O Leitor Escreve
O Leitor Escreve
Dia da Mulher
Parabéns à Folha e à jornalista Anna Camanducaia (Curitiba), pela entrevista com a socióloga, professora e militante política Maria de Lourdes Montenegro (publicada na segunda-feira). A procedência das perguntas e a clareza das respostas são verdadeiros cartões de visita da competência das duas, tanto da jornalista quanto da socióloga. Além disso, a correção da linguagem e o capricho da página são também cartões de visita de todo pessoal que trabalhou para que a entrevista viesse tão boa a público, marcando o Dia da Mulher com letras de ouro.
Lembrei-me do meu velho Curso Normal em que conquistei meu primeiro diploma profissional: professor primário, em 1954, no Instituto de Educação Sud Mennucci, em Piracicaba. A minha classe era masculina, com 45 alunos; uma outra classe da mesma série, também com 45 alunos, era mista, pois tinha 7 mulheres. Nós caçoávamos delas, dizendo que queriam ser professoras para laçar o filho de algum fazendeiro (os professores primários tinham de começar suas carreiras lecionando alguns anos em sítios, fazendas e patrimônios, para depois concorrer ao magistério nas cidades maiores, pelo menos naquele Estado). Os diretores dos grupos escolares (1ª a 4ª série de hoje) eram, na grande maioria, homens.
Minha homenagem à mulher é registrar que, no que diz respeito à alfabetização e à educação das crianças brasileiras, elas vieram a ocupar, praticamente e finalmente, 100% dessa responsabilidade. Hoje, no Brasil, com raríssima exceções, em qualquer esfera profissional, ninguém escreve nem lê nada, sem que tenha aprendido isso com uma mulher: a professora das primeiras letras. Sem ela, inclusive, você não estaria lendo a Folha.
- SEBASTIÃO A. MENDONÇA, psicólogo, Londrina
História (1)
O governo do Estado está pensando em demolir o prédio do Colégio Hugo Simas, em Londrina. Alega as más condições do prédio, que tem 61 anos e não recebeu a devida manutenção ao longo do tempo. Precisamos lutar pela memória da cidade. A exemplo da antiga Câmara de Vereadores, este importante prédio, construído nos primeiros anos da cidade, pode desaparecer levando na poeira da demolição uma página importante do nosso tempo. Através deste espaço conclamo os londrinenses, como eu, nossos representantes em Curitiba e Brasília, para que façam manifestações contrárias a esta proposta, que mutila nossa história. Pior do que não ter futuro é não respeitar o passado. Enquanto nossa Universidade se preocupa com a restauração da Casa do Pioneiro e da primeira igreja erguida aqui, somos obrigados a ler e ouvir tal proposta. Que a nossa sociedade se levante e não aceite esta imposição de pessoas sem vínculos com nossa história.
- HERALDO FARIAS, radialista, Londrina
História (2)
Londrina deve ter história. Tem história? Era uma vez alguns anõezinhos que moravam numa casa. Calados, naquela casa que faz parte da história de Londrina, observavam os acontecimentos da cidade, durante 54 anos. Um dia uma pessoa muito sensível resolveu fazê-los falar. Fez dessa casa o Arquivo Cultural de Londrina. Soube muito bem a quem entregar a coordenação. Em poucos meses esta coordenação compilou dados importantíssimos.
Quem sabe tiveram a sensibilidade de ouvir os anões e a todos que lá estiveram querendo fazer emergir a história latente da cidade? Não há história sem passado, não há passado sem cultura, haverá história sem registro? O que será de uma história que desconsidera um fato histórico como o Arquivo Cultural de Londrina? Onde irão parar esses registros? Enfim, escrevo com a intenção de parabenizar as pessoas que contribuíram para a existência e persistência de uma história e lamentar, caso não haja vontade política de manter viva a história presente, do cotidiano centralizada numa sede onde todos possam dar a sua contribuição e verificar a sua identidade como registro vivo da cidade. Se isto acontecer este será mais um episódio da estória de Londrina.
- JULIANA DEQUECH GARCIA, Londrina
Auditoria da saúde
Tendo em vista notícia publicada dia 3 sobre a auditoria realizada no Sistema Municipal de Saúde de Maringá, temos a esclarecer: a citada auditoria do Ministério foi desencadeada por dois motivos: o primeiro foi denúncia do Conselho Municipal de Saúde e que se prende a questões referentes a contrapartida da Prefeitura Municipal de Maringá no convênio firmado com o Ministério da Saúde para a construção do Hospital Municipal. O segundo foi solicitação da própria Secretaria Municipal da Saúde, e se prende à deficiência de leitos de maternidade no município de Maringá. A Divisão de Auditoria do Ministério da Saúde no Paraná (Divad/PR) enviou - para atender as duas demandas - duas equipes de auditores. A primeira, constituída por técnicos da área contábil, com a finalidade de verificar o movimento do Fundo Municipal de Saúde, bem como a movimentação financeira do convênio de construção do Hospital Municipal. A segunda equipe, constituída por auditores médicos, teve a incumbência de verificar a questão dos leitos obstétricos.
Fica evidente que se tratava de duas questões distintas, tratadas por equipes distintas, ambas com atuação independente. Durante todo o tempo em que permaneceu em Maringá, a equipe médica esteve em lugar certo e conhecido. Durante todo o tempo se manteve em contato com a sede da Secretaria Municipal de Saúde e com a sede da Divad/PR. A alegação de que a equipe esteve escondida em companhia do secretário da Saúde é no mínimo fantasiosa. Caso tivesse sido procurada, não se furtaria a prestar os esclarecimentos que se fizessem necessários.
Vale ressaltar que os resultados da auditoria serão consubstanciados em relatório, o qual certamente, como é praxe nestes casos, será dado a conhecimento do Conselho Municipal de Saúde, não havendo sentido em se dispensar tratamento privilegiado a um ou outro conselheiro. É evidente que a equipe de auditores, no exercício de sua função, eminentemente técnica, tem que assumir uma série de precauções. Entre elas, evitar a exploração pessoal e/ou política de sua atuação, sob pena de comprometer a isenção e a imparcialidade que a sua função exige.
- MARIO LOBATO DA COSTA, médico-auditor do Ministério da Saúde, Curitiba
NOTA DA REDAÇÃOOs auditores do Ministério da Saúde foram procurados pela reportagem da Folha durante todo o dia 2, quando eles estiveram em Maringá. Ao meio-dia, o secretário de Saúde Ivan Murad concedeu entrevista ao vivo a uma emissora de rádio afirmando que os auditores já haviam deixado a cidade. No final da tarde, à Folha, ele voltou a dizer que eles não estavam em Maringá. Enquanto isso, os auditores informavam que não dariam entrevistas porque não estavam autorizados. Eles só foram embora no dia seguinte, sem atender a imprensa.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





