O Leitor Escreve
O Leitor Escreve
Cinema
Fiquei espantado com as declarações da cineasta Tizuka Yamazaki na reportagem Imagens para defender a cultura, publicada no dia 17. Posiciono-me como roteirista e produtor audiovisual paranaense. A matéria ratifica o que já ocorre praticamente no Paraná: uma tremenda autofagia cultural que, implementada pelas próprias autoridades culturais do Estado, traduz-se na estratégica canalização de verbas e apoios para projetos alienígenas (xenofobismos às favas!).
Falando de cinema, tal política prioriza a incensação de celebridades nacionais que, méritos artísticos à parte, têm se valido das benesses estatais e sangrado os recursos e/ou apoios que o governo renega aos cineastas locais, escudado pela ancestral desculpa: Não temos verba. Essa atitude tem freado a produção e a projeção dos cineastas locais, prejudicando o aperfeiçoamento que só a prática cinematográfica traz, encolhendo o mercado de trabalho e - o pior de tudo! - impedindo a formação e renovação do acervo do cinema paranaense. Tornamo-nos importadores culturais por decreto e até nosso representante no governo federal, notório paranista e protetor das artes, se compraz na festiva encomenda de filmes a cineastas distanciados geográfica e conceitualmente de nossa história.
Repito: nada contra a sra. Yamasaki ou à rodagem de parte de seu filme Gaijin II no norte do Estado. Mas convenhamos: canalizar verbas públicas (aquelas inexistentes) para tal produção, convidá-la a fundar e dirigir uma escola técnica de cinema em plena Itaipu e, de lambuja, encomendar-lhe documentários históricos em cinema, extrapola todas as medidas de exceção aos cineastas paranaenses! Nós, produtores de cinema do Paraná, seremos sempre os maiores culpados pela perpetuação da improdutividade crônica de nossa cinematografia, se silenciarmos diante deste mecenato às avessas que o governo nos impinge. Sem falar na má repercussão que isso causa junto à iniciativa privada. E mais: nossa reação precisa passar - urgente e obrigatoriamente - pela elaboração de propostas válidas para o estabelecimento de uma relação digna entre autoridades e cineastas, pelo bem da identidade cultural de todos os paranaenses.
- JOSÉ OLÍMPIO, Curitiba
Lucro do BB
O Banco do Brasil está alardeando o lucro que teve em 1998. Mas a sua finalidade não é proporcionar dividendos a acionistas. Que deixe isso para os bancos particulares. Um banco estatal só se justifica para implementar a política do Banco Central de apoio ao desenvolvimento econômico, à agricultura, à indústria, ao comércio, às atividades terciárias.
Quando compra a mercadoria, um comerciante vê seus títulos vencendo quando a maior parte dela ainda está na prateleira. Um industrial vende seu produto, mas deve recolher o IPI antes que receba todo o investimento. O agricultor é financiado quando planta e deve vender seu produto pelo melhor preço, na entressafra, quando poderá resgatar seu compromisso. Um profissional que se
forma precisa de recursos para montar seu gabinete ou escritório, e no exercício da profissão irá resgatando sua dívida. Há um interregno entre o financiamento e o resgate. Para que a produção seja subsidiada, nos juros e prazos, justificam-se os bancos estatais.
Mas sua finalidade foi desvirtuada quando se organizaram como sociedade anônima, com ações na bolsa. Ninguém investe em ações se não para auferir dividendos. Fomentar a produção não é lucrativo. Como as cooperativas deveriam constituir seu capital de giro com recursos dos beneficiários, sem finalidade de lucro, e administrados por representantes dessas classes, que conhecem do metier.
- DAVID SCHNAID, professor aposentado, Londrina
Kit
Finalmente o parlamento brasileiro agiu com bom senso ao tirar do Código de Trânsito tamanho equívoco. O kit de primeiros socorros pode causar sequelas em acidentados, uma vez que os próprios bombeiros pedem que populares não mexam nas vítimas. O que o governo deveria providenciar é um atendimento de emergência permanente às margens das rodovias brasileiras, com pessoal capacitado para socorros imediatos. Impostos suficientes para isso nós pagamos.
- AGENOR ALESSANDRO DE BARROS, Assis (SP)
Aberração
Envio esta mensagem para agradecer o espaço concedido à minha entrevista na edição de domingo e para cumprimentar o jornal e o repórter Pedro Livoratti, pela qualidade do trabalho. Aproveito para esclarecer que, por algum engano, foi-me atribuída uma expressão incorreta - situações berrantes -, quando na realidade me referi a situações aberrantes, de desproporção entre saldos devedores e valores de mercado de alguns imóveis. Agradeço a atenção.
- EMÍLIO CARAZZAI, presidente da Caixa Econômica Federal, Brasília
NR: A Folha lamenta o erro cometido.
Cumprimento
Sobre a reportagem Acordo da CEF com Justiça poderia beneficiar mutuário, publicada no dia 28, nossa entidade parabeniza este jornal pela abrangência do assunto tratado. Como nossa associação tem o norteamento da defesa dos interesses do mutuário ante ao sistema financeiro da habitação, entende que reportagens como essa vem ajudar-nos nesse trabalho, bem como orientar e dar subsídios aos milhares de mutuários que hoje em dia tem problemas sérios para pagamento de sua casa própria.
- MARCOS ALMEIDA, diretor-secretário da Associação Brasileira dos Mutuários, Londrina
Correção
- Diferentemente do que informa o texto Elber deve vir para o Brasil em maio, publicado ontem na página 2 da Folha Esporte, o jogador Amoroso defende a Udinese e não a Fiorentina, de Edmundo.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





