O Leitor Escreve
O Leitor Escreve
De fracassos e vitórias
A primeira observação evidente é que o fracasso não faz parte do mundo da natureza, tendo em vista a sua despreocupação quanto ao destino das coisas e dos seres. Assim, o fracasso não é uma categoria cosmológica. Foi com os seres humanos, isto é, a partir de nossa espiritualidade que o fracasso tomou forma aparente, como resultado da frustração de expectativas. Foi o ser humano que inventou o fracasso. Não conseguindo atingir o que desejamos, o resultado é a melancolia de nosso espírito pela sensação de uma perda.
Em assim sendo, seria possível então eliminarmos o fracasso como uma paixão inútil? Quais seriam as consequências se a partir de agora passássemos a raciocinar não em termos de expectativas, mas de acontecimentos que são naturais em função de suas próprias premissas? E se parássemos de pensar na morte como o supremo fracasso? As consequências seriam evidentemente revolucionárias. Para começar, isto serviria para recolocar o ser humano dentro das perspectivas naturais de sua pequenez, pela aceitação e o reconhecimento de uma ordem de fatos que ultrapassam de muito as suas
pretensiosas veleidades.
Outra consequência importante é a constatação de que o fracasso, pela sua própria natureza, deve ser motivo de apelo para contínuas superações, tornando assim os fracassos leit-motive para constantes melhoramentos. Há coisas e eventos que dependem de nós e há outras que não dependem e são circunstâncias alheias à nossa vontade, como diziam os estóicos. Das coisas que dependem de nós resultam fracassos dos quais temos que assumir a responsabilidade. Quanto aos outros, aqueles fracassos causados por terceiros, por exemplo, os fracassos políticos ou econômicos, só nos resta uma santa indignação (S.Paulo) ou a mobilização de todos com vistas a superá-los.
Contudo, eis onde se encontra o nosso ponto frágil. Aos políticos nacionais têm faltado sentido e grandeza e objetividade ao que realmente interessa ao país. Ao povo em geral resta sempre o desgosto apático de uma situação que parece irremediável. Será que em algum tempo chegará o dia em que possamos identificar aquilo que realmente tem faltado ao país e ao seu povo? Onde se encontram realmente as causas mais que centenárias de nossas frustrações?
Seria bom que os meios de comunicação não apenas se deliciassem com os nossos paradoxos, mas se tornassem instrumentos patrióticos de informação e construção coletiva. Todos estamos mais do que cansados de ouvir chicanas verbais e todos gostaríamos que os assuntos públicos fossem tratados com mais seriedade. Dessa forma, quando estaremos preparados para tirar proveito de nossos fracassos?
- ANTÔNIO CELSO MENDES, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba
Flanelinhas
A respeito da reportagem Flanelinhas têm os dias contados, publicada ontem, sistematicamente, tenho recusado o auxílio dos flanelinhas que pedem para cuidar do carro. Por entender que isso fere meus direitos de cidadão que está em dia com os impostos. Como a matéria noticia, até lei foi feita para coibir a prática, abusiva, dos guardadores de carro, mas nem isso adiantou. Nós já pagamos o estacionamento em via pública com cartões, um prática instituída pelas prefeituras e que até hoje é polêmica. Mas não quero aqui entrar no mérito da questão, mas abordar o tema sob a perspectiva da nova solução adotada: o uso de parquímetros. Diz a matéria que serão instaladas tais máquinas, de origem argentina (não há similar nacional?) e que custarão ao cidadão cinco reais o aparelho que vai habilitar o carro para estacionar, mais R$ 0,017 por minuto em horário comercial (isso significa que fora do horário comercial o estacionamento também será cobrado?).
Sendo assim, no novo esquema o custo do estacionamento em via pública vai ser majorado em 100% (hoje uma cartela de uma hora custa em torno de 50 centavos de reais). Mais uma ação contra o contribuinte que cada vez mais está indefeso em relação ao apetite que o poder público tem demonstrado criando novas taxas e aumentando as existentes. De uma outra perspectiva, a pergunta que fica é: por que parquímetros? O sistema atual de cartões (que dá emprego a uma quantidade razoável de pessoas) é tão insatisfatório assim que justifica um investimento desses? É justo nesse momento que atravessamos onerar ainda mais o cidadão? Quantos empregos essa mudança vai cortar? Que garantias temos que daqui a alguns anos os tais parquímetros não serão transformados em totens inúteis a poluir nossas ruas e avenidas? Além do fabricante do equipamento e da empresa que vai explorar o serviço, quem mais será beneficiado por esta solução?
- J. TARCISIO TRINDADE, Maringá
Kosovo
Quem não gostaria que a solução para o Kosovo fosse pacífica? Enquanto o governo iugoslavo praticava atrocidades contra a minoria de origem albanesa que habitava o Kosovo, os países ocidentais se desdobravam para encontrar uma saída pacífica. A demora em pressionar com mais eficácia o governo iugoslavo levantava dúvidas com relação ao real interesse do Ocidente em defender os direitos humanos naquela região, tão barbaramente violentados durante os conflitos da Bósnia.
Não era mais possível deixar que a barbárie fosse praticada impunemente dentro da Europa. Sem conseguir nada pela diplomacia (até os russos aliados do governo iugoslavo tentaram sem sucesso), a OTAN resolveu usar a força contra alvos estratégicos do poder militar que dá sustentação ao governo iugoslavo. Comparar esses bombardeios que não atingem e nem objetivam alvos civis (salvo por acidente) com os bombardeios de Hitler à Grã-Bretanha, ou à própria Iugoslávia, em 6 de abril de 81, é distorcer os fatos com propósitos desconhecidos.
- EDUARDO JOSÉ DAROS, São Paulo (SP)
Reinaldo Bessa (1)
Enviamos os melhores votos pela nova coluna de Reinaldo Bessa na Folha do Paraná.
- MARGARITA SANSONE e RAFAEL GRECA, Brasília (DF)
Reinaldo Bessa (2)
Uma delícia ler a coluna dominical do jornalista Reinaldo Bessa na Folha do Paraná. Ele é dessas pessoas que se superam a cada dia pelo talento, competência e dedicação ao trabalho.
- DENIZE BRAGA GRIEBELER, Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





