O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Massa sobrante
O livro intitulado Crítica à lógica da exclusão, de Hugo Assmann, fala de partes enormes da população mundial que passam ao rol de massa sobrante, na perspectiva do crescimento econômico, mito obsessivo que praticamente alijou do debate a questão do desenvolvimento social. Trata-se de multidões de seres humanos descartáveis, que já não se encaixam na lei da rentabilidade, nem representam valor econômico, como eram os escravos. Como fazer para que a sua dignidade humana volte a ser a referência de valor? Nem sequer parece correto aplicar-lhes o conceito clássico de exército industrial de reserva, porque só uns poucos deles entram nos cálculos de rotatividade do trabalho barato. Os industriais até afirmam - como é que pretendem afirmar que os exploramos, se nem sequer nos interessa que trabalhem para nós?
Hoje, 196 milhões de latino-americanos vivem na pobreza, aproximadamente 45% da população global, sendo que mais ou menos a metade destes 196 milhões vegeta em situação de indigência e miséria extremas. No Brasil são 30 milhões de pessoas que vivem como famintas, subnutridas e pobres. Hoje o neoliberalismo não removerá as montanhas da miséria amontoadas nos países pobres, como o Brasil. Como explicitar os critérios demarcatórios entre o aburguesamento insensível e o direito a ser gente com um mínimo de felicidade? (Crítica à lógica da exclusão, pag. 7)
Estamos diante do panorama da definitiva globalização planetária, que a humanidade entrou a viver, sob a égide do mercado total. E espécie humana, infelizmente, não é natural e espontaneamente solidária. Isso se percebeu com o colapso do socialismo real e o fim da guerra fria. Todo o trabalho daqui para a frente deve levar em conta as metas sociais. Só assim se poderá fazer frente à grave questão moderna: a vigência de uma estarrecedora lógica da exclusão no mundo de hoje. A globalização está contemplando o capital, mas esquece o homem e a mulher na sua vida
- Pe. NATALICO JOSÉ WESCHENFELDER, Palmas
Um pouco de humildade
É certo que o Londrina está nesta situação por causa de más administrações anteriores e coroada pela balbúrdia protagonizada pelo homem-mídia Marcelo Caldarelli. Depois de tantos desencontros disputar o torneio da morte pode ser uma boa oportunidade para colocar a casa em ordem. Agora, a nova diretoria da Sociedade dos Amigos do Londrina, além de trabalhar muito, e espero, com a ajuda de toda a cidade, precisa ter um pouco de humildade. Contratar um técnico e levá-lo para assistir ao jogo entre o LEC e o Atlético, antes de demitir o outro, o Nazareno, é no mínimo um desrespeito com o profissional. Não é só, promover limpeza no elenco na véspera de uma partida importante, como ocorreu anteriormente, é temerário. Esperamos que o torneio da morte não seja a morte do Londrina.
- CARLOS ANDRADE DE COUTO, Londrina
Unidade administrativa
Quando se quer, se faz. Independentemente de partido político, temos visto que em Londrina os políticos locais se preocupam com o seu município. O êxodo rural inchou as grandes cidades e junto com ele vieram os problemas sociais. O maior problema da atualidade é o desemprego e este somente poderá ser sanado pela força do poder de nossos governantes. Londrina, preocupada com a situação, luta para implantar novas indústrias e dar ao pai de família a condição do seu sustento e de seus filhos. Sendo Londrina vista como metrópole, independente e de vida própria, o governo do Estado esqueceu, por certo tempo, de que ela também tem problemas sociais, tal qual a Capital do Estado.
É sabido que a região de Londrina sempre gerou grandes riquezas que suportaram a economia paranaense. Quem não se lembra dos cafezais que por décadas alicerçaram a economia do Paraná? Além das riquezas econômicas, Londrina tem em sua história a participação de seus filhos na política estadual e nacional, que merecem os aplausos de seu povo. O movimento pelo Norte é o grande momento de Londrina com benefícios a toda a região. Não fosse a participação ativa de seus políticos locais, dos quais não deve ser esquecido o trabalho de aproximação feito pelo atual presidente da Câmara, major Adalberto, as reivindicações poderiam ficar no esquecimento e hoje já existe promessa e conversações nesse sentido. Da mesma forma deveriam agir os políticos da região em busca de benefícios para seu povo. A unidade administrativa prova que não é o partido político o detentor do poder, mas sim o voto popular quando escolhe bem seus governantes.
- JOSÉ CARLOS SIMIONI, Jaguapitã
Cachorro
Com relação ao publicado na seção Espaço Aberto (dia 17), intitulado Que crime cometeram os cachorros?, de autoria do jornalista Sid Sauer, em face da precariedade de argumentos, não posso me conter e necessito externar minha opinião. Conquanto o piedoso senhor esteja muito preocupado com a crueldade que representaria o sacrifício de cães vadios na cidade de Campo Mourão, é verdade que este senhor nunca se preocupou com o que significa zoonose. Podemos simplificar este termo dizendo que se refere a doenças transmitidas ao homem pelos ou através dos animais. Não quero chocar este cidadão, mas tenho a convicta opinião de não apenas os animais vadios, mas todos aqueles que, por desleixo ou incapacidade de seus donos, não receberem os cuidados sanitários mínimos deveriam ser sacrificados, sim.
Alegar que isso é o primeiro passo para uma pretensa eutanásia social me parece insanidade, se não for, apenas, fraqueza de argumentos. Lembro ao cidadão que os males que um cão ou gato podem causar não se resumem apenas aos arranhões e mordidas. Há também bicho geográfico e toxoplasmose, para citar apenas duas doenças transmitidas por estes animais. Se nós emitimos sinais de subdesenvolvimento - porque, quando o brasileiro leva seus cães a passear, não se preocupa nem um pouco com as fezes que seus totós depositam na calçada, deixando um vasto terreno minado - o que dizer das vastas matilhas de cães sem dono? Claro que há espaço para os que roubam cachorro limpo, desverminado e com as vacinas em dia.
Lamento que a (falsa) compaixão com crianças de rua e mendigos (estes com certeza filhos de Deus) demonstrada seja apenas compará-la com cães vadios, como que a sugerir que se tolerarmos estes estaremos perdoados (da existência daqueles). Moro em Londrina, reconheço aqui o mesmo problema e espero que alguma atitude venha a ser tomada não só contra cães vadios mas, também, contra a verdadeira praga que representa o depósito criminoso de lixo em locais baldios que, encontrado aliado nas fezes desses cães abandonados, geram esta nuvem de moscas que por vezes nos tomam de assalto.
- EDSON SOUZA ARAUJO, médico veterinário, Londrina
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