimentos atualizados, bem como para a divulgação do projeto. As pessoas e empresas interessadas em contribuir através de doação de livros ou patrocinando palestrantes devem entrar em contato através do fone: (043)321-6600
ramal-223 - Biblioteca do Professor.
Ajude a construir um Brasil de
‘‘Qualidade Total’’.
- ANICE AL CHAAR, de Londrina.
Clonagem
Enquanto prossegue a polêmica em torno da clonagem da ovelha Dolly, muitos apostam que a próxima etapa envolverá o bicho homem. Pesquisa recente, no Brasil, revela que muitas personalidades deveriam ser clonadas, como a madre Tereza de Calcutá. Com ela seria intensificada a luta em prol dos menos favorecidos pela sorte. Chico Xavier está no fim da vida, mas mereceria ser clonado porque suas ações e palavras são um bálsamo para a alma. Fernando Henrique Cardoso deveria deixar testamento assegurando que iria ajudar as crianças na escola, evitando trabalho infantil como em carvoarias no Mato Grosso, quebra pedra na Bahia e corte de cana no Nordeste. E beneficiaria as crianças na educação para sairmos do incômodo ranking em que só ganhamos de Bangladesch e Guiné Bissao.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
Cumprimento
Parabenizamos a Folha de Londrina pelo editorial, intitulado ‘A volta do álcool’, publicado nesta data (ontem), que reflete, com propriedade e clareza, a importância sócio-econômica da reativação do Proálcool.
- ERMETO BARÉA, presidente da Alcopar - Associação de Produtores de Álcool e Açucar do Estado do Paraná
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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