O leitor escreve
Dia da Mulher (1)
Se a história de Adão e Eva é correta, você, mulher, é significado da aventura e da descoberta do mundo. A maçã foi apetite que se transformou em gula para as emoções do amor, que não sei se Deus sabia que havia criado em você, mas que se criou em você e se manifestou na malícia insegura ou na maliciosa insegurança ou na maliciosa ingenuidade que levou Adão ao pecado, se é mesmo pecado. Mas uma coisa ficou certa em tudo isto: você dirige. Mandar é o atributo dos tiranos que na insegurança e ou no medo da derrota impõem ordens, mesmo arbitrárias, quando não só arbitrárias.
Você dirige através da insinuação, da persuasão, do carinho da sedução e, sempre que sincera, através do amor. O amor, o suavizador de feras. O feminismo, que algumas vezes se apresenta como partido político ou movimento de disputa da masculinidade ou movimento das frustradas amorosas não é exatamente o seu carisma. O feminismo da intelectualidade, da capacitação, da dignificação do sexo, da defesa e desenvolvimento harmônico das suas crias, da igualdade cristã entre as pessoas, independente de sexo - este é o seu destino.
Se a meta é a humanidade e para ela o equilíbrio e a paz, não é senão na solidificação da família que se fará o cumprimento do objetivo. A realização pessoal e egoística da autopromoção narcisista, tão apregoada pelas figuras dos vídeos, na confusão de amar e desamar, na frustração recebida e causada, sem o objetivo da doação amorosa e sem o objetivo do equilíbrio, não é da sua formação.
Deu-lhe, Deus, à mulher, o dom da amamentação, com o manancial do alimento, não lá na barriga, também no peito, junto ao coração, o mesmo coração símbolo do amor para aconchegar a cria junto à face e fazer com que aquele que dela colhe a vida sinta o seu respirar, seus murmúrios de carinho e carícia, seu palpitar, no acalento dos braços macios e corajosos. O mundo é seu, mulher! A política é sua, quando você sente que a sua família é seu carisma e apenas pode bem sobreviver com uma sociedade digna e equilibrada. O maior dos oradores não pode convencer mais do que a sua oração aos pés de Maria ou das suas palavras no aconchego da cama ou das horas de refeição. Você é a poesia, a harmonia, o sonho, a fibra, a luta, a vitória.
- FAHED DAHER, médico, Apucarana
Dia da Mulher (2)
Já são tantas. Milhares. Milhões. Uma verdadeira rama, florescendo por todo o Planeta. Não são só florzinhas, são mulheres se agrupando, misturando suas cores, gritando seus encantos e exigindo seus direitos, exibindo suas verdades. São domésticas, bailarinas, médicas, trabalhadoras rurais, estudantes, bancárias, professoras, escritoras, garis, brancas, negras, índias, meninas. São sem vergonha de lutar, acreditar, denunciar, exigir, ser reconhecida como trabalhadora rural, reivindicar, sonhar.
São Maria sem vergonha de dizer que ainda falta trabalho, salário digno, respeito. Que ainda são vítimas da violência física, da pancada, do assédio, do estupro, do aborto, da prostituição, da falta de assistência. São Maria sem vergonha de se indignar diante do preconceito, da escravidão, da injustiça, da discriminação aos seus cabelos pixaim e à sua pele negra. São Maria sem vergonha de brigar por creches, educação, saúde, moradia, terra, comida, meio ambiente, pelo direito de ter ou não filhos. São Maria sem vergonha de ficar bonita, pintar a boca e da sua boca soltar o beijo que não vem da troca, mas do ser inteiro, indivisível, solidário. São Maria sem vergonha de dizer o não, de buscar alegria, prazer. Sem vergonha de se cuidar, de usar camisinha e de se apaixonar. Atrevidas.
São Maria sem vergonha de ser trabalhadora rural, de produzir o alimento de todo dia. Sem vergonha de ter suas mãos ásperas que trocam os cremes de pele macia por um trabalho forçado na roça, que a espera, e ela, sem desanimar, esperando um incentivo para a agricultura familiar. São Maria sem vergonha de decidir, fazer política, escolher e ser escolhida. São essas sem vergonha que a cada tempo mudam a história. Conquistam direitos. Dão a vida. Geram outras vidas. Insistentemente. Desvergonhadamente vão tecendo de cor e beleza o desbotado das relações humanas. Sem medo, sem disfarce, sem vergonha de ser feliz. Vão parindo com dores e delícias um novo mundo pra mulheres e homens. Um novo mundo pra ‘‘comunidade dos seres’’ humanos, plantas e animais.
- CEMTRA (Comissão Estadual de Mulheres Trabalhadoras na Agricultura), Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

mockup