O leitor escreve
O leitor escreve
Curitiba sem fronteiras
Uma das contradições positivas da globalização é a valorização das questões locais. Como já disse MacLuhan , para ser universal, cante sua aldeia. É com essa visão que escrevo sobre o aniversário de Curitiba, que comemora 306 anos de fundação. Como outros centros urbanos, a cidade cresce três vezes mais do que o Estado (3,5% ao ano). Isso significa que quase 30% da população ocupa pouco menos de 7% do território, revelando uma forte concentração. Para o novo século há desafios que precisam ser vencidos, como água, saneamento, sistema viário, sistema de transporte de massa - especialmente o metrô - habitação, segurança, geração de empregos, equilíbrio financeiro, entre outros, tão ou mais importante.
Tudo isso em um cenário onde a descentralização e o fortalecimento dos municípios são tendências irreversíveis, tornando o governo mais direto e, por consequência, mais transparente, permitindo maior visibilidade e participação da comunidade, bem como a definição de ação do Estado e do Poder Público.
Meu pai, Maurício Fruet, foi prefeito de Curitia. Nela fui vereador e obtive boa parte dos votos que me levaram à Câmara dos Deputados. Em minha família, aprendemos a gostar e ter orgulho da cidade - orgulho não é propriedade de nenhuma autoridade ou grupo político, mais direito de cada um de seus habitantes.
Como meu pai, também acredito que a travessia do século deve ser marcada por uma Curitiba sem fronteiras. Sem fronteiras entre a qualidade de vida do centro e dos bairros. Sem fronteiras entre os bairros e as cidades da Região Metropolitana. Mas enfrentando os excessos do crescimento e de seu impacto. Afinal, vive-se a era dos responsáveis. As pessoas exigem postura e oposição de seus representantes. A divergência é necessária, sim, especialmente em uma sociedade heterogênea. Mas o debate deve ter como único objetivo tornar a cidade mais humana e justa e seus moradores mais felizes.
- GUSTAVO FRUET, deputado federal, Curitiba
Boas notas
O que representam os bons resultados nos exames escolares? Será a certeza de um futuro promissor? No ambiente universitário sabemos que o bom aluno não é apenas aquele que acumula boas notas nas avaliações correntes do ano letivo. O acadêmico tido como cdf na maioria das vezes não passa de mero decorador de textos e fórmulas. A experiência vivida na universidade possibilita o aprimoramento geral dos estudantes na medida em que promove as relações sociais, debates, seminários, estágios na comunidade, enfim tudo aquilo que dá sustento ao desenvolvimento da cultura e da cidadania. Portanto, mais que profissionais, a universidade forma cidadãos. Estes gozam de reputação que não se limita às notas constantes do histórico escolar.
Na sociedade encontramos ótimos profissionais que foram alunos discretos, formados por faculdades modestas. Temos profissionais de pouca expressão que se formaram pelas melhores universidades e nelas se destacaram. O conjunto de fatores que alicerçam o sucesso profissional inclui bem mais que as boas notas conquistadas no decorrer dos cursos de graduação e pós-graduação. Embora os bons resultados dos exames tenham valor, pois expressam algum conhecimento, o mercado de trabalho exige ainda outras qualidades do profissional universitário: excelente relacionamento interpessoal, capacidade intuitiva, criatividade. Isso pode estar por trás do sucesso daqueles que nunca fizeram questão de ser os primeiros da classe.
- ROBERTO CARLOS SIMÕES GALVÃO, Londrina
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