O Leitor Escreve
ICMS sobre veículos
A falta de informação das autoridades, a respeito do mercado e da atual fragilidade que muitos comerciantes enfrentam, é de se assustar. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, informa que não diminuirá a alíquota de ICMS sobre a venda de veículos. O que quer dizer que os empregos que fazem falta no Paraná serão transferidos para aqueles Estados, em especial ao de São Paulo. Sem conhecimento dos fatos e da realidade por que passam as revendedoras do Paraná, fala em diminuição de margem. Mas como sempre, pede sacrifícios. Continuaremos pagando impostos, pedágio, sem ter nunca uma contrapartida do governo estadual. Escutamos nossos deputados, recém-eleitos e reeleitos, dizer que a diminuição do valor do pedágio foi somente um golpe eleitoral.
Quanto à arrecadação de ICMS, o Paraná com certeza irá perder, e bem mais que os R$ 12 milhões anunciados pelo nosso Secretário. As divisas estaduais estão muito perto, e sempre será um bom passeio sair com a família de casa, ir até algum Estado vizinho, ganhar um desconto que pode chegar a até R$ 1.000 e com este dinheiro fazer um pouco de turismo, em terra de outrem. Quanto às medidas contra esta perda fiscal, fica sempre a dúvida sobre a real eficácia que elas possam ter. Como exemplo, é só lembrarmos sobre a quantidade de combustíveis (gasolina em especial) que entram no Paraná, com origem de Paulínia, apesar de termos uma refinaria em Araucária, que muitas vezes vem para o nosso Estado calçadas em liminares para o não-pagamento de ICMS. Um pouco de seriedade seria de bom tom, pois o empresariado paranaense é corajoso, e está enfrentando a crise. Só precisamos é que o Estado, que não tem interesse nenhum em nos ajudar, não nos atrapalhe.
- LUIZ CARLOS PIELAK, Londrina
Benesses
Economia fechada e extremamente regulamentada, associada à tradição de governos autoritários e patriarcais, transformou o País em fonte de benesses para uns e desgraça para o cidadão. Os três poderes adotaram a mesma filosofia de trabalho: distribuir benesses entre amigos, parentes e protegidos dos que ocupam seus cargos. O rápido crescimento da economia e sua estatização no pós-guerra reforçou-a: além do setor público surgiram autarquias, empresas estatais, fundações e uma parafernália de instrumentos de intervenção e favorecimento.
É a face oculta do Estado que, por ação ou omissão, não proporciona ambiente seguro e saudável para o desenvolvimento do cidadão comum. É possível que haja condições de separar o joio do trigo. FHC está tentando. Infelizmente não tem conseguido apoio no seu partido. A forma como alguns políticos do PSDB votam, falam e agem revela isso. Como partido político tem sido o PFL o que atua com o esforço de FHC. O PT tem agido de forma incompatível para um partido de esquerda. Vota de forma sistemática contra o governo, prejudicando a aprovação de projetos que acabam com privilégios de castas.
O PMDB, que se mantinha unido como partido contra a ditadura militar, esfarelou-se por não conseguir desenvolver um projeto nacional no seu largo espectro de interesses. Nosso sistema político tem de ser reformulado, a fim de afastar definitivamente os políticos cuja vocação de ordenha da vaca estatal os qualifica mais para atividades rurais que para liderar uma nação que começa a dar os primeiros passos para tornar-se moderna e mais justa.
- OCIMAR MARTINS, Londrina
HSBC
A respeito da reportagem ‘‘HSBC completa dois anos no Brasil, com lucro alto e muitas demissões’’, publicada ontem na Folha, gostaria de esclarecer alguns pontos:
As recentes mudanças na estrutura bancária brasileira e mundial tornaram muito mais rigorosos os critérios para abertura e manutenção de unidades bancárias, exigindo um reestudo individual das agências. O HSBC dispõe de uma equipe altamente especializada em estudos de mercado, com tecnologia que teve a assessoria de empresa internacional da sua concepção. Após estudos abrangentes, envolvendo dados de diversas naturezas, foi identificado que não havia potencial adequado para a manutenção de certas agências.
A decisão foi tomada com muito pesar, e por isso mesmo não pode ser considerada como desinteresse do HSBC. Na verdade há previsão de novos investimentos para a totalidade de agências no Brasil. Novos equipamentos, nova sinalização, treinamento e qualificação do quadro funcional, novos produtos e serviços estão sendo implementados continuamente, como garantia de que os clientes receberão serviços de qualidade. Um banco de relacionamento tem nos seus funcionários uma das principais formas de comunicação com seus clientes, e estes são, por consequência, extremamente valorizados por nossa empresa. Quanto à informação, publicada pela Folha por mais de uma vez, de que teríamos mudado a sede para São Paulo, posso afirmar que não apenas não mudamos a sede para São Paulo como não pretendemos fazê-lo.
- TOM CAMARGO, diretor de Marketing Corporativo e Institucional, Curitiba
NR: As argumentações do sr. Tom Camargo sobre o enxugamento da estrutura do HSBC, enviadas ontem, via fax de São Paulo, estariam contidas na matéria editorial da Folha se a tentativa de contato com a direção de Marketing Corporativo e Institucional tivesse sido concretizada na quinta-feira. Quanto à mudança da sede do HSBC de Curitiba para São Paulo, efetivamente não é oficial, mas a estrutura montada pela instituição na capital paulista e a constância de permanência da cúpula do banco naquela cidade são duas evidências irrefutáveis.
Ética
Venho a este jornal, que considero sério e ético, expressar a minha profunda decepção com fatos divulgados por ‘‘jornalistas’’ sensacionalistas sobre denúncias envolvendo a Escola Olavo Garcia da Silva (‘‘Denúncias de tráfico de drogas amedrontam escola’’, notícia publicada dia 24). É inaceitável o uso de informações coletadas com alunos da sexta série, que não estavam qualificados ou informados o suficiente para opinar a respeito na televisão. É com atitudes como essa que o jornalismo sério e ético fica cada vez mais comprometido.
- CARLOS EMANOEL NIEBUHR, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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