O Leitor Escreve
O Leitor Escreve
Omertá
Por anos, as cidades sicilianas, principalmente Catânia, Messina, Trapani e Palermo, conheceram uma única lei, a do silêncio, também chamada de omertá. Não vi nada, não sei de nada e, se estava lá, estava dormindo, rezava o único parágrafo então conhecido. Não escrita, esta lei foi imposta pelos mafiosos aos sicilianos, desprezando-se as leis oficiais. Somente a partir de 1992, os sicilianos ousaram desrespeitar tal lei, iniciando assim a busca do retorno aos seus direitos mais dignos e sua cidadania.
Algumas cidades brasileiras têm sido constantemente mostradas em reportagens dos diversos meios de comunicação, sofrendo situações idênticas, onde o silêncio parece imperar. Ora amedrontados por traficantes, quadrilhas ou matadores de aluguel, ora com medo da própria polícia, a verdade é que a população dessas cidades fica sem ter a quem recorrer.
Londrina, com os problemas cotidianos de cidade grande, tem procurado a todo custo manter um nível de segurança adequado. Com um Conselho de Segurança Comunitário forte e atuante, interagindo com os demais setores da comunidade, o grito deste conselho tem procurado cobrar das autoridades competentes as condições necessárias como infra-estrutura, policiais civis e militares em quantidade e preparo adequado. Com isso, o Conselho de Segurança, capitaneado pelo dr. Jorge Zewe Coimbra Netto, tem cobrado a devolução de parte dos impostos pagos por Londrina, em um dos serviços tidos como de responsabilidade básica do Estado - a segurança!
Comungamos com a postura do Conselho de Segurança em buscar manter a sociedade londrinense informada e mobilizada e não se calar frente à onda de assaltos, alguns seguidos de morte na nossa cidade. Afinal, Londrina sempre trabalhou para solucionar seus maiores problemas. Talvez o melhor lema para Londrina deva ser estamos vendo tudo, estamos sabendo das coisas, e, mesmo quando dormimos, estamos vigilantes.
- GILMAR G. AGUIAR, presidente eleito 99/2000 do Rotary Club de Londrina-Sudeste.
Publicidade do tabaco
Entre 9 e 11 de abril acontecerá em São Paulo o Grande Prêmio de Fórmula 1, esperado por todos os brasileiros e telespectadores - por volta de 500 milhões - que assistem a uma corrida badalada e patrocinada, na maioria das vezes, por empresas fabricantes de cigarro. Em Buenos Aires, Argentina, há lei restringindo a publicidade colorida de cigarros em eventos esportivos. É por este motivo que uma etapa do campeonato da Fórmula 1 de 1999 não se realizará na Argentina, pois a dependência financeira do esporte ao patrocínio tabagista naquele esporte, no país tornou-se paradoxalmente inviável o próprio esporte.
No Brasil, a publicidade de produtos originários do fumo é restrita apenas por inscrições do Ministério da Saúde, advertindo sobre algumas doenças causadas pelo consumo do produto defeituoso, com poucos aspectos restritivos ao marketing subliminar, notável em eventos musicais, coreográficos e esportivos. Estes fatores só prejudicam a cidadania, pois cada vez mais estará nicotino dependente e pagando mais tributos para tratamento das doenças causadas pela epidemia tabágica no sistema público da saúde, revelando aquela publicidade subliminar como problema público e privado a reconhecer e superar.
Estou pedindo na Justiça uma restrição à publicidade de tabaco no próximo GP Brasil F1, para que ela seja em preto e branco, e não colorida, diminuindo seus efeitos prejudiciais à cidadania.
- CARLOS PERIN FILHO, advogado, São Paulo
Requião
Realmente os opostos se atraem. Roberto Requião e Antonio Carlos Magalhães com idênticas opiniões. Quando governador do Paraná, o primeiro fez do poder Judiciário o bode expiatório de todos os atos de seu governo. Chegou a sugerir aos juízes trocar as togas por roupa listrada. Hoje, ACM, baluarte número um de FHC, coloca a mesma questão do Poder Judiciário na pauta do dia expondo a famosa morosidade, nepotismo, castas e, o que é pior, inacessível aos mais pobres e altamente complacentes aos mais ricos etc. Depois dessas denúncias, propõe o presidente do Senado uma CPI do Judiciário. Acontece que as ditas esquerdas, contrárias a todo e qualquer ato do governo, mostram certa veia de defesa ao terceiro poder.
Como se comportará nosso digníssimo senador? Manterá sua coerência apontando as tais distorções que diz tanto ter prejudicado seu governo e o povo? Ou terá a velha e conhecida postura de somente ser contra ou a favor de alguma coisa quando convier? Basta lembrar do posicionamento do PDT e PT no plebiscito em que decidimos entre Presidencialismo e Parlamentarismo. O prato está servido, senador. Ajude a comer ou cuspa nele.
- JOSELITO HAJJAR, Londrina
Reintegração de posse
Denúncias graves como a existência de minas terrestres em propriedades rurais, em qualquer circunstância, só podem ser feitas mediante apresentação de provas. Caso contrário, não passam de atitudes levianas que só contribuem para acirrar ainda mais os ânimos no campo. No editorial de sábado, 20, este jornal afirma que o campo não precisa de armas, mas de tratores, trabalho e muita dedicação. Podemos assegurar que é este o compromisso dos produtores paranaenses. E é bem diferente do interesse daqueles que de fato querem instaurar guerrilhas no campo, invadindo e saqueando propriedades.
Causa-nos indignação que aos proprietários rurais sejam atribuídas tantas acusações falsas, mascarando a verdade dos fatos: um número cada vez maior de fazendas são invadidas, a justiça determina a reintegração de posse e o Estado nada faz para cumpri-la. São estes os fatos concretos. E não denúncias vazias movidas sabe-se lá por qual interesse. Mais uma vez tentam estigmatizar nossa classe. Se não fossem os produtores gente pacífica e trabalhadora, o campo já teria se transformado numa trincheira de guerra. É só imaginar o que aconteceria nas cidades se as casas fossem invadidas por grupos de sem-teto. A única verdade nisso tudo é a de que os proprietários continuam aguardando o cumprimento da lei.
- FRANCISCO GALLI, presidente da Sociedade Rural do Paraná
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





