Soberania política

As acusações generalizadas de Luiz Edgard Bueno, dia 21, não correspondem à realidade. Percebe-se que o sentimentalismo pessoal inspira-lhe palavras alucinadas e desabonadoras. Aquelas afirmações desvairadas, podem, entretanto, fazer parte do passado. Hoje, os eleitores não se deixam mais prender pelas amarras do coronelismo político. Ao contrário do que diz, ainda que tarde, a Justiça está atenta ao uso indébito de valores públicos em campanhas eleitorais (a cassação de Collor e do senador Requião por exemplo). O que se vê, de fato, é uma melhora acentuada, a cada eleição. A consciência do eleitor, embora ofuscada, vem aos poucos libertando-se do chamado ‘cabresto eleitoral’. Em Londrina, a soma esmagadora do funcionalismo municipal não obedeceu ao comando do Prefeito e muitos funcionários do Estado não seguiram o apelo do Governador.
Promessas absurdas são comuns nas campanhas eleitorais. Isso faz parte do jogo político, até em países do primeiro mundo. Londrina não fugiu à regra. Um dos candidatos prometeu salário, mais cesta básica a todos os desempregados, caso saísse vitorioso do pleito. Isto não nos garante que todos os que não têm emprego acreditam na mensagem, pois ela não é viável. Londrina deu prova de soberania política, num pleito muito disputado, em que houve respeito mútuo entre os simpatizantes das duas facções. O direito da livre escolha prevaleceu, confirmando a civilidade do povo londrinense. Agora, passado o calor da disputa, precisamos nos unir, irmanados num só objetivo, por amor a Londrina, que é de fato a terra da gente.
- NELSON ARAUJO DE OLIVEIRA, Londrina.


Crime de 3º grau

Entre tantas coisas que fogem à minha compreensão há uma que me causa estranheza: celas especiais para prisioneiros portadores de diploma do 3º grau. Isso é, no mínimo, incoerência. A Universidade não forma apenas profissionais mas, acima de tudo, cidadãos para viver em sociedade, nela agir e influenciar. Para formação de nível superior é necessário frequentar a escola pelo menos 15 anos. É um período rico em aprendizagem sobre o que é ser ‘‘humano’’. Além do conteúdo da grade curricular, os corredores e o caminho para a Universidade são lições de convivência civilizada que desenvolvem no estudante a noção do seu papel social.
A agressão e os atos violentos são justificáveis nos irracionais e nos seres brutos que ainda não tiveram acesso ao conhecimento de mundo civilizado. Esses, sim, deveriam ficar em celas especiais, com vídeo, áudio, professores, psicólogos, tudo que fosse necessário para o conhecimento do que é o universo civilizado e como nele habitar. A formação superior é um agravante nos casos de violência, não um fato de privilégios, como no caso da assassina Maria Suely Costa Moura, que matou com um tiro na cabeça a secretária Jaqueline Carneiro Lobo, de 21 anos, e está em cela especial por ser formada em enfermagem, justamente um curso voltado para salvar vidas. Não pode ser tratado de forma especial alguém que, após tantas oportunidades, não aprendeu a lição elementar de que o homem não é uma propriedade. Cela especial é privilégio vergonhoso para os estudantes e para a própria Universidade e, como estudante universitária, convido os colegas a se manifestarem contra essa injustiça que acompanha nossos diplomas. Seria uma contribuição contra a violência que se dissemina na sociedade.
- ILZA PEREIRA, universitária em Londrina

Privadas de estrada?

Daqui a pouco, embalado pela rede (não aquela gostosa, nordestina) das privatizações, o País ingressará no círculo fechado da mediocridade, mergulhando nos braços do capital estrangeiro, ou de multinacionais disfarçadas de tupiniquins. As privatizações ocorridas, fundamentadas em balanços duvidosos e até deficitários, sem créditos a receber, são justificáveis, com exceções. O problema será a enorme e irrecuperável perda quando necessitarmos de uma Vale do Rio Doce, maior empresa do gênero no mundo, e comprar o que produzíamos, a custo zero no quintal, gerando lucro ao Tesouro. Privatizar é uma coisa, tornar privada (WC) de estrada é outra, e a Vale do Rio Doce está se tornando WC da loucura defecante. Melhor seria colocar uma tabuleta nos quadrantes da Nação, destacando: ‘Vende-se este País’. Outro exemplo, o caso do Banco do Brasil cogitado para possível privatização: a quem interessaria isso? Ao País (besteira, vão criar um novo banco) ou aos seus devedores, gerando enorme conchavo internacional na caça do maior banco brasileiro, com estrutura gigante, até em créditos por receber? Não seria melhor, no caso do Banco do Brasil, ao invés de sua futura privatização, federalizar as empresas, firmas e patrimônio dos devedores, tornando-os governamentais para o uso? Imagine a quantidade de terra disponível, de usinas, fazendas e outros que, muitas vezes, por questão de politicagem ou dificuldades (refiro-me aos grandes devedores) deixam de pagar ao banco, gerando na empresa imagem de ‘persona non grata’ à sociedade.’
Privatizem-se os banheiros imundos das estatais, mas não mexam com aquelas empresas, mesmo que atreladas às composições e apadrinhamentos, ainda conseguem contribuir para a riqueza e desenvolvimento da Nação. A Vale do Rio Doce vale muito mais do que pesa, e de olho nela estão até os mais tontos, idiotas e dotados de QI amebiano do mundo, mas caso seja privatizada é melhor escrever na porta de todos os banheiros do País: ‘Puxem a descarga devagar, se não rola mais uma estatal produtiva, com ouro, minério, créditos enormes por receber, e tudo mais que de cima vem!’
- LUIZ EDGARD BUENO, Londrina.

Cumprimento 1

Ao completar 48 anos de fundação da Folha de Londrina, transmito as minhas felicitações, extensivas não só ao seu fundador, meu prezado amigo João Milanez, mas também à sua equipe de profissionais, que bem souberam galgar o grande prestígio que desfruta esse órgão de imprensa, que conheço desde a fundação.
- G. ARLINDO FUGANTI, Londrina.

Cumprimento 2

Por ocasião do 48º aniversário da Folha de Londrina, registramos a nossa satisfação em poder cumprimentá-los, desejamos sucesso em todos os seus desafios. Queria transmitir os nossos parabéns a todos os seus profissionais.
- FERNANDO C. GARCIA CID, Londrina.

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