O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Sangria
Mais uma vez deparamo-nos com uma notícia que nos aterroriza, nos enoja, mas não mais surpreende, pois não é fato novo: pessoas que representam a lei tiram a vida de cidadão, de forma estúpida e animalesca. O episódio acontecido em Ibiporã é de estarrecer. Mais uma vez nos vem a certeza de que estamos todos, indistintamente, também sujeitos a sofrer esse tipo de violência a qualquer momento e a qualquer mal-entendido, à mercê de uma decisão momentânea, furiosa e de uma análise mal concebida de um profissional despreparado e destituído de qualquer senso de humanidade. Ano passado, de férias numa fazenda onde mora um amigo, acompanhei pessoal que iria abater um leitãozinho para ser degustado no jantar. Em um pequeno cercado, uma enorme leitoa repartia espaço com uma porção de leitõezinhos. Enquanto um dos colonos distraía a mãe com uma espiga de milho, outro sorrateiramente sequestra dela um dos filhos. A poucos metros do cercado, enquanto a mãe em vão protesta urrando e esbravejando, o filho é sangrado impiedosamente. Confesso que a cena me deixou angustiado.
Guardadas as devidas proporções, o que aconteceu em Ibiporã não tem um quadro semelhante? Uma família vivendo seu cotidiano, e de repente um dos seus é sequestrado e sangrado, não obstante os pedidos de clemência e os gritos de protesto.
Meus pêsames e minha solidariedade aos bons policiais, que são obrigados a carregar o estigma que os colegas moldam, que arcam com a consequência de serem vistos com um pé-atrás pela população que, inevitavelmente, generaliza. Que o bom-senso continue presente em vocês, para lembrar que estão trabalhando e tratando com seres humanos, e não com leitões à espera da sangria.
- MARCOS ROBERTO ARAUJO, Londrina
Presente de grego
Lendo com atenção a matéria veiculada nesta Folha, dia 14 de março, que dava conta da divulgação do resultado do Exame Nacional de Cursos feito pelo Ministério da Educação, tem-se a certeza de que ensino público pouco importa para o governo, seja em sua esfera federal, seja na estadual. Como se já não bastasse o exame de final de curso obrigatório nas faculdades e universidades do país ter seu efeito avaliador seriamente comprometido do ponto de vista pedagógico, uma LDB imposta ao povo como uma colherada de óleo de rícino e o governo estadual intentar privatizar nossas faculdades (hoje públicas mas cambaleantes), e a total falta de compromisso por parte do nosso governador Jaime Lerner em honrar suas propostas de campanha, recebemos a notícia, aliás o presente de grego do Ministério da Educação e do Desporto, informando que irá abrir uma linha de crédito na ordem de R$ 300 milhões, que será usada para financiar o ensino de graduação em faculdades. Até aí, tudo bem. Continuando com a leitura percebemos que as instituições particulares terão prioridade no recebimento destes recursos.
Esta atitude do governo federal deve
ser considerada, no mínimo, ridícula. Ora, o ensino público universitário vai mal das pernas e quem recebe recursos da União são as instituições privadas? Isto vem mostrar para toda a população brasileira o que realmente o governo tem em mente para o ensino público. Restam algumas perguntas: até quando o imposto que o pobre paga e o rico sonega vai aumentar a taxa de exclusão do povo a uma universidade pública gratuita e de qualidade? Realmente, quem deve ser avaliado? Nós, enquanto acadêmicos, ou o próprio governo federal?
- ALEXANDRE NEGRI JULIÃO DA SILVA, Campo Mourão
Propaganda
Uma das piores manias da natureza humana é a tendência irrefletida em acatar e abraçar tudo que apareça em nome do novo, do progresso ou do avanço tecnológico. É o mais funesto e complicado dos equívocos do senso comum, pois, além de ser dificílimo de combater, nos impede de aprender com o passado - e a tragédia da raça humana, já se disse muito, é que ela nunca aprende com o passado. Pelo jeito, não aprende nem com o presente. Faz tempo que a propaganda está enganando todo mundo com o engodo de que vivemos anos de velozes transformações (truque para vender computadores). No fim de 96, por exemplo, andaram prevendo para 97 uma aceleração da mudança a nível ainda mais fantasticamente veloz (?), fato que se tornaria claro logo de início.
Mas o ano começou e tudo continua como antes ou pior. As reformas na lentidão de sempre, crimes e acidentes passando do limite, o senso comum cada vez mais comum (fala-se na importância da cultura e da informação, como sempre se falou, mas como a Internet anda muito devagar, espera-se a invenção de uma engenhoca capaz de injetar cultura e informação que preste na cabeça do sábio consumidor). O mundo segue pela inércia, impulsionado pela explosão de sentido e transformação que foram outros momentos brilhantes do passado que se vincularam à eternidade. Fala-se que surge nova resistência na Europa, gente como Paul Virílio combatendo o culto indecente da tecnologia. Mas só o fato de trazer o adjetivo nova, essa resistência já corre sério risco de ser novamente entendida de forma errada. Pois hoje a palavra novo conspira pateticamente contra o essencial, gerando no ouvinte aquele brilho nos olhos de quem está vivendo uma epifania digna do melhor pensamento, da melhor intuição - mas esse brilho pode ser apenas o impulso irresistível de correr para o shopping mais próximo.
- CARLOS JOSÉ RIBEIRO, Londrina
Cozinha comunitária
Graças ao apoio da imprensa, do Condomínio Mercadão do Povo e da doação feita pela Transportes Coletivos Grande Londrina Ltda., em breve será realidade a cozinha comunitária do Jardim Ideal. Vamos precisar do apoio do Provopar, da UEL e da nossa comunidade. Será uma possibilidade de podermos produzir alimentos para pessoas carentes, creches, entidades sociais, etc. Aproveitaremos as sobras dos hortigranjeiros do mercadão, que diariamente vão para o lixo. Com esta cozinha iremos transformá-las em sopões, doces e compotas. Enfim, alimentos para essa gente faminta e carente de melhor distribuição de rendas, com que alguns políticos enganam os eleitores, prometendo empregos, fim da miséria e melhor qualidade de vida, mas que, infelizmente, são apenas falácias para perpetuar em cargos públicos, sem jamais se preocupar efetivamennte com essa sofrida classe social.
- MOISÉS DOS SANTOS, Associação de Moradores dos Bairros Unidos do Jardim Ideal, Londrina
Correção
Matéria publicada ontem, na página 5, com o título Cascavel propõe voto útil, relaciona deputados eleitos pelo Oeste paranaense. Por lapso, na relação faltaram os deputados estaduais Nereu Moura (PMDB), com domicílio eleitoral em Catanduvas, e Sérgio Spada (PSDB), de Foz do Iguaçu.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.





