O Leitor Escreve
Ensino superior
A conferência mundial sobre o ensino superior, ocorrida no segundo semestre do ano passado, em Paris, promovida pela Unesco, deixou-nos indicações preciosas sobre o sentido da universidade do próximo século. A ‘‘Declaração Mundial sobre Educação Superior no século XXI’’ faz um minucioso diagnóstico da realidade atual do ensino superior no mundo e apresenta propostas que merecem ser refletidas e colocadas em prática.
Segundo a Unesco, sem a utilização adequada nos novos meios da tecnologia informacional, não estará assegurada a qualidade de educação superior. Estas novas ferramentas de trabalho devem estar a serviço da pesquisa, procurando enriquecer o aprofundamento dos temas relevantes para a sociedade, trazendo novos enfoques interpretativos sobre os problemas contemporâneos. O objetivo principal da pesquisa deve estar voltado para a área social, priorizando estudos que contribuam efetivamente para a solução de questões como a fome e a miséria no mundo, e os melhores meios para combater as causas das perversidades e injustiças sociais que comprometem a qualidade de vida humana e a preservação ambiental.
Também foi ressaltada a necessidade das universidades investirem mais na qualificação de seus educadores, valorizando-os em todos os aspectos, inclusive, garantindo uma remuneração digna. Oferecendo todas as condições concretas para o aprimoramento intelectual, as universidades terão um corpo docente capaz de estimular os alunos à pesquisa e ao maior intercâmbio cultural. É comum, por exemplo, muitos estudantes se perderem na vaidade ao autodidatismo, julgando-se gênios precoces; recusando-se, assim, à orientação acadêmica. Muitas vezes, atitudes como estas engendram idéias precipitadas e inconsistentes.
Os professores devem estar bem preparados e atualizados, para propiciar a fermentação da criatividade e responsabilidade intelectual. Para isso, a universidade deve criar mecanismos para que a atualização do conhecimento seja contínua. Outra questão relevante: o papel da revolução informacional na educação. Os participantes de encontro em Paris deixaram claro que o computador não substituirá o professor em sala de aula. Primeiro, porque o professor é, acima de tudo, um educador. Depois, é necessário que alguém oriente a reflexão e a pesquisa com metodologias e técnicas adequadas para o desenvolvimento e pensamentos originais. Tudo isso nos motiva em nosso trabalho na área educacional, porque desejamos tornar a vida acadêmica mais democrática e dinâmica, para que o conhecimento seja bem partilhado por todos, para o bem de todos.
- VALMOR BOLAN, vice-reitor da Universidade do Grande ABC, São Caetano do Sul (SP)
Por um novo professor
Mais um passo importante foi dado na caminhada rumo à recuperação da qualidade do ensino brasileiro: o Conselho Nacional de Educação aprovou as novas diretrizes dos cursos normais de nível médio, que a partir de agora poderão formar professores mais completos, sintonizados com as realidades cultural, sócio-econômica, de gênero e etnia, para atuação na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, incluindo indígenas e especial. A duração do curso passa de três para quatro anos, com carga mínima de 3.200 horas, 800 das quais dedicadas às atividades práticas, acompanhadas por um orientador e desenvolvidas durante o curso, e não ao final, como ocorre atualmente. Contudo, em tempo integral, o curso poderá continuar sendo concluído em três anos.
O novo currículo será estruturado em núcleos de disciplinas que se inter-relacionam, buscando-se uma ligação mais estreita entre a teoria e a prática e reduzindo-se a ponte entre a teoria e a realidade social, econômica e social dos alunos. É, sem dúvida, um avanço muito grande, que tem ainda mais garantia de qualidade porque os novos cursos normais terão de articular-se com os cursos de nível superior e passarão por avaliações externas, que poderão ou não resultar em correções de rumo. Essa mudança nos cursos normais é apenas uma das etapas, interligadas, de uma grande e meio silenciosa revolução no ensino que está em marcha no País, na tentativa de recuperar o tempo perdido no setor.
Trata-se de um empenho que não pode ser apenas do governo federal, mas que precisa ser acompanhado, com grande vontade política e verbas compatíveis, pelas administrações estaduais e municipais e por toda a sociedade. Não será apenas com boa vontade e com legislação adequada que se resolverá o grave problema educacional brasileiro. A implantação de novo curso normal, de quatro anos, por exemplo, depende da obtenção de recursos. Sabe-se que as finanças públicas não andam bem e que, no afã de cortar custos imediatamente, alguns governantes andam sacrificando o que não podem.
A educação é o alicerce de qualquer país e não pode ser mais sacrificada do que já está. Investindo nela estaremos resgatando uma grande e antiga dívida social e investindo em toda a sociedade. A Lei das Diretrizes e Bases da Educação data de dezembro e precisa ser implementada logo, na íntegra, para que o brasileiro possa voltar a andar de cabeça erguida. Senhores dirigentes: não permitam que, por falta de recursos financeiros, a proposta para melhoria dos cursos normais fique engavetada, transformando-se em mais uma lei morta. Ensino de qualidade pode ser ministrado até mesmo ao ar livre e com poucos recursos didáticos. Mas, sem bons professores, isso se torna impossível. E para formá-los precisamos de cursos ampliados e atualizados. Portanto, não deixemos escapar esta grande oportunidade.
- MAGNO DE AGUIAR MARANHÃO é membro do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro.
Sem-terra
Mais uma vez fomos surpreendidos com a violência no campo e, fatalmente, mais uma morte na busca pela terra. É inaceitável que a possível solução para conter a miséria, como é a reforma agrária, possa se tornar palco de conflitos constantes, num país como o nosso, cuja extensão é bastante vasta e que pode proporcionar a todos um pedaço de chão. Acredito que todos que defendem a vida estejam entristecidos com a morte do agricultor Eduardo Anghinoni, de apenas 30 anos, em Querência do Norte, dia 29/3. É uma pena que aqueles que detêm o poder não resolvam efetivamente a questão da terra. Se quisessem teriam dado ao Eduardo e a muitos outros o direito à vida e sobretudo o direito de viver com dignidade.
- IRENE DE OLIVEIRA, secretária, Castro
Dalai Lama
A publicação da entrevista e dos objetivos que trouxeram Dalai Lama ao Brasil pela Folha resgata um importante papel dos meios de comunicação, que é o de informar e ampliar cada vez mais o conhecimento sobre os mais diferentes temas. A maioria dos meios de comunicação, preocupados em agradar a um tipo de leitores, tem se dedicado a explorar somente a violência e as desgraças. O que Dalai Lama nos mostra é que essa dura realidade pode ser mudada. Começando por nós mesmos. Parabéns à equipe da Folha de Londrina/Folha do Paraná.
- REIKO MIURA, São Paulo (SP)
Correção
- As cotações referentes ao dólar comercial e dólar turismo publicadas na página 1 do caderno Folha Economia dos dias 20 e 22 de março foram tabuladas com valores invertidos. Os números corretos, como informa a seção Indicadores da página 3 do mesmo caderno, são: dólar comercial a R$ 1,80 para compra e R$ 1,88 para venda; e dólar turismo, R$ 1,60 para compra e R$ 1,91 para venda.
- A foto de capa do caderno especial ‘‘Os anjos que zelam por nossa saúde’’, publicada ontem, é de Edson Mazzetto. E o padre José Persch, que aparece na capa, ajuda a Pastoral da Criança e não a Pastoral da Terra, como foi publicado.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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